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Domingo 29 de Noviembre de 2020
13:55 hs.

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RETORNO ÀS AULAS EM SP
Prof Grazi Rodrigues rebate projeto de volta às aulas para o Secretário da Educação de SP
Redação

Em live no dia 15/07, a professora eleita pela base da DRE Jaçanã-Tremembé e também militante do Movimento Nossa Classe Educação (MRT) desmascarou o projeto irrealizável da Secretaria da Educação de São Paulo. O planejamento de retorno às aulas só pode ser realizado por aqueles mais interessados e que vivem realmente o que é a escola. Ou seja, é preciso em cada escola e bairro ter comissões deliberativas formadas pelos trabalhadores da educação, as trabalhadoras terceirizadas, alunos e seus pais, assim como trabalhadores da saúde. Só assim poderemos ter um protocolo de retorno às aulas, quando for realmente o momento seguro, que atenda de fato às necessidades dos filhos da população pobre e dos trabalhadores.

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A prefeitura de São Paulo, lançou no dia 10/07 um projeto chamado Fala Rede, para debater junto aos professores e demais trabalhadores da educação, e comunidade escolar da rede municipal o protocolo de retorno às aulas que estão previstas para o dia 08/09. Bruno Caetano que é o secretário da educação do município de São Paulo, conduz essas reuniões. Nesse último dia 15/07 foi a vez dos representantes da DRE Tremembé/Jaçanã se expressarem.

Veja aqui: Trabalhadores da educação desmascaram Secretário da Educação em live sobre a volta às aulas em meio à pandemia.

Em todos os seguimentos se expressou uma posição contrária ao retorno, com as representantes das educadoras, dos coordenadoras, diretoras e supervisão, além do representante do quadro do apoio, se apoiando em inúmeros elementos, como a desconstrução da própria concepção de educação na infância; os inúmeros episódios durante a pandemia em que os próprios trabalhadores que estão na linha de frente não foram ouvidos e ligando a realidade de que agora com a imposição dos protocolos, novamente não parecem querer ouvir as reivindicações da categoria, a fim de dar condições reais para o retorno às aulas mediante o controle da pandemia. Essa posição da categoria ver se expressando como um fio de continuidade em todas as lives que já foram realizadas com o Secretário, em São Miguel, Capela do Socorro, Brasilândia/Freguesia e Itaquera.

Destacaremos aqui a fala da professora Grazieli Rodrigues, que foi eleita para representar as educadoras e educadores das quase 40 EMEFs, EMEFEMs e da EMEBs da diretoria de Ensino Jaçanã Tremembé. Grazi, que também é militante do Movimento Nossa Classe, do Quilombo Vermelho e do MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores), em sua fala a professora ela começou deixando bem clara a posição dos trabalhadores dos trabalhadores de sua DRE, mas que até então tem sido a tônica por parte dos educadores em todas as lives, de que “nós não vemos condições reais de implementar o protocolo estabelecido, por isso nos posicionamos contrários ao retorno proposto pela Secretaria”.

Essa posição, contrária a reabertura das escolas não se baseia apenas no receio dos educadores de colocarem suas vidas em risco em um ambiente que, como todos aqueles que estão no chão da escola sabem, antes da pandemia, já não possuía infraestrutura, equipamentos e recursos necessários para garantir seu bom funcionamento, o que dizer agora? Como a professora falou claramente se vê que os protocolos apresentados pela secretaria municipal de educação foram elaborados por quem vive dentro de gabinetes administrativos e não por aqueles que estão com seus pés dentro da escola todos os dias.

Evidentemente o retorno prematuro às aulas que querem impor o governador Doria e o prefeito Bruno Covas em São Paulo servirá para atender uma demanda de mercado e dos patrões para garantir a reabertura das atividades comerciais mesmo quando ainda batemos recordes atrás de recordes de contaminação e número de mortos, isso sem contar as subnotificações. O retorno às atividades comerciais coloca mães e pais frente ao dilema de ter que garantir seu sustento e não ter com quem deixar seus filhos. Como disse a professora Grazieli: “Sabe quando você passa de carro e vê a fila imensa na calçada da Caixa Econômica? Esses são os pais dos nossos alunos”. Parte daqueles 1,2 milhões de trabalhadores que perderam sua renda na pandemia, que não tiveram direito a quarentena remunerada, dificuldade de acessar o auxílio emergencial e quase nenhuma condição real de permanecer em isolamento. É para os filhos dessas famílias que Covas e Doria querem reabrir as escolas e expô-los junto com seus pais ao risco de morte pela COVID – quando em nenhum momento garantiram condições a essas famílias, para que hoje a pandemia não estivesse na proporção em que está, quando prevalece a lógica do lucro ante às vidas.

