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Artista do ABC paulista, Niel Pimenta, lança “Menina melanina” no dia da consciência negra, confira
Gio Sousa
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“Ela vem com seus cabelos, odiados e chamados de crespo...”

No último sábado do dia 20 de novembro celebramos a memória de mais um dia da consciência negra. Marcado pela morte de Zumbi dos Palmares, grande lutador que liderou o Quilombo mais importante do país, o dia é celebrado em meio à luta e às contradições contidas de um sistema econômico que se utiliza da opressão do povo preto para seguir lucrando.

Este dia foi escolhido pelo jovem artista Niel Pimenta para lançar sua mais nova música “Menina Melanina”. A música celebra a beleza negra e expressa também o enfrentamento contra o racismo estrutural materializado na violência policial. Este drama é vivido diariamente por milhares de brasileiros em meio a um governo racista de extrema direita que criminaliza até quem come comida do lixo.

O artista de 24 anos, é de Santo André, cidade do ABC paulista e conta que sua relação com a música existe desde muito pequeno, tendo começado a cantar com apenas seis anos.

“E o nome dela é Regina…”

Composta em 2017, Niel contou em entrevista para o esquerda diário que a música é uma homenagem à sua mãe, ele também resgata a memória de Marielle Franco, ativista e vereadora do PSOL assassinada em 2018 a mando da asquerosa milícia carioca, que nutre profundas relações com a extrema direita brasileira. A morte da militante é colocada por ele como parte da linha do tempo de desenvolvimento da música, que agora, quatro anos depois, consegue lançar com apoio de outros artistas independentes com quem faz alguns de seus trabalhos.

Sua trajetória com a música começou com a influência de seu pai, que também era artista, e foi no teatro que Niel conseguiu desenvolver melhor sua habilidade musical e também conheceu Raul GS, um dos seus parceiros de trabalho que o ajudou a levar adiante o projeto, participando junto com Rafael Machavi da mixagem e a masterização da música. Sem o apoio de outros artistas como esses, possivelmente a música demoraria ainda mais para ser gravada.

Queila Oliveira, de apenas 19 anos, é a segunda voz que aparece em Menina Melanina, uma artista prodígio segundo as palavras de Niel. Artista nascida em Mauá que já demonstra um enorme talento para a música. Niel canta em protesto às expressões do racismo escancarado pelo qual é esmagado o povo preto:

“Todo dia um sonho assassinado pelo cano de um PM
Se é branquinho é estudante, se é preto é delinquente
E pra salvar o país é o fascista doente
eles são tudo pró-vida contra o aborto,
mas depois que nasce, bandido bom é bandido morto”

Muitos artistas certamente estão ofuscados em Santo André, no ABC e no Brasil como um todo, sem o apoio de outros parceiros independentes e cantando sua realidade que não é palatável para a mídia burguesa, é um pequeno prestígio poder ver alguns desses artistas mostrarem seu talento mesmo com tantas dificuldades impostas pela dureza da vida. A arte e a cultura negra merecem todo o espaço para se expressarem não só a cada dia 20/11, mas diariamente.

Precisamos seguir lutando para libertar a flor viva da vida, toda a poesia que é calada e contida em cada favela desse país!

Confira abaixo a música pela plataforma YouTube:

 
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