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Domingo 29 de Noviembre de 2020
13:55 hs.

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COVID em Goiás: com 95% de UTIs ocupadas, governo DEM é responsável
Jéssica Antunes
Comitê Esquerda Diário DF/GO
Cris Libertad, professora da rede estadual em Anápolis - GO.

Sem testes para todos e medidas racionais de isolamento dos contaminados, casos aumentam exponencialmente no Goiás, passando a marca dos 100 mil contaminados e chegando a 95% a taxa de ocupação nas UTIs na última sexta-feira. Governador do DEM, Ronaldo Caiado, junto a diversos prefeitos que visam mais o lucro do que a vida, é responsável pela situação.

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Apesar do aparente rompimento com Jair Bolsonaro - Caiado foi apoiador de primeira ordem ao bolsonarismo e seu programa de atraso e espoliação da classe trabalhadora - a política empreendida pelo governo chefiado pelo DEM em Goiás, distribuiu decretos, mas liberou aos prefeitos que trabalham junto aos burgueses de seus municípios as medidas de isolamento da população goiana.

Enquanto se mantém “estável no pico” o nível de contaminados e mortos pelo COVID-19 em algumas das principais capitais e estados brasileiros, Goiás enfrenta um aumento exponencial, tendo apresentado no último final de semana apenas 17 leitos disponíveis. O Estado, epicentro da pandemia no Centro-Oeste, chegou a marca de 109,5 mil confirmados, mais de 154 mil suspeitos, e 2.475 mortes. De acordo com os dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES), a contaminação em agosto aumentou 86% em relação aos primeiros 10 dias de julho.

O caso do município de Anápolis é emblemático, dessas ações em que os interesses dos capitalistas, estão acima da vida dos trabalhadores. Desde a ascensão ao caráter de pandemia do SARS-Cov-2 o município sempre esteve refém das ações da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas de Anápolis), que mantém o cerco ao prefeito - candidato à reeleição - Roberto Naves do PP (Partido Progressistas), que mantém o comércio aberto à revelia dos trabalhadores que vêem os casos de covid-19 aumentando substancialmente na cidade, com dados disponibilizados pela prefeiturademonstrando que o risco de contaminação é alto - e (sic!) considerando o risco de colapso do sistema de saúde, como baixo, quando a realidade demonstrada até mesmo por mídias burguesas é contrária à esses dados.


Prefeito Roberto Naves (PP) de Anápolis, atendendo aos interesses dos capitalistas, enquanto os trabalhadores anapolinos seguem expostos à pandemia e com baixo acesso aos testes.

Para nós do Esquerda Diário GO, não se tratam de apenas números, mas de vidas de trabalhadores e suas famílias que estão sendo rifadas para que uma minoria possa lucrar. É de conhecimento geral que esses números são completamente diminuídos pela ausência de testes massivos e gratuitos, - como exemplo, o município de Anápolis só 900 testes na rede pública, em um município com população de 386. 923 habitantes, segundo dados do IBGE em 2019 - até mesmo para os profissionais da saúde. Por isso, a primeira medida para se ter uma visão real da situação da população goiana é garantir essa mínima medida necessária, a qual Caiado e companhia tem se mostrado incapaz.

Apesar de surfar na onda de oposição à Bolsonaro, são farinha do mesmo saco. Vale lembrar que o governador, avistando uma possível perda de popularidade em sua base eleitoral, sobretudo na classe média do comércio e serviços, em maio decretou a abertura de todo tipo de serviços, desde igrejas à salões de beleza. Os prefeitos, que poderiam vetar a medida, em sua maioria não o fizeram, não oferecendo EPI’s, nem testes, e nem isolamento adequado garantido pelo estado, por exemplo em hotéis ociosos, para a segurança da população.

Ao invés disso, recomenda-se o isolamento social, porém, para a maior parte dos trabalhadores goianos é impossível ficar em casa sem trabalhar, ficando encurralados entre a pandemia e o medo da fome e do desemprego. Cada vez mais se faz necessária a organização em cada local de trabalho e bairro, com a formação de comissões sanitárias que exijam poder de decisão sobre as medidas tomadas em cada local em relação a prevenção da pandemia. Exigindo também dos sindicatos e seus dirigentes, que deveriam nos representar, mas que nessa pandemia são os únicos que podem fazer uma quarentena tranquilo, em conchavo com as patronais.

O Estado do Goiás é o que mais cresce economicamente no país, segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM) Regional publicada dia 11 de agosto pelo IBGE, estando à cabeça dos únicos 3 estados que ficaram no positivo dentre todos os avaliados pelo Instituto. Especialmente no setor agropecuário e na indústria farmacêutica, cresceu 5,4% em Junho, em relação ao ano passado, enquanto a indústria brasileira como um todo teve queda de 9%. Segundo a Secretaria da Indústria e do Comércio, as exportações goianas tiveram alta de 19% em Julho. A questão é que toda essa riqueza produzida na região não vai para melhores condições de vida dos trabalhadores que a produzem e nesse momento para garantir os recursos para prevenção da economia, vai para o bolso de alguns milionários nacionais e internacionais. Todos os recursos imensos de nosso país servem, em especial, para enriquecer banqueiros com bilhões de reais, quando deveriam estar à serviço do combate à pandemia, à fome e à miséria. Para mudar as regras desse jogo é que os trabalhadores goianos precisam se organizar e se unir, para que sejam os capitalistas e não nós a pagar as contas da crise criada por eles, que se aprofunda a cada dia.

Faz-se, por isso, urgente a luta pela defesa de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, organizada e imposta pelos trabalhadores organizados em sua base, para a redação de novas regras, que atenda aos interesses da massa de trabalhadores. Que venha a abolir o pagamento da dívida externa e revogue a PEC (Projeto de Emenda Constitucional) dos gastos, que têm tido um papel fundamental no desmonte de SUS (Sistema Único de Saúde), principal polo de cuidados aos infectados pelo novo coronavírus. Essa é a defesa do MRT (Movimento Revolucionário dos Trabalhadores) como parte da Fração Trotskista Internacional, tendo o Esquerda Diário como instrumento de luta e educação e informação da classe trabalhadora, que necessita urgentemente de uma base revolucionária a fim de transformar a ordem capitalista vigente, que nos deixa em vulnerabilidade e suscetíveis à pandemia. Dessa forma, essas pautas e propostas, são o que nós oferecemos e convidamos, com essa perspectiva, aos trabalhadores goianos ao Fora Bolsonaro e Mourão, sem confiança ao STF e governadores e prefeitos como os senhores Caiado e Naves.

Para entrar em contato com o Comitê Esquerda Diário no Centro-Oeste, escreva para: [email protected]

 
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