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Miércoles 2 de Diciembre de 2020
04:17 hs.

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CORONAVÍRUS
Sem acesso a saúde, Bolsonaro e governadores condenam pessoas a morrerem em casa
Redação

Durante a pandemia o número de mortes por causa natural em domicílio ou em vias públicas saltaram de 6.378 no ano passado para 9.773 neste ano em quatro capitais, representando um aumento de 53%.

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Em pesquisa realizada pelo epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz, a pedido do jornal Folha de São Paulo, é verificado que o número de mortes por causa natural em domicílio ou em vias públicas no período entre 15 de março e 13 de junho saltaram de 6.378 no ano passado para 9.773 neste ano em quatro capitais, representando um aumento de 53%, um crescimento que é maior do que o número de mortes por causa naturais, que é de 44%. Dados coletados da Central de Informações do Registro Civil (CRC Nacional), coletada por cartórios.

Estes números correspondem apenas a quatro cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Fortaleza, que representam cerca de um terço do número de casos notificados de Covid-19 no país. Só foi possível detectar os dados desse quatro cidades pois eram os que continham os dados confiáveis e verificáveis nessa base dados utilizado. Estes dados são compatíveis com os dados de mortalidade do ministério da saúde, que contêm informações confiáveis apenas até abril.

Entre estes estados o que contém números mais assustadores é Manaus que apresenta um aumento de 120%, 1290 mortes nessas condições. Após Manaus, Fortaleza apresenta um aumento de 74% (1817 mortes), Rio, com 48% (3029) e São Paulo, com 34% (3.640).

“Mortes em casa ou em via pública por causas naturais, por princípio, são quase sempre evitáveis. São um indicador clássico de déficit ou precariedade da atenção à saúde. Em tempos de pandemia, mortes dessa natureza atestam falhas graves no planejamento e implementação de ações”, fala Orellana.

Estes números correspondem ao início da pandemia e com o aumento exponencial de mortes datadas a partir do começo de abril e que levaram os sistemas de saúde de Manaus, Ceará e Rio de Janeiro ao colapso. Com leitos de UTI lotados, com enormes filas para transferências, e com pacientes sofrendo com a falta de infraestrutura e falta de profissionais adequados nas suas respectivas unidades de saúde básicas onde são majoritariamente acessados pela classe trabalhadora, sem acesso a hospitais com maior infraestrutura este deixados para a classe mais abastada.

“Os números mostram a dificuldade do acesso ao atendimento tanto para quem tem Covid quanto para outros pacientes. Os infartos acidentes vasculares etc. continuaram acontecendo. Também indicam que muita gente ficou com medo de buscar os serviços de saúde” relata o epidemiologista Diego Ricardo Xavier, da Fiocruz Rio de Janeiro.

Esse número não informa o motivo por essas mortes, mesmo que notificadas como por causas naturais, as subnotificações dos casos de Covid preocupam e podem ser determinantes para esse aumento. A falta de testes impossibilitados, irresponsavelmente, pelo governo negacionista de Bolsonaro, permite que esses dados continuem crescendo. A não existência desses dados importantes para a saúde pública nos demais estados demonstra a ineficácia desse governo, que não consegue de nenhuma forma apresentar alguma resposta em meio essa crise.

Neste momento a pandemia apenas se expande. Bolsonaro, que até o então chamava o vírus de “gripezinha” e que com seu histórico de atleta estaria seguro, agora apresenta sintomas de Covid-19 mostrando que para enfrentar a pandemia apenas uma política de independência de classe pode se mostrar como efetiva. Testes massivos para sabermos por onde o vírus se espalha, multiplicação dos leitos de UTI, estatizando os leitos de hospitais privados, contratando um maior número de trabalhadores da saúde para que atendam as demandas de atenção à saúde, girar a produção para a fabricação de EPIs para a proteção destes trabalhadores e criar formas de possibilitar o isolamento social, garantindo a permanência dos empregos, impossibilitando demissões e aumento o auxílio emergencial. Isso só é possível com a unidade da classe trabalhadora colocando em luta política a necessidade de uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana para que escolha seus próprios destinos.

 
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