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Vitória dos trabalhadores do hospital da USP pela liberação do grupo de risco

No dia 9 de dezembro a justiça publicou decisão que obriga a USP a manter os funcionários do hospital universitário da USP pertencente ao grupo de risco, alocados em locais de baixo risco de contágio, além de estabelecer teletrabalho e escala de revezamento que garanta presença mínima desse grupo no hospital. Essa decisão reafirma a liminar de 09 de outubro que estava sendo descumprida pela USP.

quinta-feira 10 de dezembro de 2020| Edição do dia

A decisão é uma importante conquista, fruto da mobilização dos trabalhadores do hospital que desde o início da pandemia tem denunciado a falta de EPIs e condições de trabalho, exigindo contratações emergenciais, testagem periódica e a liberação do grupo de risco, além de exigir todos os EPIs necessários para os que se mantivesses trabalhando. A mobilização organizada pelo Sintusp, Sindicato dos trabalhadores da USP, contou também com o apoio de parlamentares e intelectuais.

Recentemente dois trabalhadores do hospital, pertencentes ao grupo de risco e que estavam trabalhando no hospital, morrerem em decorrência da covid-19. No dia 26 de novembro, véspera da audiência judicial que decidiu manter a liminar que exigia o afastamento do grupo de risco, o Sintusp realizou um ato em homenagem aos trabalhadores mortos.

Na USP foram pelo menos 16 trabalhadores mortos, sendo mais dois trabalhadores terceirizados do grupo de risco que também foram mantidos trabalhando. O descaso do superintendente do hospital, Paulo Ramos Margarido, é absurdo diante da situação dos trabalhadores. A reitoria da USP, sob o comando de Vahan Agopyan desde o início da pandemia se recusa a abrir contratações emergenciais que pudesse garantir o atendimento à população e a liberação do grupo de risco. Essa reitoria, que desde 2014 tem sucateado o hospital, tem sistematicamente atacado os trabalhadores, recentemente ao impor um plano de retorno ao trabalho presencial sem nenhuma discussão com a categoria ou o sindicato. Além disso, a reitoria pretende aprovar um estatuto de conformidade em meio às férias letivas e a pandemia, sem nenhuma discussão com a comunidade da USP e que, em seu conteúdo tenta coibir o direito de greve e a liberdade de expressão.

Veja aqui a declaração do professor e desembargador Jorge Luís Souto Maior a respeito: Souto Maior sobre novo Estatuto de Conformidade de Condutas da USP: um documento obscurantista e inquisitório

A decisão em relação aos trabalhadores do hospital começa a valer hoje e cada dia não cumprido a multa é de mil reais por trabalhador.

Essa importante vitória é uma demonstração da força dos trabalhadores que, como bem demonstrou a pandemia, são os verdadeiros combatentes contra essa tragédia sanitária que já vitimou 180 mil pessoas. É preciso impor que tal decisão se estenda aos trabalhadores terceirizados e temporários pertencentes ao grupo de risco. É inaceitável que os trabalhadores arrisquem as suas vidas diante desse cenário. Garantir a liberação do grupo de risco entre todos os trabalhadores da USP, efetivos, terceirizados e temporários, é uma medida elementar de proteção à vida.




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