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24M | “Violação de direitos é sistemática”, diz vigilante da UnB em ato por trabalho digno

Trabalhadores da UnB fizeram um ato exigindo condições melhores de trabalho e a manutenção da escala de trabalho. Relatos de falta de EPIs, insalubridade, vários vigilantes com COVID e violação de direitos em meio a pandemia - a culpa é do negacionismo genocida de Bolsonaro, Ibaneis e todos os golpistas, mas também da Reitora Márcia Abrahão, aplicadora dos ataques e do descaso aos trabalhadores da UnB.

quinta-feira 25 de março | Edição do dia

Trabalhadores essenciais da UnB realizaram hoje (24) um ato em defesa de trabalho digno em meio à pandemia e pela manutenção da escala de trabalho. O ato ocorreu em meio as paralisações nacionais convocadas pelas centrais sindicais, dentro do Dia Nacional de Mobilizações, Paralisações e Greve dos Servidores Públicos.

Recentemente, a servidora da Faculdade de Saúde Maria Anita e os vigilantes aposentados Valdevino José Soares e Waldecy Soares, faleceram de COVID-19, fruto da barbárie sanitária de Bolsonaro, dos governadores e todos os golpistas, uma demonstração da irracionalidade do capitalismo, o pior vírus de todos.

É nesse contexto que se dá um descaso absurdo com os trabalhadores da universidade. A Prefeitura da UnB disse que vai aumentar a escala de trabalho dos vigilantes, retirando um dia de folga entre os plantões noturnos - uma imposição arbitrária e que fere os direitos mais básicos de trabalho conquistados pela categoria em décadas de luta. Bolsonaro e seu negacionismo genocida, junto de Ibaneis e todos os golpistas desse regime podre, que conta com a Reitoria de Márcia Abrahão, a mesma quem demitiu 500 terceirizados em 2018 e mantém os trabalhadores nessa situação atual de insalubridade e risco de morte - todos são responsáveis.

Leia mais: Brasil agoniza nas UTIs lotadas e pela fome: a resposta não é esperar 2022

Nós da Juventude Faísca Anticapitalista e Revolucionária estivemos presente no ato nos solidarizando com os trabalhadores. A partir de nossa mídia independente de estudantes e trabalhadores, o Esquerda Diário, entrevistamos um dos trabalhadores presentes, que preferiu ficar anônimo, e ele nos contou um pouco como está a situação. Ele nos disse que uma das piores questões que os trabalhadores da UnB estão enfrentando é a exposição ao vírus. Seu relato traz a denúncia de que em muitos locais de serviço no campus não há um tubo de álcool em gel sequer. Com seis porteiros infectados pela COVID-19, a situação estava tão precária que uma funcionária teve que pagar do próprio bolso para fazer uma barreira improvisada com plástico simples com o intuito de tentar proteger minimamente sua vida e a dos colegas.

Junto com essas condições insalubres, o funcionário também apontou outro elemento revoltante no cenário de descaso criado pela reitoria e os patrões das empresas na UnB. Trata-se do impacto das demissões no ritmo de trabalho das equipes de limpeza. Nesse sentido, ele descreveu a forma cruel como a empresa terceirizada obriga seus empregados a serem responsáveis pela higienização de áreas imensas, com um raio de quilômetros que costuma abranger três ou mais prédios inteiros. Além disso, suas rotinas se tornam ainda mais desgastantes por terem que se deslocar sob um sol escaldante entre um edifício e outro sem apoio algum.

Como se não bastasse toda essa exploração no serviço, a situação é igualmente humilhante para aqueles que foram demitidos em plena pandemia. O entrevistado contou que há relatos de trabalhadores que até hoje ainda não receberam o FGTS, pois a empresa, não satisfeita em pagar salários miseráveis, avançou sobre os valores que eram direito de cada trabalhador e que já deveriam ter sido pagos.

