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Jueves 6 de Mayo de 2021
07:40 hs.

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CRISE EM MANAUS
Em Manaus, médicos sedam pacientes para morrerem sem dor: "a gente não sabe mais o que fazer"
Redação

Enquanto oxigênio é mercadoria e fonte de lucro para os capitalistas, pacientes sufocam e morrem asfixiados mesmo com toda a dedicação de trabalhadores da saúde que se revezam tentando exaustivamente ventilar manualmente os pacientes.

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Com o colapso de oxigênio em Manaus, médicos das alas de UTI para COVID-19 convocaram, via whatsapp, colegas de trabalho para ajudar na caótica situação que enfrentam os hospitais da cidade. Médicos e enfermeiros estão garantindo a chance de sobrevivência de paciente por meio de uma bomba de ventilação manual, procedimento conhecido como ambuzar.

Nesta sexta, 15, os hospitais de Manaus pedem urgente a transferência de 60 bebês prematuros que podem morrer devido a falta de oxigênio na cidade.

"O estoque de oxigênio acabou no Hospital Getúlio Vargas por volta das 6h30. Sou médica residente e não costumo trabalhar diretamente no atendimento a pacientes com covid, mas, quando soube do que estava acontecendo, fui para a ala covid como voluntária porque os colegas precisavam de ajuda para ambuzar (ventilar manualmente) os pacientes. Nesse procedimento, a gente fica apertando uma bolsa ininterruptamente para bombear manualmente o oxigênio para o paciente", relatou médica de 30 anos.

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Devido ao esforço manual repetitivo e incessante, médicos estão revezando entre si para garantir ar aos pacientes. "Aquilo cansa. Quando uma pessoa da equipe chega ao limite da exaustão, ela reveza com outra. Durante o tempo que fiquei na UTI, ajudei a ambuzar três pacientes. Um deles, de 50 anos, morreu na minha frente."


White Martins, empresa que controla todo fornecimento de oxigênio em Manaus

Em casos onde mesmo o procedimento manual não se mostra suficiente, os médicos estão optando em injetar morfina nos pacientes, para que possam morrer sem dor: "quando a gente vê que não tem mais jeito, iniciamos a morfina, para dar algum conforto. Tivemos que fazer isso com ele. Demos morfina e midazolam (sedativo). A gente já chorou e não sabe mais o que fazer."

A situação de Manaus escancara o absurdo da irracionalidade capitalista e dos governos que gestam nosso país em nome dos lucros e não das vidas: um dia antes do colapso em Manaus, Bolsonaro aumentou o imposto sob importação de oxigênio. O trabalho precário em hospitais públicos revela o resultado de anos de sucateamento e subfinanciamento do SUS, em nome do avanço das empresas do ramo da medicina, deixando centenas de milhares à própria sorte e precarizando profundamente as condições de trabalho de profissionais da saúde.

São médicos, enfermeiros e técnicos em saúde que estão respondendo, como podem, a absurda e lamentável crise em Manaus. Somente os trabalhadores podem batalhar para por fim à essa situação dramática, a partir de um plano de emergência, garantido por aqueles que salvarão vidas, e não os lucros dos capitalistas.

 
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