Política

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DE BUENOS AIRES

[Vídeo] Myriam Bregman: “Começou o acordo social com as escavadeiras e as balas em Guernica”

Assim a deputada do PTS, organização irmã do MRT na Argentina, e da Frente de Esquerda, denunciou na Assembleia Legislativa de Buenos Aires, enquanto sua companheira de bancada acompanhava as famílias de Guernica.

sexta-feira 30 de outubro| Edição do dia

A Assembleia Legislativa de Buenos Aires não pode ficar alheia ao tema que atravessa toda a Argentina e foi esta batalha que Myriam Bregman levou adiante, fazendo uso da palavra para denunciar e repudiar o violento despejo às famílias que apenas pediam um lugar para viver.

Usou a palavra para falar em nome de Alejandrina Barry, sua companheira de bancada rotativa, que se encontrava em Guernica acompanhando as mães e crianças que sofreram uma repressão brutal por parte da polícia de Sergio Berni.

“Alejandrina tratou de socorrer mulheres que tentavam fugir com seus filhos, mas que foram rapidamente atingidas por gás lacrimogêneo e balas de borracha no rosto”, denunciou Bregman.

Indignada, Bregman denunciou que ontem “ganharam os usurpadores. Os que tomaram estas terras abandonadas por anos em Guernica e não puderam atestar sua propriedade. Kicillof [governador da província de Buenos Aires] e Berni [ministro de Segurança] colocaram a polícia a serviço destes usurpadores”.

Relembrando as recentes declarações de Kicillof, Bregman apontou “alegou que na província de Buenos Aires há 1100 bairros privados que não cumprem com as normas legais, que não pagam impostos e têm sua luz cortada. Mas a estes bairros não enviam helicópteros, escavadeiras ou repressão. Hoje ganharam os usurpadores e em Entre Ríos também estão ganhando”.

Demonstrando a dimensão dos fatos ocorridos ontem, Bregman foi clara: “Hoje ocorreu um ponto de inflexão. É possível ganhar as eleições falando contra o poder judicial ou o que se queira. Mas depois é preciso governar, e ao governar se escolhe entre as classes populares que não têm lugar para dormir, entre essas mães e crianças, e esses canalhas que querem este lugar para construir campos de golfe e bairros privados. E hoje fizeram sua escolha”.

A contra cara destas famílias sem teto, que hoje voltam a ficar na rua, sem sequer seus pertences que foram destruídos pelo operativo policial, é a imagem do fiscal Juan Cruz Condomí Alcorta que “tirava selfies como se estivesse de viagem em Mar del Plata, enquanto pessoas corriam ao fundo. A estes fiscais e a esta Justiça canalha foi concedido um mega operativo”.

Sobre o contexto nacional argentino, Myriam declarou: “Nos últimos dias se falou muito de um acordo nacional, desde Funes de Rioja (advogado dos grandes empresários) até a ex presidente. Pois vejam a história argentina. Hoje começou o acordo social. As escavadeiras e as balas em Guernica são parte deste acordo social... Hoje se votou o orçamento que deseja o FMI, que proíbe as concessões aos setores populares, porque o dinheiro precisa ir para os EUA, o Fundo e os abutres.”

Para encerrar, Bregman desafiou: “antes de tudo esta é uma condição de classe, porque estas famílias seguirão resistindo e ali estaremos com Alejandrina Barry e todas minhas companheiras. Mas agora todos que falam de boca cheia sobre direitos humanos, sobre o direito das mulheres, que definam em qual lado estão”.




Tópicos relacionados

Guernica   /    PTS   /    Myriam Bregman   /    Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT)   /    Repressão   /    Violência policial   /    Política

Comentários

Comentar