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Sábado 23 de Enero de 2021
02:29 hs.

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ABSURDO
ABSURDO: Bolsonarista cotado para Ministério da Saúde diz que pedagogos são todos burros
Clara Pereira
Diretora do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire

Ítalo Marsili, afirmou em uma live recente que os profissionais da educação são burros, que não trabalham e que os “piores” alunos da escola optam pelo curso de pedagogia. O olavista, em outra declaração relacionou as crises políticas e econômicas ao voto feminino. No dia nacional do pedagogo, reafirmamos nosso apoio às e aos profissionais da educação e nosso total repúdio ao bolsonarismo!

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No vídeo que circula nas redes sociais, o bolsonarista cotado para substituir Nelson Teich, compara os profissionais da área da contabilidade com os da medicina, buscando a todo momento pontuar como os primeiros não trabalham, que somente “enrolam” no horário de trabalho. Em seguida, insatisfeito com o nível com irracionalidade expressado inicialmente, o olavista busca aprofundá-lo, dirigindo esdrúxulas críticas aos professores e, mais especificamente aos pedagogos.

“"Professor também não trabalha, não. Professor não trabalha nada, porque professor não sabe o que tá fazendo. Quando entra em sala de aula, fica mais perdido que crente em fila de comunhão. Então professor é outra raça que ele se cansa, mas não trabalha, porque não sabe o que faz [...] Obviamente o professor no Brasil não sabe ensinar, porque ele é burro. Você tá entendendo? é burro!"”

““O sujeito que menos estudou na vida, sabe o que escolhe fazer na vida no terceiro ano? pedagogia! Quem são os alunos do ensino médio que querem fazer pedagogia? São os mais burros! É os alunos mais burros, que não passam em nada ””

Em meio à pandemia, diversos profissionais estão trabalhando por home office em suas casas. No caso dos professores, a situação é a mesma. A crise do covid-19 abriu caminho para o aprofundamento do projeto de precarização da educação, por meio do qual se reduz custos, ao mesmo tempo em que se intensifica a exploração docente e se reforça desigualdade no que concerne ao acesso dos conteúdos entre os educandos.

Não é difícil encontrarmos nas redes sociais depoimentos de professores, principalmente dos que atuam nas escolas particulares, apresentando uma realidade diferente daquela que Ítalo, o olavista, buscou exibir em seu vídeo. Muitos estão sofrendo com a redução brutal dos salários, enquanto estão trabalhando ainda mais horas que antes, uma vez que precisam planejar e produzir materiais a serem disponibilizados online.

No que tange aos professores da rede pública, esses estão enfrentando uma série de obstáculos com o projeto que João Doria tenta implementar. Tais dificuldades escancaram o nível de precarização da educação no país, ao passo que exibem a desigualdade social extrema, já que os estudantes mais pobres são relegados à educação precária, ou sequer possuem condições materiais para acessar os conteúdos ministrados online.

Além disso, Ítalo Marsili, que se reivindica psiquiatra, sem ter registro na Associação Brasileira de Psiquiatria e sem ter essa especialidade registrada em sua ficha de inscrição no Conselho Regional de Medicina, parece desconhecer a realidade dos cursos de licenciatura e pedagogia. Profissionais em constante formação, educadores precisam dedicar muito tempo de sua vida com formação inicial e continuada, tendo que estudar diversas áreas do conhecimento, como didática, economia, política, filosofia, psicologia, sociologia, história e diferentes metodologias.

Como pontuado, essa formação é feita durante toda a vida dos profissionais da educação, exigindo deles muita leitura e cursos. Tudo isso, para articular teoria e prática em classe, reconhecendo as diferentes realidades dos estudantes e com a constante preocupação de se acessibilizar os conteúdos. Contudo, ao dirigir suas incabíveis críticas aos docentes, Ítalo não menciona as precárias condições trabalho que os governo federal, estadual e municipal impõem que, consequentemente, afetam o trabalho docente.

O Olavista, não remonta qualquer relação com a ascensão dos grandes grupos empresariais com a precarização da educação. Ele prefere fazer afirmações sem fundamento, como quando disse quando disse que o voto feminino estaria relacionado com as crises políticas atuais.

Outra afirmação sem fundamento foi dizer que os “piores” alunos escolhem fazer pedagogia. Em primeiro lugar, é preciso pontuar que Marsili desconhece as discussões promovidas na área da educação, uma vez que não se trabalha com o conceito de “pior” aluno, posto que reforça estigmas sobre estudantes que não se adequam a problemática lógica escolar, imposta pelo capitalismo. Outro aspecto, é que muitos dos estudantes que escolhem a área da educação, fazem isso por decisão política, por reconhecerem o papel desempenhado pelos professores na realidade.

São absurdas as ofensas que Ítalo dirige aos pedagogos. Elas exibem novamente o perfil machista do núcleo duro bolsonarista e o medo que eles têm dos docentes, uma vez que a pedagogia é uma área majoritariamente feminina e que essa categoria tem sido linha de frente nas mobilizações contra os ataques feitos à classe trabalhadora. É ainda mais absurdo que, em meio a uma enorme pandemia, ao invés de se reconhecer o papel que a escola poderia desempenhar nessa crise, na conversão dos educadores em educadores sociais, o homem cotado para ser ministro faça essas declarações e reforce a todo momento seu apoio ao presidente.

Jair Bolsonaro, presidente do país, tem apostado em uma política negacionista que está matando os trabalhadores brasileiros. Sem oferecer testes massivos e EPIs aos profissionais da saúde, sinaliza-se uma hecatombe. Diante disso, apontamos que as escolas devem cumprir seu verdadeiro papel em meio à pandemia, ao mesmo tempo que exigimos testes, EPIs e a estatização de todos os leitos, estando estes sob o controle dos trabalhadores da saúde.

 
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