CRECHES

Vice de Covas favorece com dinheiro público empresas investigadas na máfia das creches

As investigações apontam que Ricardo Nunes, vice da chapa de Covas para prefeitura de São Paulo, repassava verba destinada às creches para empresas de amigos e familiares por meio de guias superfaturdas.

terça-feira 27 de outubro| Edição do dia

Fonte da imagem: Bruno Santos/Folhapress, via Gazeta do Povo.

Em um cenário com 24.300 crianças aguardando vaga em creches em São Paulo, a esmagadora maioria de bairros periféricos, o vice da chapa de Bruno Covas, vereador Ricardo Nunes (MDB), é investigado em um grande sistema da máfia das creches.

As investigações apontam que o vereador favoreceria aliados em esquemas de convênios de creches privadas com a prefeitura, o que teria levado a um favorecimento de R$ 1,4 milhão a seus aliados empresários.

Agora, as investigações apontam que Ricardo Nunes utilizou recursos provindos de cofres públicos para pagar empresas que já vinham sendo investigadas na máfia das creches, além de uma dedetizadora que pertence à família do vereador.

O esquema se da por meio do pagamento de milhares de reais a essas empresas, que aparecem nas prestações de contas como fornecedoras de materiais para as escolas. Um açougue, que é pago regularmente, tem a descrição de “fornecedor de material pedagógico”.

As empresas vinculadas no programa se concretizam em pequenas lojas a uma distância de aproximadamente 65 km das creches. A investigação aponta que essas lojinhas são fachadas para laranjas que se utilizam de guias superfaturadas com objetivo de repassar dinheiro público ilegalmente.

Ricardo Nunes também é ligado à Acria (Associação Amiga da Criança e do Adolescente), que é cliente de um dos escritórios de contabilidade investigados pela Polícia Civil e provas mostram que o vereador é conhecido da dona do escritório. Além disso, a Acria é vinculada a outras cinco empresas investigadas.

Em reportagem desenvolvida pela Folha, as lojas citadas na investigação foram procuradas. Em alguns casos, a loja se encontra fechada em um dia de semana, em outros casos, não possui o material que supostamente estaria fornecendo. Entre os donos das lojas, existem diversas relações de parentesco.

A campanha de reeleição do prefeito Bruno Covas (PSDB) não se pronunciou sobre o caso. Procurada pela Folha, a assessoria de Ricardo Nunes apenas informou que o vereador não é ligado à Acria.

A gestão de Bruno Covas mantém 24.300 crianças sem creche, número esse que mais do que dobrou desde o início do ano, quando eram 9 mil crianças sem vaga. Quem mais sofre com essa debilidade são as mães, e principalmente as mães pobres, que precisam deixar seus filhos com familiares, pagar uma cuidadora ou até levar ao trabalho, como é o caso de Mirtes, que teve seu filho morto por uma criminosa negligência da patroa.

Enquanto quase 25 mil famílias sofrem sem ter quem cuidar de seus filhos, Bruno Covas e seu vice, Ricardo Nunes, se utilizam do dinheiro público destinado às creches para favorecer e enriquecer os empresários e amigos, transformando a falta de vagas nas creches em uma oportunidade de lucro.




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