RACISMO

Xuxa está com a justiça burguesa racista ​que mantém 34% dos presos sem julgamento

Xuxa Meneghel sugeriu em live na última sexta (26) que os presidiários fossem usados como cobaias para testes de remédios em uma demonstração aberta de racismo, vistoque no Brasil a maioria dos encarcerados são negros presos de forma arbitrária e sem julgamento.

segunda-feira 29 de março| Edição do dia

Na declaração, Xuxa argumenta que para "fazer valer" a vida dos presidiários, já que "passariam a vida inteira presos". Em seguida, a socialaite pediu desculpas pela afirmação, como se fosse uma declaração da qual simplesmente se pede desculpas. A afirmação é mais do que um erro: é racista, diabólica, e não é uma exceção, representa o pensamento de uma justiça burguesa que mantém massas do povo negro encarceradas inclusive sem julgamento.

Com mais de 800 mil nas prisões brasileiras, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), pelo menos 34% são mantidos sem julgamento. O Brasil é o terceiro país com maior número de pessoas presas, atrás dos Estados Unidos e da China. Os dados oficiais não consideram as crianças e adolescentes com privação de liberdade. Esse é o número que Bolsonaro quer aumentar com seu discurso de criminalização da pobreza e com a perseguição aos seus opositores se utilizando da Lei de Segurança Nacional, uma criminalização em torno da qual se unificam todos os atores do regime político do golpe institucional, como os governadores que em cada estado comandam polícias assassinas e racistas. Também é preciso dizer que esse número alarmante de 800 mil presos foi produzido também pelas mãos dos governos do PT, anos durante os quais a população carcerária triplicou de tamanho.

Foram muitos os escândalos humanitários envolvendo as prisões brasileiras, com destaque os casos de motins no Maranhão, que não se explicam por análises psicológicas dos detentos mas sim pela situação de crimes de lesa humanidade que são cometidos pelo Estado brasileiro, que mantém a população carcerária em condições de superlotação, falta de banheiros e de comida. Em meio a pandemia inclusive se iniciou a apuração de casos de tortura contra presos nos mesmos presídios onde ocorreram os motins sanguinários de 2019.

Essa é a politica sistemática para o encarceramento da população pobre, em especial os negros, que têm seu perfil traçado pelo Estado como alvo de caça nos treinamentos da polícia, e que Xuxa quer utilizar como cobaia para vacina. É uma herança que a burguesia trouxe para afogar a fúria negra das revoltas contra o trabalho escravo, e que hoje servem como constante ameaça aos que se recusam a viver a precarização do trabalho e da vida.

No início da pandemia, quando Moro ainda era ministro de Bolsonaro, o governo e o ministério estavam alinhados de manter o encarceramento em massa, relegando a massa carcerária às mortes por covid-19, que se mantém até hoje, no pior estágio da pandemia, com recordes diários de milhares de vidas perdidas, de responsabilidade de Bolsonaro, Mourão, militares, governadores e todos os golpistas.

Já são incontáveis as doenças a que os presos são submetidos, além das condições precárias que vivem nas prisões. Em Mongaguá, litoral de SP, os presos denunciaram esgoto à céu aberto, falta de água e pouca comida. É um enorme contingente de jovens negros vivendo à própria sorte, e com a pandemia, tem menos ainda acesso aos testes que já são negados massivamente à população.

Para impedir maiores catástrofes, é preciso que todos os que não foram julgados sejam soltos imediatamente. Além disso, é preciso que casas abrigo sejam criadas em apoio a todas as prisões onde há superlotação, para que condições humanas dignas de moradia e sanitárias sejam garantidas a todos os detentos. Devido a já extensa realidade de contaminação por outras doenças, como tuberculose e desnutrição, todos os presos devem ser considerados populações de risco em relação ao contágio de COVID-19, e por isso tendas de testes deveriam ser instaladas em cada presídio, garantindo milhares de testes todos os dias.

Veja mais: Sistema prisional, racismo e Covid-19: governos preparam contaminação em massa dos negros nos presídios

Quanto à justiça brasileira, em tempos em que vivemos sob um regime político herdeiro do golpe institucional, que teve o STF como seu principal agente, o mesmo que prendeu o DJ Rennan da Penha há 2 anos, inclusive, não é nela que podemos confiar. Por verdadeira justiça pelo povo negro, pelas massas pobres, pelos trabalhadores, não podemos aceitar esse poder que nem eleito é, recebem altos salários e privilégios. Enquanto negros e negras morrem por COVID nas prisões. Nada seria mais justo que, além de ganhar como uma professora, os juízes também fossem eleitos e revogáveis a qualquer instante pelo povo.




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