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Martes 13 de Abril de 2021
23:05 hs.

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AUTORITARISMO
Daniel Silveira e a disputa entre STF e militares: precisamos enfrentar todo o regime golpista
Redação

Na noite desta terça-feira (16), o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) foi preso em flagrante por gravar vídeo em que faz apologia ao AI-5, decreto de repressão da ditadura militar, e fechamento do STF.

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Silveira é o deputado que, junto a Rodrigo Amorim (PSL-RJ), quebrou a placa em homenagem à vereadora carioca Marielle Franco, executada em meio à intervenção federal no Rio de Janeiro do golpe institucional em 2018, ferida aberta do autoritarismo que o golpe institucional construiu. É um exemplar da odiosa extrema direita, ligada ao bolsonarismo, que não só se solidariza com os assassinos de Marielle, mas levou adiante todos os ajustes econômicos antioperários e antipopulares aplicados pelo Congresso em aliança com o STF.

No vídeo, gravado para responder o ministro do STF Edson Fachin (lavajatista emérito) sobre o lançamento do livro de Villas Boas, em que o general revela que os militares fizeram pressão para a prisão arbitrária de Lula, o deputado bolsonarista faz apologia do Ato Institucional - 5, instrumento de repressão da ditadura militar, e ao fechamento do STF.

A apologia que o deputado faz no vídeo ao AI-5 é a expressão do mais reacionário autoritarismo do qual a extrema-direita é herdeira. Tem saudades do momento em que as botas do regime corrupto dos generais pesavam sobre os ombros da classe trabalhadora. E não esconde isso de ninguém, ainda neste ano Bolsonaro afirmou que o degenerado sequestrador de crianças e torturador Coronel Brilhante Ustra seria um herói nacional. O mesmo que torturava até mesmo mulheres grávidas.

Inclusive, pela primeira vez na sua história o Exame nacional do Ensino Médio não abordou o tema da ditadura militar. A prova ocorre desde 2009 , e, neste ano de 2021, foi o único ano em que não houve uma menção explícita ao período da ditadura militar, com uma comissão formada por Bolsonaro para impor sua visão distorcida sobre a história brasileira ao ensino.

Vale lembrar também que o laranja de Bolsonaro, Queiroz, guardava pôster do AI-5 em seu esconderijo. E também que, em abril do ano passado, Bolsonaro foi a uma absurda manifestação que pedia intervenção militar e um novo AI-5.

O vídeo de Silveira vem na esteira da disputa entre o ministro do STF, Edson Fachin, e o general Villas Boas. A interferência crescente dos militares estava a serviço de assegurar a continuidade do golpe institucional e de aprofundar ainda mais os ataques à classe trabalhadora, num ritmo maior do que o PT vinha conseguindo fazer. Mas o autoritarismo judiciário fez causa comum com os militares em prol da Lava Jato de Sérgio Moro. Fachin, por exemplo, era um defensor atroz da Operação pró-imperialista encabeçada por Moro e os procuradores de Curitiba. O STF é parte do regime golpista, e a disputa nas alturas não pode nos iludir em relação ao papel de cada instituição de 2016 para cá.

Daniel Silveira expressa a escória da extrema-direita, para quem o golpe institucional de 2016 abriu caminho. O autoritarismo dos militares e do STF abriram espaço para essa extrema-direita. Por isso, não confiamos nas instituições do Estado burguês, nem delegamos a elas a atribuição de "combater a extrema direita" que fizeram surgir. Essa atribuição está nas mãos da classe trabalhadora e do movimento de massas nas ruas, únicos capazes de, organizados, darem um combate frontal à reação bolsonarista.

Bolsonaro, Mourão e todos os agentes do golpe institucional, assim como o STF, fazem parte de descarregar a crise nas costas dos trabalhadores, avalizam que um deputado diga absurdos, e são responsáveis para que hoje sejam rifados direitos históricos dos trabalhadores, com a Reforma Trabalhista, Reforma da Previdência, PEC Emergencial e Reforma Administrativa. Mais uma vez, o que as centrais sindicais estão esperando? Nossa batalha deve ter como alvo todo o regime golpista. É preciso exigir das direções como a CUT e a CTB que cessem sua paralisia covarde e usem a influência que tem nos sindicatos para aproveitar o momento de divisão nas forças golpistas.

Veja também: Indignação hipócrita: STF e Forças Armadas atuaram com a Lava Jato em prol do golpe

 
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