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Jueves 24 de Junio de 2021
06:46 hs.

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COLUNA
Um ano da covid-19 no Brasil e um genocida chamado: regime do golpe
Douglas Silva
Estudante de Ciências Sociais da UFJF

No dia de ontem, quinta-feira (25), completou-se um ano do primeiro caso confirmado oficialmente de covid-19 no Brasil. O que não sabíamos era o quanto tal pandemia iria se agravar em nosso país governado por um presidente de extrema direita negacionista, erguido pelos pilares de um golpe institucional, em 2016, que abriu caminho para os monstros que irrompem no escuro, enquanto alguns tapavam os olhos para sua própria criação. O genocida não seria – como não é – apenas um presidente, mas todo o regime golpista.

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Um dia antes de completar um ano do primeiro caso da doença, o Brasil completou 35 dias seguidos com média móvel de mortes acima de 1.000 e, no mesmo dia, superou a marca de 250 mil vidas ceifadas pelo coronavírus, registrando a maior média móvel de óbitos de toda a pandemia – 1.127. O país do golpe institucional não chegou até aqui por única e exclusiva responsabilidade de um presidente reacionário e negacionista como Bolsonaro, mas pelas mãos de todos os golpistas que abriram caminho para que as vidas dos trabalhadores e do conjunto da população pobre se tornassem apenas números noticiados nos jornais da tarde.

Num país em que o golpe serviu para aprofundar os ataques contra os trabalhadores e os setores mais oprimidos, a situação da covid-19 não poderia ter outro resultado vindo das mãos daqueles que garantiram – como Temer, Bolsonaro, militares, Congresso e STF – ataques como a Reforma Trabalhista e da Previdência. Além do mais, também foram responsáveis, sob a égide do governo golpista de Temer, pela PEC da Morte, a qual possibilitou o congelamento dos gastos em saúde e educação, impactando diretamente nos gastos da União com a saúde pública. Também foi antes da pandemia (no final de 2019) que mais de 40% da classe trabalhadora brasileira se via jogada à informalidade, como aponta Ricardo Antunes em seu livro: “Coronavírus. O trabalho sob fogo cruzado”. Hoje, enquanto a pandemia parece não ter fim em nosso país, o que assistimos são os resultados (como a falta de leitos de UTIs) de ataques acumulados ao longo de anos e aprofundados a partir do golpe de 2016.

Os responsáveis por aquela votação em nome de Deus e das (suas) famílias, como o próprio centrão, que hoje controla a Câmara dos Deputados com Arthur Lira na presidência (sob a benção de Bolsonaro e vice-versa), pavimentaram o caminho não apenas para que a pandemia encontrasse terreno fértil para disseminar mortes e sofrimento, os atores desse regime, erguido sobre os destroços da “Nova República”, pavimentaram o caminho para um novo regime, o qual traz como marca o desemprego e o aprofundamento da precarização do trabalho – como a uberização, propiciada pelos aplicativos, e a terceirização – que, a saber, concentram a grande massa de trabalhadores que não deixaram de trabalhar nem enquanto governadores, como João Doria, em São Paulo, dizem demagogicamente “fica em casa”, mas destinam aos trabalhadores ônibus lotados, sem testes massivos e sucateamento da saúde pública por parte daqueles que sempre defenderam as privatizações e os cortes.

Demagogicamente, prefeitos e governadores, muitos dos quais foram entusiastas de Bolsonaro nas eleições, incluindo [bolso]Doria, buscam fazer como Pilatos e lavam suas mãos numa bacia de sangue. Todavia, se esquecem, ou trabalham a serviço do esquecimento, de que a crise econômica, política, social e pandêmica é fruto da ganância capitalista e de um regime, em particular, que se alçou com todo o reacionarismo das facções de classes burguesas herdeiras da Casa Grande e da ditadura. Os traços autoritários de “gestores” que buscam esconder seu desprezo pelas vidas dos trabalhadores em “toques de recolher”, em cidades como as do estado de São Paulo, são sinalizadores de que a burguesia, a qual parece acreditar que o vírus circula apenas nas noites e madrugadas das cidades, não possui nenhum apreço pelas nossas vidas, tendo em vista que a falácia do combate à pandemia de Doria, o qual parece se preparar para 2022 numa disputa política com Bolsonaro, não impediu que no último dia 22 o estado de SP tivesse o maior número de pacientes com covid-19 internados em UTIs desde o início da pandemia, enquanto a vacinação segue como um direito negado a maioria da população por políticos e pelas grandes fabricantes capitalistas.

Que Bolsonaro seja um genocida não nos resta dúvidas, mas, como todo genocídio, existem muitos responsáveis por trás das cortinas. Bolsonaro e militares, Congresso e STF, todos eles contribuíram para o cenário atual, suas disputas pelo topo em nada representa benefícios para a classe trabalhadora, a não ser o espaço para que lutemos. Mas, diferente da ilusão que alguns buscam nos vender, entre eles setores da esquerda brasileira, se enfrentar com Bolsonaro não pode passar por fora de combater o regime que o ergueu. Por isso, para enfrentar a pandemia e toda a crise econômica, política e social é preciso que as organizações que se dizem do lado dos trabalhadores se coloquem na linha de frente pela extinção das patentes, que impedem o direito a vacinação em massa de toda a população, para que, enquanto os de cima brigam pelo melhor caminho para nos atacar, possamos pavimentar a estrada por onde passarão aqueles que mais estão sentindo os impactos de toda a crise: os trabalhadores e o conjunto dos oprimidos por esse sistema de exploração e opressão!

 
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