VIOLÊNCIA POLICIAL

Vídeo mostra PMs estrangulando ambulante com joelho no centro de SP

“Os PMs puseram joelho e cassetete no meu pescoço, não consegui respirar, sangrei pela boca e desmaiei”, disse Geová de Oliveira Lima, trabalhador ambulante de 48 anos agredido na última sexta feira (15/01) por policiais militares que acompanhavam a averiguação de agentes da prefeitura.

quarta-feira 20 de janeiro| Edição do dia

Na última sexta feira (15/01), o trabalhador ambulante Geová de Oliveira Lima, de 48 anos, foi agredido covardemente por ao menos 3 policiais militares que aparecem em imagens gravadas pelo celular da esposa de Geová, no centro de São Paulo, em plena luz do dia. Geová ainda foi algemado e encaminhado à delegacia pelos policiais militares.

O trabalhador ambulante estava acompanhado de sua esposa e sua filha de 16 anos quando foi abordado por agentes da prefeitura que faziam uma ronda de fiscalização (famoso "rapa") na região central da capital paulista. Os agentes e fiscais disseram que Geová não tinha autorização para vender seu açaí e suas frutas naquele local e que iriam apreender seu carrinho.

A abordagem, que resultou na imobilização, seguida de agressão e prisão de Geová foi gravada pela mulher e a filha. “Por favor, não faça isso. O meu marido vai infartar", diz a mulher de Geová nas filmagens.

Na sequência, o policial pede respeito a Geová. “O senhor vai respeitar a gente, beleza?!”, fala o PM com o dedo em riste para Geová.

São ouvidos pedidos para a polícia parar. “Para. Está machucando ele. Você está machucando ele”, grita a mulher. “Solta. Está matando ele, gente. Vai matar ele”.

“Deixa respirar... ele”, pede outro homem aos policiais.

“Não tá respirando”, grita a mulher. “Gente, eles tão matando meu marido, gente. Ele não tá conseguindo respirar”.
“Ele vai matar ele”, pede a mulher, chorando. “Ele tá sangrando”, continua o vídeo.

“Eu tenho autorização para vender na Avenida São João, também no Centro, mas como estava chovendo naquele dia, voltei para a casa com minha família. Moramos na Sé. Um cliente perguntou se eu estava vendendo, a fiscalização viu, achou que eu estava trabalhando em local proibido e quis pegar meu triciclo e a mercadoria”, disse Geová, que foi solto no mesmo dia após ter sido preso. "Mas eu não estava mais trabalhando".

Segundo ele, um agente da prefeitura o agrediu na sequência. “Deu uma voadora e um soco. Aí me revoltei, peguei uma tábua e quebrei o vidro da perua dele”.

“Aí os PMs se juntaram, me colocaram no chão e puseram o joelho em cima do meu pescoço. E depois um deles pôs cassetete no meu pescoço, na garganta, me convulsionei e meu olho virou. Minha boca sangrou e apaguei”, disse Geová.

Geová falou que toma remédios controlados para pressão alta e que já teve um princípio de infarto há alguns anos.

“Muita agressão. Tomaram minha mercadoria, tomaram meu carrinho. Um PM apontou a arma para minha filha de 16 anos porque ela estava filmando”, lamentou o vendedor.

“O que o que aconteceu comigo não quero que aconteça com outro vendedor ambulante. Eu trabalho como ambulante para poder morar numa ocupação de prédio. Senão vou virar morador de rua”, disse Geová.

“Tenho problema cardíaco, pressão alta e tomo remédios. Os PMs não podiam ter feito isso comigo. Quantos e quantos Geovas morrem aí asfixiados pela polícia e não sabemos?.

O caso de Geová não é mais um caso isolado. Realmente acontece todos os dias, todas as horas em todos os cantos do país a violência contínua e covarde de policiais contra a classe trabalhadora, contra os negros, contra os LGBT, contra todo setor oprimido por essa sociedade de classe. Em um país afundado em desemprego, com mais de 14 milhões de brasileiros procurando trabalho, sem auxílio emergencial garantido, vivendo uma pandemia que já ceifou mais de 210 mil vidas, os trabalhadores que precisam garantir algum sustento para não morrer de fome, nem que seja um trabalho precário, informal, ainda lidam com a opressão e a violência policial.




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