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Sábado 27 de Febrero de 2021
21:17 hs.

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EUA
Em longa sessão após invasão trumpista, Congresso norte-americano ratifica vitória de Biden
Leandro Lanfredi
Rio de Janeiro | @leandrolanfrdi

Após o fim da invasão do Capitólio por bandos trumpistas, o Congresso norte-americano reuniu-se em longa sessão e ratificou a vitória do democrata Biden. A sessão foi inaugurada e presidida pelo vice-presidente de Trump, Pence, que criticou fortemente a invasão. A crise aberta pela ação de ontem mostra cicatrizes que não se fecharão com a votação recém concluída.

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A sessão do congresso norte-americano, recém concluída (05:44) não fechará ou eliminará as fortes cicatrizes que a crise aberta ontem mostraram. Os votos do colégio eleitoral foram confirmados, Biden obteve 306 votos e Trump 232. Inúmeras contradições e cicatrizes da crise nos EUA permanecem.

A vitória de Biden no colégio eleitoral, com grande margem, não permite ver como Trump teve expressiva votação, mais de 70 milhões de votos, e como demonstrou ontem, não sairá de cena como uma figura cerimonial de ex-presidente. Trump será um ator político importante o trumpismo seguirá como um movimento com base de massa. Os fortíssimos indícios de conivência, se não apoio, da polícia à invasão mostra como esta força política mobiliza e influencia não somente grupos fascistas que participaram da invasão ou de tresloucados soltos vestidos de vikings, mas tem apoio em certas camadas da burguesia imperialista e conta como uma base de massa. Trump demonstra ser a ala mais influente e forte dentro do centenário Partido Republicano.

A invasão foi incentivada por Trump por semanas e em manifestação poucos minutos antes da ocorrência. A invasão foi comemorada por Trump em suas redes sociais, mesmo quando pediu para suas hordas voltarem para casa. Bolsonaro, por sua vez, como um gado, seguiu as declarações de Trump, e não foram poucos os brasileiros que leram nas declarações de Bolsonaro um anúncio de intenções para 2022. O exemplo americano que mostra que a extrema direita não será esmagada nas urnas, mas que somente pode ser derrotada nas ruas, na luta de classes, serve para lá e para cá.

A invasão contou com cenas grotescas de mil e uma fotos de bandeiras confederadas diante de Abraham Lincoln, bandeiras de neonazistas, entre outras. O trumpismo é um produto inequívoco da crise capitalista. É a cara mais horrenda de um regime político, governado por décadas seja por democratas ou por republicanos que entrou em crise econômica, política e social. Republicanos e democratas compartilham o interesse de manter um regime que é em essência racista, anti-democrático e feito à medida dos super-ricos de Wall Street.

Diante da violência trumpista o partido Republicano exacerbou sua divisão. Diversos senadores republicanos declararam nas televisões que consideravam utilizar a 25ª emenda à Constituição Americana para declarar Trump inapto para continuar presidente e passar o poder a Pence nos últimos dias de governo republicano. Pence, que precisaria cumprir um papel crucial neste movimento não deu sinais de dar corda a esta ação, mas não atendeu a pressão de Trump para melar os resultados na sessão do Congresso. E houve diversos pedidos para contestar os resultados de alguns estados por parte de republicanos trompistas, estes pedidos prosperaram na sessão do Congresso.

Em setores da burguesia imperialista norte-americana há pressão para adotar a 25ª emenda e conter a força, inegável, que seguirá tendo o trumpismo. Em raro comentário político a Associação Nacional das Manufaturas, a patronal fabril yankee, chamou a ação de “bandidos armados” e exigiu em nota a utilização da 25ª emenda.
A crise aberta ontem não se fecha com a ratificação da vitória de Biden. O trumpismo seguirá existindo, os motivos de existência do mesmo, a crise econômica, social e política, também seguirão existindo. E por outro lado, os interesses a favor dos ricaços de Wall Street seguirão sendo o norte de Biden, Harris, tal como é o interesse do Partido Republicano. O caminho para enfrentar a extrema-direita, é o da luta de classes.

Diana Assunção, dirigente do MRT e editora do Esquerda Diário comentou ontem diante da invasão do capitólio lições a tirar, lições que precisam fazer carne seja nos EUA, no Brasil e no resto do mundo. Diana comentou “a invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump é mais uma demonstração de como a extrema direita é uma força social que não pode ser derrotada nas urnas. Mais do que nunca é fundamental organizar a classe trabalhadora e o potente movimento antirracista, que pautou a luta nos EUA em 2020 para derrotar Trump e seus apoiadores reacionários com a força das ruas de maneira independente do imperialista e racista Partido Democrata”.

 
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