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Jueves 17 de Junio de 2021
17:46 hs.

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MUNDO OPERÁRIO
Em meio à pandemia, Brasil ocupa segundo lugar no ranking em mortalidade por acidentes de trabalho
Redação

Pegando um panorama de 2012 a 2020, foram 21.467 trabalhadores brasileiros que morreram em acidentes de trabalho, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho)

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Em meio a pandemia do novo coronavírus onde pessoas morrem ou pelo vírus ou pela fome, fome essa, que se apresenta no dia a dia do trabalhador devido à ausência de um auxilio emergencial digno, que supra de fato as necessidades dos trabalhadores e a situação aberrativa do desemprego, trabalhadores de vários setores recebem das patronais condições inseguras e insalubres de trabalho para seguirem lucrando. Nós trabalhadores nos acidentamos, em muitos casos morremos, enquanto o empresariado e capitalistas seguem se deleitando em nosso sangue, e se deleitam totalmente legitimados pela política genocida de Bolsonaro, governadores e companhia.

Vale ressaltar brevemente que foram registrados no Brasil, no ano passado, 20,797 mil notificações de acidentes de trabalho pela COVID-19, representando 4,7% do total de acidentes do ano passado. Nesse período foram registrados 51 mil afastamentos em decorrência da COVID-19, representando 2,2% do total de benefícios previdenciários pagos em 2020. Tivemos um aumento de 30% em relação a 2019 no total de auxílios doença por transtornos psicológicos, como depressão, crise de ansiedade e etc, chegando a 289 mil casos, deixando em letras garrafais, que os agravos da crise sanitária, agravos que nós trabalhadores sofremos, não está somente em nossa carne, está também nas condições de trabalho precárias, insalubres, que transtornam nossa mente, que nos adoecem, e nos matam, enquanto os empresários seguem em suas redomas com todas as refeições do dia, sem derramar uma gota de sangue, pelo contrário, é o nosso sangue, que escorre nas engrenagens, prensas, moinhos, tornos, furadeiras, enfim, máquinas e equipamentos em geral.

Falando em máquinas e equipamentos, vale citar que de 2012 a 2019 a maior parte dos acidentes de trabalho existiram na operação de máquinas e equipamentos, somando 15%, em 2020, esse número saltou para 18%. Dados como esses expressam a degradação da indústria no que diz respeito a medidas de proteção coletiva e o quanto estão sendo ineficazes em suas políticas de prevenção.
Esse número grotesco de mortes por acidentes de trabalho em partes se dá devido a ausência do cumprimento das normas e procedimentos, no caso da indústria especificamente, a Norma Regulamentadora número 12, que deveria ser o mínimo exigido na lei para garantir nossa segurança. Nesta norma (NR-12) são descritas diversas exigências a serem cumpridas pelas empresas que deveriam garantir um ambiente de trabalho seguro para nós trabalhadores. A norma aborda desde medidas individuais de proteção até a necessidade de sinalização, passando por instruções no uso de equipamentos, inspeções de manutenção e assim por diante. Mas na verdade, podemos concluir que até mesmo essas normas existem apenas para cumprir legislações, inclusive, essas mesmas normas não existem para nos proteger, muito pelo contrário. Existem inúmeras debilidades nessas normas, como por exemplo jogar a culpa dos acidentes de trabalho na ausência de cumprimento de suas diretrizes pelo trabalhador. Mesmo frente às diretrizes contidas na NR 12, a patronal, geralmente, investe em proteções individuais, para seguirem porcamente as recomendações que a norma direciona, mas são negligentes com os investimentos necessários nas máquinas e equipamentos, assim como, manutenções preventivas para que possa seguir funcionando de forma segura sem mutilar trabalhadores. E essa negligência não são meros esquecimento vem justamente do fato de que, a patronal, não vai renunciar aos seus acúmulos para realizar manutenções nas máquinas ou trocar um equipamento arcaico por um mais atual, pelo contrário, vão equipar os trabalhadores, para operarem máquinas condenadas, se exporem a riscos graves e iminentes e seguirem morrendo.

No dia 28 de abril, na quarta-feira, foi o Dia Mundial em Memória das Vitimas de Acidentes de Trabalho. Em muitas indústrias, foi colocado como “Abril Verde”. Ao mesmo tempo que nos setores de trabalho era supostamente reivindicado a memória dos que morreram trabalhando, era constatado pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil, que nos último 13 anos, 30 mil crianças estiveram em situação de risco sob a condição do trabalho infantil. São jovens de 14 e 17 anos sendo atingidos e expostos a riscos, como amputações, fraturas, intoxicações, picadas de animais peçonhentos, entre outros agravos à saúde. Em 2020 mais de 2 mil jovens foram afetados e dez desses casos chegaram a óbito. Vale ressaltar, que desde 2020, frente a pandemia, muitos jovens recorreram a entregas de Aplicativo, se colocando em risco nas ruas em suas bicicletas ou motos para poderem sobreviver em meio as ausências impostas pela política negacionista de Bolsonaro e governadores.

Pesquisa realizada em 2020 indicou que 50,99% dos entregadores de aplicativo já sofreram ao menos um acidente enquanto trabalhavam, deixando claro que o acidente de trabalho, é tão presente no dia a dia do trabalhador quanto a pandemia.

Os acidentes de trabalho é o reflexo da ganância capitalista em conjunto com a degradação desse regime, que insiste em jogar em nossas costas uma crise que não criamos, é reflexo da ambição do empresariado, que se apoia nas MP’s de Bolsonaro e governadores, para nos colocar em condições precárias de trabalho, rebaixar nossos salários e se aproveitarem do cenário atual do desemprego para nos oprimir e explorar, não se importando com a nossa morte. Em um momento em que todas as mídias estão cotidianamente falando sobre a pandemia, cai no esquecimento, as condições em que estamos expostos nos nossos setores de trabalho e o quanto isso é reflexo da ausência de uma política que de fato se coloque a favor de nós trabalhadores e não dos empresários. Há trabalhadores morrendo em seus locais de trabalho, tem trabalhador morrendo e sendo subnotificada sua morte, tem menores de idade morrendo, enquanto os empresários lucram dia após dia.

Nesse marco precisamos organizar nossas forças em comitês em todos os setores de trabalho, retomando as CIPAs (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), como ferramentas de luta em nossas mãos, retirando os indicados pela chefia e patronal, exigindo atitude dos sindicatos, para se colocarem a responsabilidade dessa luta, organizando os trabalhadores à inspecionar, avaliar e determinar as medidas de segurança individual e coletiva a serem aplicadas no dia a dia através da auto organização dos trabalhadores. É necessário que todas as categorias se organizem, para que se possa combater os ataques de Bolsonaro, Mourão, governadores e toda casta do empresariado e os capitalistas.

 
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