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POVOS INDÍGENAS

Violência contra indígenas aumenta 150% no primeiro ano de Bolsonaro na presidência

Foi realizado na manhã desta quarta-feira, dia 30, o lançamento do relatório anual “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – dados de 2019” elaborado pelo CIMI (Conselho Indigenista Missionário). De acordo com essa pesquisa, em 2019, primeiro ano do governo de Jair Bolsonaro, houve o crescimento de casos de vários tipos de violência contra as populações indígenas no Brasil.

quarta-feira 30 de setembro| Edição do dia

Foto: Ingrid Ãgohó Pataxó

O relatório traz informações alarmantes que mostram o aumento de todo tipo de violência contra os povos indígenas, como invasão de territórios, violações, ameaças, mortalidade infantil, suicídios, assassinatos e outros. Dezesseis das dezenove categorias registradas no relatório aumentaram em relação à 2018. Entre os casos de violência, houve um aumento de 150% casos registrados de 2018 a 2019.

Houve uma grave intensificação dos registros na categoria de “invasões possessórias, exploração ilegal de recursos e danos ao patrimônio” que atingiu 256 em 2019, ao passo que em 2018 o registro na mesma categoria era de 109 casos, o que significa um aumento de 134,9% nesses casos relacionados às invasões. Além disso, foram registrados 113 assassinatos indígenas, e aumento de casos de conflitos por terras, de ameaças de morte, mortes por desassistência, entre muitos outros.

Desde antes de iniciar seu mandato, Jair Bolsonaro frequentemente realizava declarações racistas contra indígenas e quilombolas, e prometeu que não demarcaria nem “mais 1cm de terra” indígena. Segundo o relatório, além de ter cumprido a promessa, o governo Bolsonaro devolveu 27 processos de demarcação em andamento à Funai (Fundação Nacional do Índio) para que fossem revistos. Ou seja, ainda atua para travar as demarcações em andamento.

As informações acima são referentes ao ano de 2019, porém, é importante salientar que durante a pandemia e com o avanço do desmatamento e das queimadas, a situação dos povos indígenas tem se agravado ainda mais.

Em muitas regiões a letalidade e o impacto da covid-19 para os indígenas é pior do que o restante da média nacional. No mês de julho, por exemplo, a taxa de letalidade na população Xavante alcançou 11,7%, índice 160% maior que a então média da população brasileira, que era de 4,5%. Mesmo com essa realidade, Bolsonaro fez vários esforços para vetar um projeto de proteção aos indígenas frente aos impactos da pandemia, que previa nada mais do que água potável, distribuição de materiais de higiene, verba para saúde, entre outras medidas sanitárias básicas.

Com o avanço das queimadas e desmatamento em várias regiões, o que ocorre com a conivência de Bolsonaro que em vários momentos atuou para liberar o desmatamento e minimiza a situação atual, a sobrevivência de muitos povos segue ameaçada. São vários os relatos que denunciam o fogo que toma grande parte de terras indígenas, além de acabar com os biomas e a possibilidade de caça e plantação daquelas populações que vivem dessa forma. Bolsonaro chegou ainda a culpabilizar os indígenas por essa catástrofe durante seu discurso na ONU.

As informações contidas no relatório divulgado pelo CIMI e toda a situação que se agrava ainda mais durante a pandemia e com o avanço do desmatamento e das queimadas, mostram o quanto Bolsonaro é inimigo declarado dos povos indígenas e, junto com o agronegócio, quer retirar suas terras e acabar com seus já escassos direitos.




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