Todos esses absurdos estão sendo feitos com plena conivência da administração superior da universidade. De acordo com a própria fala do entrevistado, a reitoria não vê problema algum em gastar dinheiro com despesas judiciais dos processos movidos pelos trabalhadores. Afinal, desde que os lucros das empresas terceirizadas estejam garantidos, o dinheiro que vai para advogados e juízes é uma migalha perto do preço que recebem em troca pago pelos terceirizados para não morrerem de fome durante a pandemia. “Não tem como a Reitoria não ter conhecimento dessa situação”, diz ele sobre a falta de EPIs, insalubridade e exposição constante que os trabalhadores da UnB têm de enfrentar.

O vigilante ainda relata que 8 estudantes na CEU estão com COVID e há um baixíssimo nível de higienização do espaço - o que está diretamente ligado à sobrecarga desumana imposta às trabalhadoras da limpeza.

Ele disse também que não se trata de uma gestão ou outra, mas que a violação de direitos é sistemática, algo recorrente e de décadas. Sempre que sai uma empresa e entra outra, acontecem problemas e ataques à direitos. “Isso para mim é exploração”, disse terminando sua fala.

O ato de hoje demonstrou que os trabalhadores da UnB resistem e têm disposição de luta. Para conquistar o direito à manutenção da escala de trabalho, por condições dignas de trabalho, contra a insalubridade, apenas a força dos trabalhadores, uma aliança dos vigilantes orgânicos da LITE, dos vigilantes terceirizados da SERVITE, dos trabalhadores da limpeza e todos os técnicos - só confiando nas forças da mobilização e da luta é que esses direitos podem ser conquistados.

O descaso e a insalubridade não é de hoje, é um projeto desse regime golpista e da burguesia que, além de tudo isso, passa a PEC Emergencial que congela o salário desses trabalhadores da linha de frente e que quer passar a Reforma Administrativa - mais uma para descarregar a crise nas costas da classe trabalhadora. Contra Bolsonaro, Ibaneis e todos os golpistas, a UNE deveria ter unificado o dia nacional de luta que será realizado no dia 30 com a paralisação nacional de hoje. A CUT e a CTB, dirigidas pelo PT e PCdoB, mesmos partidos que dirigem a UNE, precisam organizar pela base de cada local de trabalho, com assembleias e comissões locais, a resistência e a luta contra os ataques e por um plano emergencial de combate à pandemia.

Diante de tamanhos ataques, é fundamental que os estudantes estejam aliados aos trabalhadores da UnB para organizar junto deles a resistência. É tarefa do DCE da UnB, que infelizmente ninguém da atual gestão esteve presente no ato, organizar e mobilizar os estudantes por cada local de estudo, por cada sala de aula, mobilizar os CAs e promover espaços amplos de debate aberto e livre.

É nesse sentido que o Comitê UnB Pela Vacinação pode cumprir um papel fundamental como um espaço que fomente a auto-organização dos estudantes aliados aos professores e trabalhadores da universidade. A Faísca convida a todos e todas os professores e trabalhadores da UnB a participarem ativamente das Comitê - é fundamental a luta pela disponibilização universal da vacina, especialmente tendo em vista as condições insalubres e de alta exposição dos trabalhadores, que nunca tiveram direito à quarentena e desde o começo da pandemia continuam sendo obrigados a se expor. Construamos uma ampla campanha de vacinação imediata de todos os trabalhadores da linha de frente! Chamamos todos os estudantes a tomar para si a construção desse Comitê para torná-lo uma ferramenta de luta, retomando um movimento estudantil combativo e em aliança com os trabalhadores.

Veja também: Um breve balanço sobre o 1º mês do Comitê UnB pela Vacinação

Nós da Faísca e do Esquerda Diário nos colocamos à disposição de todos os trabalhadores da UnB e nos solidarizamos com sua luta!

Fora Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas!
Nossas vidas valem mais que o lucro deles!
Que os capitalistas paguem pela crise!




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