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Miércoles 2 de Diciembre de 2020
06:58 hs.

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DEBATE COM A ESQUERDA
Apoio a prefeito bolsonarista de Belford Roxo expõe o oportunismo do PT do Rio de Janeiro
Carolina Cacau
Professora da rede estadual em Nova Iguaçu-RJ e dirigente do Quilombo Vermelho - Luta Negra Anticapitalista e MRT

O PT oficializou o apoio a Waguinho (MDB), que declarou apoio aberto a Bolsonaro. O prefeito de Belford Roxo candidato a reeleição tirou fotos com Flávio, de quem recebeu uma visita no começo do mês.

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Imagem: Reprodução/Facebook

O escandaloso apoio petista se deu justamente na semana que o Brasil marca 100 mil mortes pela Covid-19, com os níveis de desemprego também batendo recorde. Além de bolsonarista, Waguinho também teve seus bens bloqueados pela justiça, segundo o MP-RJ, de R$ 14 milhões por parte do seu grupo.

O apoio do PT a Waguinho se deu por votação favorável no interior da direção nacional do partido. Foram 29 votos a favor 25 contra e 11 abstenções. Na mesma semana, a direção estadual do PT decidia internamente um se policial citado na CPI das milícias poderia concorrer. O PM acusado de ser membro de um grupo miliciano desistiu de se candidatar a vereador pela legenda na capital, segundo afirma o PT.

O bolsonarismo de Waguinho se vê no próprio trato da pandemia, sendo Belfort Roxo, o 10º maior município em numero de casos e 8º no número de mortos. Já para Quaquá, presidente estadual do PT até 2019, “se trata de um aliado tradicional”:

“A política brasileira é absolutamente contraditória. A base da sociedade é pura contradição. Waguinho é um aliado tradicional do PT. Eu não diria que ele é bolsonarista. Ele é prefeito, é malandro. Se o Psol estivesse na presidência ele seria aliado do (Guilherme) Boulos. Essa turma (do PT) que é contra (a aliança) adora teorizar a Baixada tomando chope em Ipanema”, disse Quaquá ao UOL.

O escandaloso apoio do PT a Waguinho se dá no marco dos 100 mil mortos no país, da qual Bolsonaro cumpriu um papel primordial, mas também o governador Wilson Witzel e todos os prefeitos que não garantiram testes massivos nem garantias de tratamento digno são igualmente responsáveis. Neste marco, o apoio escancarou o oportunismo do partido e abriu muitas críticas, enquanto este tenta se consolidar como a candidatura da esquerda carioca com Benedita da Silva. Neste marco, ex presidentes nacionais do PT lançaram uma carta a Gleisi Hoffman pedindo a revisão da decisão de apoiar Waguinho, tirada na executiva nacional do Partido. Leia abaixo:

Companheira Gleisi Hoffmann
Presidenta Nacional do Partido dos Trabalhadores

Na condição de ex-presidentes de nosso partido, preocupados com a grave situação do país, gostaríamos de solicitar ao Diretório Nacional que imediatamente retifique deliberação anterior e desautorize apoio do PT à reeleição do atual prefeito de Belford Roxo (RJ), do MDB, notório por sua cumplicidade com o bolsonarismo. As resoluções de nosso VII Congresso e da direção partidária são inequívocas: nenhuma aliança pode ser estabelecida com o neofascismo, com os partidos e candidatos que o representam em qualquer espaço do território nacional. O PT deve ser exemplo de coerência e firmeza, por todo o país, refutando qualquer concessão na batalha que trava nosso povo contra o autoritarismo." Assinam esta carta Olívio Dutra, José Dirceu de Oliveira e Silva, José Genoíno, Tarso Genro, Ricardo Berzoini e Rui Falcão.

Num partido que se diz oposição a Bolsonaro, só o fato desta discussão existir já beira o absurdo. Mas não tão absurdo se seguirmos a trajetória do PT no Rio de Janeiro, local onde fez de tudo para ser pate da máquina estatal. Os ex presidentes do PT podem até não gostar de Waguinho, mas nada tem a dizer sobre outra "figura de ouro" do PT carioca, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano. Ceciliano não foi nada mais do que o pilar de sustentação do governo Witzel em seu primeiro ano, em uma coalizão que mancha as mãos do PT com sangue de pobre e de negros. O mesmo Ceciliano segue como um dos caciques do partido, tendo votado à favor da privatização da CEDAE, sendo amigo íntimo de Pezão, ex-governador do Rio que figurou no aniversário de Ceciliano como convidado de honra.


Foto: André Ceciliano (PT) comemora aniversário junto com Pezão em fevereiro deste ano

Esse caminho tomado pelo PT no Rio não é um rumo distinto tomado pelo partido nacionalmente. Os governadores do partido aprovaram a reforma da previdência nos estados não combateram a pandemia com um programa dos trabalhadores. Esse apoio da direção nacional referendando o apoio a Waguinho é a demonstração de que não há uma real diferença entre o discurso em tons vermelhos de Lula e a prática política do partido nos estados.

A candidatura de Benedita da Silva quer nos fazer crer que, caso eleita, resolverá todos os problemas da cidade. No entanto, não esquecemos de que em seu ano como governadora do estado, sendo vice do Garotinho, que renunciou para concorrer a eleição em 2002, foi um ano recorde de assassinatos pelo estado, quase o dobro do ano anterior. Ela também compôs o governo Cabral, sendo mais parte do problema do que de qualquer solução.

O que precisamos como alternativa para o Rio é de fortalecer as lutas dos trabalhadores, para impor uma saída independente para a crise sanitária, econômica, política e social. Ao contrário dessa absurda posição do PT-RJ o que os trabalhadores, a juventude, sobretudo negra e pobre, e o povo de todo o estado do Rio de Janeiro precisam nestas eleições são de de alternativas independentes, dos trabalhadores, que sejam capazes de enfrentar Bolsonaro e Mourão, defendendo um programa de fundo para que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Um caminho que passa por impor, com a força da mobilização, uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que enfrente o regime do golpe, mudando as regras do jogo, mais do que apenas os jogadores.

 
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