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Jueves 24 de Junio de 2021
06:18 hs.

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FORD
Ford vai sair do Brasil após lucrar milhões com isenções de impostos
Redação

O fim das operações e as milhares de demissões da Ford vem após anos de incentivos bilionários para o setor automotivo no Brasil. Só o governo federal concedeu quase 70 bilhões em incentivos para o setor desde 2000. Após lucrar rios de dinheiro no Brasil com regalias por parte dos governos, a Ford vai deixar milhares na rua para aumentar seus lucros.

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Segundo informações da Folha de São Paulo, de 2000 a 2021 o governo federal concedeu cerca de R$ 69 bilhões ao setor automotivo em incentivos para manutenção das linhas de produção. O setor é majoritariamente composto por gigantes internacionais como a Ford, e ainda conta com os incentivos estaduais e municipais nas regiões em que se instalam.

A Ford alega perdas na operação no país como motivo para o encerramento de suas atividades no país, fechando 3 fábricas, embora recentemente tenha anunciado em meio a pandemia lucros seis vezes maiores do que no mesmo período do ano anterior. Além de lucros exorbitantes, pôde contar com regalias milionárias por parte dos governos durante décadas.

Esses incentivos ocorrem através da isenção de determinados impostos que beneficiam diretamente as empresas ou suas vendas, como o IPI a nível federal ou ICMS a nível estadual.

Bolsonaro faz demagogia dizendo que a Ford sai do país porque quer mais incentivos, mas só para o ano de 2021 foi estabelecido o valor de R$ 5,9 bilhões em incentivos para montadoras bilionárias, valor que seria suficiente para o pagamento de mais uma parcela de R$ 300,00 do auxílio emergencial para 20 milhões de pessoas, ou que poderia ser investido em materiais, insumos e infraestrutura para o combate da Covid-19, que volta a devastar o sistema de saúde do país numa segunda onda.

E mesmo com rios de dinheiro público fluindo para o bolso de empresas bilionárias, a Ford mostra que a ganância capitalista não tem escrúpulos quando se trata de aumentar seus próprios lucros, neste momento às custas de mais de 5 mil empregos diretos e mais outros milhares de indiretos. São milhares de famílias que perderão o sustento para que um punhado de acionistas lucrem alguns bilhões a mais.

Maíra Machado, professora em Santo André e diretora da APEOESP pela oposição, opina que: “É preciso que a CUT, que dirige os principais sindicatos do país e os sindicatos de metalúrgicos ligados à Ford organize um plano de luta sério e que não se repita o acordo que garantiu as demissões em 2019. A força dos sindicatos e das Centrais Sindicais tem que servir para cercar esses trabalhadores de solidariedade e fortalecer a sua organização para enfrentar esse ataque.”

 
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