Em sua fala a professora Grazieli, representando milhares de professores da região norte da cidade de São Paulo, fez questão de falar sobre o exército de trabalhadoras sobre as quais cairia todo o peso de manter os ambientes das escolas em condições sanitárias adequadas e garantir a alimentação para nossos alunos no retorno às aulas. “Quem vocês acham que são as trabalhadoras terceirizadas da limpeza e da cozinha das nossas escolas”? São mulheres negras, mães da periferia, primeiras a serem demitidas ou serem jogadas na incerteza dos contratos suspensos por Doria e Covas. Aquelas que tem maior risco de morte, já que segundo pesquisas o risco de morte pela COVID é 62% maior entre os negros, em comparação aos brancos. Com o retorno às aulas essas trabalhadoras seriam aquelas que estariam mais expostas ainda, trabalhando mais do que nunca para receber o mesmo salário de fome.

Os professores, que diferente de Bolsonaro ou Mourão que menosprezam as vidas das pessoas, não aceitarão nada disso. E não aceitarão a reabertura das escolas com os protocolos anunciados que todos que verdadeiramente conhecem a realidade das escolas sabem que são irrealizáveis. “Não aceitaremos calados que essa parcela da população que são nossos alunos, que já sofrem todos os dias pela fome, pela violência e genocídio policial e pela violência doméstica, sejam sacrificados”.

Grazieli, fez questão de marcar que a categoria professores, que são em sua imensa maioria mulheres, mães com duplas ou triplas jornadas de trabalho, não é preguiçosa, como o governador João Dória afirmou no início do ano. Todas as professoras têm trabalhado em luto todos os dias, pelas mortes dos pares, dos seus familiares e dos alunos e pelos colegas gestores e ATEs que seguem trabalhando nas escolas sem contar com EPIs ou testes. As professoras se desdobraram e viram sua carga de trabalho se intensificar para implementar o excludente e privatista EAD imposto pela prefeitura e estado que nas periferias sabemos que o acesso chega a ser de menos de 20%. Mas não apenas, foram as professoras e professores que também dispuseram, colocando seus corpos em risco, para fazer aquilo que deveria ser papel do estado de levar assistência, doações e cestas básicas para as famílias desamparadas pelo poder público que sequer ofereceu a todas o insuficiente auxílio merenda. Como disse “Nas escolas temos uma máxima de que ninguém aprende com fome, e o fato é que com o Trilhas de Aprendizagem na mão e com a barriga roncando, Secretário, não dá para aprender”.

Os professores não são como Bruno Caetano, que falaciosamente se dizia o tempo todo um “servidor público”, mas só conhece as escolas em momentos festivos para “engordar” comendo bolo e pão de queijo. “Temos um compromisso com a população, quem servimos, que nós não vamos aceitar isso que transformem as escolas num depósito de crianças, rasgando nossos princípios pedagógicos, para viabilizar que seus pais sejam explorados e expostos à morte da pandemia”. Como a professora Grazieli fez questão de remarcar os professores não devem se colocar apenas contrários à reabertura das escolas sob essas condições, mas que nosso direito de permanecer em isolamento deveria ser garantido às famílias e a todos os trabalhadores não-essenciais, com garantia de alimentação e renda, um auxílio que realmente desse conta das necessidades.

Para encerrar sua fala Grazieli deixou bem evidente que o retorno às escolas só poderá ser dado com um debate sobre os critérios para criar condições de retorno para as escolas reais. E não para aquelas escolas que só existem nas campanhas eleitorais dos políticos que são as escolas do protocolo apresentado pelo governo. Esse debate e elaboração de critérios só pode ser realizado por aqueles mais interessados e que vivem realmente o que é a escola. Ou seja, é preciso em cada escola e bairro ter comissões deliberativas formadas pelos trabalhadores da educação, as trabalhadoras terceirizadas, alunos e seus pais, assim como trabalhadores da saúde. Só assim poderemos ter um protocolo de retorno às aulas, quando for realmente o momento seguro, que atenda de fato às necessidades dos filhos da população pobre e dos trabalhadores.

 
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