DITADURA MILITAR

Volkswagen irá pagar R$ 36 mi por ter entregado trabalhadores para a ditadura militar

A empresa anunciou que fechou um acordo com o MPF, o Ministério Publico de São Paulo e o Ministério do Trabalho, para indenizar as famílias de trabalhadores denunciados para a ditadura pela empresa.

quarta-feira 4 de novembro| Edição do dia

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A Volkswagen anunciou que ira pagar R$ 36 milhões por ter entregado funcionários para a ditadura militar no Brasil. A empresa é conhecida por seu passado atrelado aos militares durante a ditadura, e por diversos crimes e perseguições contra os trabalhadores que lutaram contra o Regime Militar. Muitos dos funcionários denunciados pela Volks durante a ditadura, foram perseguidos, presos, torturados e mortos pelos militares.

As investigações iniciadas em 2015 concluíram que a Volkswagen contribuiu para a instalação do aparato repressivo da ditadura militar.

O valor de R$ 36 milhões será dividido entre alguns pagamentos diferentes. Cerca de R$ 16,8 irá para a Associação Henrich Plagge, que congrega os funcionários da empresa. Esse dinheiro será repartido entre os ex-funcionários que foram vítimas do aparato repressivo da ditadura, e entre os sucessores de ex-funcionários já falecidos.

Cerca de R$ 10,5 mi serão destinados para projetos de resgate à memória quanto à violações dos direitos humanos, como o Memorial da Luta por Justiça, financiado pela OAB.

outros R$ 4,5 milhões serão destinados para a Unifesp, diretamente para as pesquisas sobre o envolvimento de empresas na ditadura, nas colaborações com o aparato repressivo, entrega e perseguição de trabalhadores que se enfrentaram com o regime militar.

Mesmo com o discurso de “colaboração” que a Volkswagen assume em suas notas, dizendo que querem contribuir com transparência para virar a página desse sombrio capítulo da história brasileira, é preciso não se iludir. A empresa é uma das mais reacionárias do mundo, e sua ligação com a ditadura era estreita.

A decisão que obriga a Volks a pagar estes valores é muito importante para o seguimento das pesquisas, e para as vítimas de perseguição e tortura e suas famílias. Mas a luta por justiça por todos os mortos e torturados na ditadura para por acabar com qualquer traço do regime militar preservado nos dias de hoje, como é a polícia militar, e como é o artigo 142, que Bolsonaro e alguns de seus ministros militares já deram grande audiência. Assim como é preciso acabar com a anistia que permite que hoje militares torturadores e assassinos andem livremente pelo país.




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