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Viernes 27 de Noviembre de 2020
00:45 hs.

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RACISMO
Basta de crianças negras assassinadas pela polícia racista e pelo Estado capitalista!
Diego Nunes

Quanto vale a vida de uma criança negra na favela? Na cabeça do policial racista que atira a queima roupa em uma criança dormindo Mizael seria um “delinquente” em potencial? Não se sabe o que se passa nas cabeças dos assassinos protegidos por esse estado racista. E Ághata, João Pedro, Guilherme? Quantos mais serão assassinados apenas por serem pobres e pretos?

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Mizael foi executado dormindo com um tiro a queima roupa em 1º de julho em Chorozinho no Ceará, a versão dos PMs é que o menino estaria armado e que o sargento Enemias Barros da Silva agiu em legítima defesa. A mãe de Mizael revoltada diz que o filho de 13 anos jamais pegou em uma arma, ela afirma ainda que sabe que corre risco de morte mas que não irá ficar calada: “... Que tipo de homem é esse? É mentira, eles sabem que é não é verdade. Eles irão me matar, mas não vou deixar que sujem a vida de uma criança que morreu inocente, que nunca, nunca, nunca pegou numa arma”. Mizael não tinha antecedentes criminais, não tinha passagem por nenhum centro socioeducativo e vizinhos, amigos, familiares e professores confirmam a versão da mãe de que ele nunca portou arma.

Leidiane Rodrigues, mãe de Mizael afirma ainda que: “Desde que mataram covardemente meu filho, estou doente, nervosa, não como direito. E eu não entendo, por que o doutor Camilo (Santana) não tá vendo isso? Se fossem os filhos dele seria assim? Só porque é filho de um pobre? A delegada diz que eles mataram o Mizael e vem um coronel lá deles e diz que meu filho é criminoso? É Mentira. Vou lutar por justiça até morrer”.

Quantas vezes a polícia entra nas favelas atirando em quem cruza o seu caminho, matando inocentes, e depois alega que houve troca de tiros? As perícias desses assassinatos quase sempre seguem inconclusivas, mesmo com armas de PMs apreendidas os laudos afirmam muitas vezes não ser possível identificar de que arma partiu o desparo, como no caso que ceifou a vida de Ághata Félix de 8 anos em que o PM segue ativo como se nada tivesse ocorrido. Ou como no caso de João Pedro de 14 anos assassinado dentro de casa em uma operação policial que buscava drogas sem encontrar nada. Ou ainda Guilherme de 15 anos executado com tiro na nuca e outro no rosto por um PM fora do horário de serviço trabalhando com segurança privada em busca de suspeitos de furto. Qualquer jovem negro caminhando na rua nesse caso é suspeito, Guilherme foi levado no carro do PM e brutalmente assassinado em São Paulo.

Marcello Pablito Dos Santos, candidato a vereador pela Bancada Revolucionária (MRT) em SP escreveu essa comovente declaração em memória das vítimas do racismo policial:

"Dizem que a infância é a época mais feliz da vida. Sempre é assim? Não. São poucos os que têm uma infância feliz. Esta idealização da infância tem sua origem na literatura tradicional dos privilegiados. Os que gozaram de uma infância com tudo assegurado e sem tristezas, nas famílias hereditariamente ricas e cultas, entre carícias e brincadeiras, podem guardar daqueles tempos uma recordação de uma pradaria cheia de Sol que se abre no começo do caminho da vida. (...) Mas a imensa maioria das pessoas, se derem uma olhada para trás, percebem pelo contrário uma infância sombria, mal alimentada e oprimida. A vida descarrega seus golpes sobre os mais débeis. E quem é mais débil que uma criança?" Minha Vida - Leon Trotski
Nesse dia das crianças, no país onde em vemos crianças de 10 anos estupradas e humilhadas pela extrema direita nacionalmente e vítimas de casos bárbaros de racismo como o do pequeno Miguel, atendemos ao pedido da Mirtes, mãe do Miguel, lembrando ele com uma imagem sorrindo, feliz num dia de passeio com sua mãe, uma das milhões de empregadas domésticas negras em nosso país.

Neste dia das crianças: Justiça para Miguel! Basta de crianças negras mortas pelo descaso capitalista e assassinadas pela polícia! Ágatha, João Pedro, Guilherme, presentes! Não esquecemos!”

Todos esses casos e ainda muitos outros que sequer ficam conhecidos são amparados pelo discurso de políticos como Wilson Witzel, João Dória, Bolsonaro, que apesar de suas diferenças tem em comum incentivar a violência policial contra a população negra, pobre e trabalhadora. Cresceu o número de policiais e militares que disputarão as eleições municipais em 2020 numa clara policialização da política.. Em 2016 eram 118 e esse ano subiu para 388 candidatos que se declaram “membros das forças militares”.
Diante desse contexto a esquerda ao invés de denunciar esse regime do golpe, em que o racismo estatal mata como nunca, levando a frente uma luta pelo fim da polícia, como faz o movimento negro nos EUA, se adapta nessas eleições com candidaturas militares em várias cidades do país. É o caso do PT em diversas cidades fazendo aliança inclusive com PSL ou como no Rio de Janeiro com o Psol saindo com um coronel, ex-comandante geral da PM do RJ, como vice.

É preciso lutar pela auto-organização dos trabalhadores e trabalhadoras, da população negra, juventude, mulheres e lgbt para questionar todo esse regime do golpe institucional, sem nenhuma confiança nas instituições que acobertam essa polícia racista e assassina, braço armado da burguesia golpista, como o judiciário racista.

É fundamental que os trabalhadores auto-organizados batalhem para impor uma política que questione todo o regime por meio de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, porque não basta mudar os jogadores para que esse jogo sujo continue o mesmo, é preciso mudar as regras do jogo, e dentre as tarefas debatidas e votadas nessa Assembleia Constituinte Livre e Soberana seja o fim das operações policiais e da militarização das favelas e bairros populares. Assim como o fim das tropas especiais (BOPE, Tática etc) que são máquinas de matar. O fim dos autos de resistência que são justificativas para seguir exterminando os jovens e crianças negras, filhos da classe trabalhadora nas favelas e periferias. Assim como é fundamental lutar pelo fim dos tribunais militares e que os crimes policiais sejam julgados por júri popular.

É uma utopia reformar a instituição policial; pois ela é base estrutural para manter a propriedade capitalista. É fundamental ter uma perspectiva para lutar para superar o capitalismo e por uma sociedade onde não será necessária a polícia.

 
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