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Domingo 13 de Octubre de 2019
23:41 hs.

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ARGENTINA
Desvalorização e saque na Argentina: alguns deixam passar, outros saem às ruas
Redação

Frente a desvalorização que destrói os salários de milhares, organizações sociais, referências do sindicalismo combativo e a esquerda se mobilizaram na Argentina. Enquanto isso, a CGT, principal central sindical do país, assiste pela TV e afirma que uma greve geral “seria totalmente irresponsável”. Qual é o caminho para enfrentar os ataques?

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A ira dos “mercados” com o resultado eleitoral desencadeou um novo momento na crise econômica, política e social na Argentina. O rechaço contundente ao governo de Macri nas urnas fez alguns especuladores comecarem uma corrida cambiária brutal, com momentos onde o dólar chegou a superar os $60. Um roubo violento ao salário, que perdeu 25% do seu poder de compra e que seguirá perdendo para a inflação e remarcação dos preços.

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A derrota, praticamente irreversível, abriu uma larga transição desde dezembro, onde o que prima é o descontrole e a incerteza econômica. Porém, frente a essa situação, milhões de pessoas vêem como seu futuro está sendo hipotecado dia após dia, enquanto as medidas anunciadas pelo governo apenas devolvem migalhas do que é roubado.

Frente a esta situação, inevitavelmente surge uma pergunta: o que fazer para frear o saque dos “mercados” que o governo deixa acontecer?

Nesta quarta-feira (15/8), organizações sociais e políticas convocaram uma jornada nacional de luta pelo salário em todo o país, que aconteceu em várias provincias como Córdoba, Mendoza, Santa Fe, Jujuy e Neuquén. Na Cidade de Buenos Aires, a jornada começou com panelões populares no Obelisco e terminou com uma importante mobilização na Plaza de Mayo. Também participaram desta referenciais do sindicalismo combativo e da esquerda.

Ali, disseram bem claramente: “Macri, o povo diz basta! A dívida é com o povo, não com o FMI!”. A reivindicação incluiu um aumento salarial de emergência, novos empregos, sanção da emergência alimentar e a ocupação de qualquer fábrica que fecha para defender os empregos. Junto a outras medidas, a exigência a CGT, principal central sindical do país, de uma greve geral teve um lugar destacado como uma ferramenta necessária para combater nas ruas, com a mais ampla unidade de todos os setores, trabalhadores empregados e desempregados.

A fome e a miséria causadas pelo saque não podem esperar. No entanto, os tempos dos prósperos dirigentes da central sindical são outros, e sua atitude não poderia estar mais longe disso. Héctor Daer, um dos secretários gerais, descartou medidas de força para as próximas semanas, assegurou que seria algo “totalmente irresponsável” e pediu para “serem prudentes nesta situação crítica”. Ele havia adiantado a mesma postura desde terça-feira, ao sair da reunião do conselho diretivo da CGT: “Não falemos de greve, não comecemos a colocar em risco as instituições, a governabilidade”.

Já Hugo Moyano, outro secretário geral da CGT, criticou a atitude da central no passado e afirmou que “se houvesse uma forte oposição não se teria chêgo a esta situação”. No entanto, evitou tocar no assunto da possibilidade de tomar medidas nos próximos dias. Por fora da central, o ex-líder de caminhoneiros chegou a considerar, em novembro do ano passado, que a CGT era "cúmplice no governo", mas esses eram outros tempos.

Enquanto isso, o kirchnerismo faz o impossível para conter qualquer expressão de raiva do povo. Nas redes sociais, representantes da Frente de Todos, coligação de Cristina Kirchner, estavam muito mais preocupados em desestimular possíveis protestos e panelaços espontâneos, que pelas graves consequências que a desvalorização está trazendo. A vontade militante foi tão grande que na terça-feira eles transformaram a hashtag #NoALosCacerolazos em uma tendência, enquanto pediam “calma e empatia” nesses “dias difíceis e angustiantes”.

Enquanto o governo deixa acontecer o golpe do mercado, o peronismo se alinha atrás da mensagem de Alberto Fernández, que valida a desvalorização, assegurando que o dólar de US$60 parece razoável e garantir que "todos os argentinos devam fazer o esforço".

Quando há milhões de pessoas que vêem como sua vida está sendo degradada enquanto pagam a festinha de uma minoria, o peronismo e o kirchnerismo especulan em um fino equilíbrio entre a demagogia de campanha e os sinais para levar tranquilidade aos “mercados”, prometer que a dívida será paga a todo custo e, assim, deixar as mãos livres ao macrismo e aos grandes empresários que nos últimos meses de governo terminem o “trabalho sujo”. Nesta lógica perversa, os que rompem fileiras são funcionais aos interesses do governo.

Como deixou claro na jornada de lutas desta quarta-feira, quem está condenado à fome e à miséria não pode dar-se o luxo de esperar com os braços cruzados.

Ao contrário do que agitam os participantes da Frente de Todos, a única língua que entendem os grandes capitalistas e seus governos é a da luta de classes, quando o povo trabalhador mostra sua força nas ruas. No final do “reformismo permanente” que o Cambiemos, coligação de Macri, anunciou em 2017 que não pôde avançar nas massivas mobilizações que enfrentaram o roubo aos aposentados, é apenas uma amostra mais recente deste. Naquele, muitos dos que hoje clamam pela calma, colaboravam com o macrismo para a aprovação desta votação vergonhosa.

O candidato presidencial da Frente de Esquerda - Unidade, Nicolás del Caño, criticou as suas declarações, denunciando que a desvalorização beneficia as grandes patronais e destrói os setores populares.

O PTS, partido irmão do MRT na Argentina, e a Frente de Esquerda - Unidade, se mobilizaram em todo o país, como parte dos protestos convocados contra o roubo que banqueiros e grandes capitalistas fazem contra o povo trabalhador.

Nathalia González Seligra, Alejandrina Barry, Alejandro Vilca, Lautaro Jiménez, Noelia Barbeito, Raúl Godoy, Alejandra Arreguez são alguns dos referenciais do PTS que saíram às ruas nesta quarta-feira para rechaçar o tremendo ataque contra o salário dos trabalhadores, cujo macrismo quer afundar cada vez mais e o kirchnerismo apoia abertamente.

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