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Lunes 23 de Septiembre de 2019
11:26 hs.

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CONTAGEM REGRESSIVA 8 DE MARÇO
Mulheres, negras e lutadoras: Luana Barbosa, 34, morta pelo racismo e lesbofobia da PM de São Paulo
Leticia Parks
Brasília - DF

Quem foi Luana Barbosa? É preciso conhecer mais sobre essa mulher símbolo de luta das negras e lésbicas, morta por um policial inocentado pela justiça.

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Quem foi Luana Barbosa?

Luana era moradora da cidade de Ribeirão Preto. Uma dessas mulheres negras que trabalham e criam o filho solteiras. Era também uma dessas mulheres que não usam roupas femininas, cabelos femininos, que compram roupas na seção masculina da Marisa e da Renner.

Era lésbica, como muitas mulheres são, mas tinha a força e coragem de assumir isso publicamente, como muitas de nós não temos pela dura opressão que sofremos: o estupro corretivo, as ofensas nas ruas, enfim... a negação do nosso direito de nos expressar livremente.

Luana se expressava, independente de quão duro isso pudesse ser.

No dia 13 de abril de 2016, Luana conheceu mais uma face da lesbofobia. Ela saiu de moto para levar o filho na escola quando foi abordada por policiais que, antes de qualquer chance para o respeito às leis que deveriam seguir, a agrediram até a morte. Com sinais de isquemia cerebral (vômitos, diarréia, espasmos), Luana não foi levada por esses policiais ao hospital, mas à delegacia.

Lá, como acontece com muitos que já passaram pela mão da polícia, foi obrigada a assinar um termo circunstanciado após mais espancamentos, assumindo a culpa por agredir um policial. Sem direito a clamar sua legitima defesa após a série de agressões, Luana foi liberada com um processo criminal aberto contra ela, e de lá foi levada diretamente ao hospital pela irmã. Em reportagem ao G1, a irmã Roseli afirma que “Ela apanhou muito, estava brutalizada. Ela não conseguia abrir os olhos, toda machucada, com vermelhidão no corpo inteiro, ela não conseguia andar”, afirma Roseli.

Após poucas horas no hospital, Luana teve o óbito decretado por acidente vascular cerebral causado pelas agressões que sofreu.

Quem é culpado pela morte de Luana?

Logo após a denúncia de agressão e assassinato feita pela família de Luana, a justiça de São Paulo negou a prisão preventiva dos três Pms envolvidos na abordagem ilícita e lesbofófica que levou à morte dela. Até então, a única punição aos políciais era serem direcionados a trabalhos administrativos dentro da polícia.
Um mês após a morte de Luana o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe) afirmou que houve abuso da polícia na morte de Luana. O presidente do conselho, Rildo Marques de Oliveira, afirmou: “Os agentes da polícia estão extrapolando seu papel, seu poder de polícia, desrespeitando e violando os direitos individuais e coletivos. Nós achamos que, de fato, está havendo excesso e abuso de poder por parte da Polícia Militar, descumprindo não só a regra constitucional, mas os próprios protocolos e regimentos internos da corporação”, afirmou.

Contra a acusação da família, as declarações das testemunhas, o laudo médico e o posicionamento surpreendentemente lúcido do Condepe, no dia 9 de fevereiro deste ano a Justiça Militar do Estado de São Paulo arquivou a investigação contra os três policiais e afirmou que não há indícios de crime militar. Robinete Le Fosse, a promotora que pediu arquivamento caso, o fez “pela total ausência de materialidade delitiva”.

Essa mesma promotora, como exibe seu Facebook, gosta de compartilhar imagens de ódio aos lutadores LGBTs, mulheres e negros, como a copiada abaixo:

Escrevemos esse texto para que não esqueçamos Luana. Luana é símbolo da podridão desse sistema, onde mulheres, negros e LGBTs são tratados pela polícia como gado de corte, e onde aqueles que cometem crimes a favor do racismo, do machismo e da lesbofobia, servindo aos interesses do sistema, são absolvidos e premiados.

Lutamos para que nenhuma outra mulher sofra por lesbofobia, por racismo ou por machismo. Que o fim da humilhação, das agressões e dos estupros seja a partir da conquista de direitos, de igualdade e do fim desse sistema de miséria. Para Luana, esse fim veio com sua morte. Será a última.

 
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