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Argentina | Veja três exemplos para a esquerda brasileira da FIT-U humilhando a extrema direita nas eleições argentinas

As eleições argentinas acontecem neste domingo, em que a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT-U) vem se consolidando como terceira força nacional. Ao longo da campanha eleitoral, mas também diariamente nas ruas e nas lutas, a FIT-U defendeu os direitos e demandas dos trabalhadores, da juventude e setores oprimidos, dando duros combates ao programa e política defendidos pela extrema direita e partidos da ordem.

Lara ZaramellaEstudante | Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo

sexta-feira 12 de novembro | Edição do dia

Neste domingo acontecem as eleições para Legislativo e Executivo na Argentina. Ao longo dos meses de campanha, mas também diariamente nas ruas e nas lutas, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade (FIT-U), composta por movimentos de esquerda, incluindo o PTS, organização irmã do MRT daqui do Brasil, demonstrou como combater o discurso, política e ação da extrema direita e da direita liberal. Reunimos aqui três de vários exemplos que a FIT-U deu que desmascarou a diferença brutal que existe entre um programa dos trabalhadores e um programa dos capitalistas.

1) Enquanto metade da população vive abaixo da linha da pobreza, bancos e capitalistas imperialistas enriquecem com a dívida pública defendida pela extrema direita e todo o regime político: pelo rompimento com o FMI já!

Assim como no Brasil e em diversos países da periferia do sistema capitalista, a maioria da população argentina vive hoje com fome, desemprego ou trabalhos informais e precários, e com a vulnerabilidade ao vírus da Covid-19. Essa situação de miséria que vai se tornando mais candente e chocante na população trabalhadora e pobre é fruto da ganância capitalista que quer proteger seus lucros em meio a uma crise econômica internacional.

Os governos e políticos do regime defendem os interesses destes capitalistas, garantindo que seus bolsos não deixem de enriquecer com mecanismos como a dívida pública que destina as riquezas do país e bilhões de dólares ao FMI, mesmo que signifique cortar investimento da saúde, educação, aposentadoria, direitos trabalhistas e condições dignas de vida para a população.

A Frente de Esquerda é a única frente que não reconhece a dívida externa, defendendo o não acordo e o rompimento com o FMI, o não pagamento desta dívida pública, a nacionalização dos bancos, o monopólio estatal do comércio exterior e a expropriação dos grandes latifundiários que sugam as riquezas da terra e do trabalho explorado.

2) A extrema direita destila ódio, arranca direitos e nega o futuro à juventude, às mulheres, negros, indígenas e LGBTs. Contra a opressão, a FIT-U representa a força dos jovens da geração Z, da maré verde, do levante negro internacional, da luta indígena que atravessa séculos

Apesar das demagogias dos candidatos dos partidos majoritários argentinos declararem em campanha eleitoral que querem falar e representar a juventude, é sabido que são promessas vazias, já que suas políticas exterminam o futuro destes jovens, com ataques à aposentadoria, à educação, às condições de trabalho que cada vez são mais precárias e obrigam milhares de jovens a passarem 12 horas em cima de uma bicicleta entregando comida para ajudar sua família financeiramente.

O candidato da extrema direita à Câmara nacional pela província de Buenos Aires, Luis Espert (da coalizão do candidato Milei, amigo de Bolsonaro), declarou defender a redução da maioridade penal para os 12 anos! Isso é o que querem para a juventude.

O mesmo passa quando falam defender os direitos das mulheres, dos negros, indígenas e da comunidade LGBTI. Entretanto, na prática, todos aceitam que o Estado siga bancando a reacionária Igreja Católica e subsidiando outras igrejas. Além de serem abertamente contra o aborto e educação sexual nas escolas.

A FIT-U responde não só com posicionamentos e pontos de programa contra toda forma de opressão, mas diariamente na rua e nas lutas, lado a lado dos milhares que não aceitam os ataques e cortes de direitos. Em defesa da separação entre Igreja e Estado, dos direitos das mulheres trabalhadoras por igual salário, pela implementação de Educação Sexual Integral laica, científica e com perspectiva de gênero. Defendendo o meio ambiente que é destruído pelos grandes empresários e partidos patronais, negando o futuro à juventude, a FIT-U denuncia implacavelmente a precarização do trabalho que sofrem 7 a cada 10 jovens na Argentina, exigindo redução da jornada de trabalho para que a juventude tenha direito a estudar e se divertir; defendendo educação pública, gratuita e de qualidade, assim como bandeiras da juventude como a legalização da maconha que a extrema direita e os partidos da ordem repudiam, respondendo o problema do tráfico com mais polícia que todo dia mata jovens nos bairros periféricos, dentro de suas próprias casas, como vemos acontecer também aqui no Brasil.

Leia mais: 10 motivos para os argentinos votarem na Frente de Esquerda unidade

3) Para defender todos os interesses dos trabalhadores e dos setores oprimidos é preciso ter independência de classe e não confiar nos nossos inimigos!

A história e esses tempos mais agudos de crise comprovam como não conseguiremos defender nossos direitos, nem conquistar vitórias e demandas pela via de alianças com aqueles que são nossos inimigos. Nas ruas, na campanha eleitoral, nas sessões do Congresso, fica evidente a política que esses partidos defendem: uma política que protege os interesses dos proprietários de terra, dos patrões, empresários e banqueiros imperialistas. No máximo, especialmente em tempos de bonança econômica, os partidos de conciliação, se pintam com um discurso mais popular e democrático e promovem alguns programas sociais e mais direitos, o que em momentos de crise são ameaçados e retirados com aval destes mesmos partidos.

É por isso que somente com independência de classe, duramente defendida e praticada pela FIT-U, poderemos combater a extrema direita e os ataques impostos. É preciso atacar os capitalistas, seus ajustes e o Estado burguês que destroem as condições de vida e de trabalho. Para isso é preciso unidade da classe trabalhadora, sem ilusão e confiança nas instituições burguesas e seus partidos, podendo, com nossa força e organização, impor nossas demandas e batalhar por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Essa perspectiva, defendida pela FIT-U, nós do Esquerda Diário e do Movimento Revolucionário de Trabalhadores também defendemos aqui no Brasil no combate ao Bolsonaro e Mourão, construindo, por exemplo, o Polo Socialista e Revolucionário com outros movimentos da esquerda. Fazemos um chamado a toda a esquerda para defender a unidade de nossa classe, sem aliança com os partidos burgueses e de direita que hoje podem até fazer um discurso crítico a Bolsonaro, mas estão juntos com ele no momento de aprovar reformas e ajustes.

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