Sociedade

ONDA ROXA

“Zema decreta lockdown sem haver testes, vacinas, leitos e respiradores”, diz Flavia Valle

Reproduzimos a declaração de Flavia Valle, professora da rede estadual de MG e militante do MRT, sobre a imposição da onda roxa no estado por Romeu Zema.

terça-feira 16 de março| Edição do dia

"Romeu Zema em entrevista coletiva hoje (16/03) disse que o sistema de saúde de Minas Gerais está colapsando. Enquanto o SUS é alvo de privatizações, uma maternidade é destruída por Kalil, as trabalhadoras da saúde tem descontos na folha em plena pandemia. Temos que ter nítido que esse colapso não é uma fatalidade, é uma construção capitalista e de seus gestores.

Não esquecemos que Romeu Zema já falou q o vírus tinha que viajar e hoje decreta lockdown sem haver testes, vacinas, leitos e respiradores. Mas em Belo Horizonte e em toda nossa região metropolitana há muitas empresas podem ser reconvertidas pra produção de insumos e respiradores. Para esses governos os lucros nunca podem ser atingidos, nem pra salvar vidas! Entramos em um lockdown como usando uma vela em meio à tempestade.

O governador também disse que faltam trabalhadores pra ampliar os leitos de UTI. Mas o que ele não diz é como seu governo nunca valorizou os profissionais de saúde, como é um ferrenho defensor das privatizações e que a PEC Emergencial de Bolsonaro, que foi aprovada com votos do seu partido (Novo), proíbe que em MG possam haver mais contratações, além de poder congelar os salários de trabalhadores da saúde e da educação até 2036.

Sequer houve menção licenças remuneradas e proibição das demissões, pelo contrário, existe a promessa de prisão para quem sair de casa com sintomas de gripe, mesmo que essa pessoa esteja sendo obrigada a ir trabalhar, sob risco de demissão. A gente sabe que a polícia racista que entra dando enquadro e tiro pra cima no Marimbondo em Contagem ou no Aglomerado da Serra em BH, mesmo quando as pessoas ficam em casa. Enquanto isso esconde arma no Belvedere.

A verdade é que a onda roxa em MG é seletiva: trabalhadores da educação dos serviços gerais e administrativos obrigados a trabalhar, sem ser serviço essencial. Será que para o governo Zema - especializado em subnotificação, como denunciado recentemente a mistura e leitos comuns e de Covid, maquiando dados - esses trabalhadores não ficam doentes? As vidas de nossos colegas não valem nada para o governo.

Contra o colapso hospitalar defendo 5 medidas emergenciais: vacina para todos já, testagem massiva, comissões de Higiene e Segurança nos locais de trabalho, fila única do SUS e contratação imediata de trabalhadores da saúde e reconversão da indústria. São medidas urgentes que podem ser impostas por mobilizações, como parte de uma batalha por uma nova Assembleia Constituinte imposta pela nossa luta, que comece por anular todas as reformas que intensificaram o caminho da situação trágica que vivemos hoje.

Por isso é urgente que as centrais sindicais saiam de sua trégua com o governo, os governadores e os golpistas para organizar um plano de luta que levante as demandas sociais, sanitárias e econômicas mais sentidas pela maioria da população. A esquerda deveria colocar suas forças a serviço disso, e nunca aplaudir medidas repressivas de nenhum governo. Para enfrentar o governo Bolsonaro e Mourão, os governadores e esse regime fruto do golpe só podemos confiar em nossas próprias forças."

Recomendado: Fora Bolsonaro, Mourão e os golpistas! Por um plano de luta contra a crise sanitária e econômica




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