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Veja depoimento e vídeo de estudantes do Estado de SP sobre EaD e o genocídio do povo negro

Estudantes da rede pública de ensino do Estado de São Paulo na cidade de Campinas protestam nas redes sociais quanto a farsa da EaD e o inadmissível assassinato do povo negro pela polícia racista. Leia na matéria abaixo o depoimento e assista ao vídeo!

terça-feira 2 de junho| Edição do dia

A Educação à Distância (EaD), modelo de educação adotado pelas distintas redes de ensino diante da pandemia do coronavírus, se demonstra enquanto farsa, principalmente, para os estudantes das redes públicas de ensino. Esses são os mais afetados pela crise sanitária e pelo aprofundamento da crise capitalista. Amargam dentro de suas casas a fome, o desemprego e/ou o luto.

As pesquisas quanto às possibilidades de acesso a EaD são reveladoras de seu caráter excludente. A maior parte dos estudantes da rede pública de ensino não tem acesso à internet e/ou a infraestrutura necessária para tal (celulares, computadores, etc). Mesmo assim, o governo do Estado de São Paulo segue impondo a normalização em meio a uma situação excepcional. Desconsiderando totalmente a realidade dos estudantes e professores da rede diante dos impactos da crise sanitária.

Em meio à pandemia, fomos tomados pelo brutal assassinato de George Floyd pela polícia racista de Trump. Fato que desencadeou um levante a nível internacional contra o Estado racista que impõe sua política e ideologia de extermínio do povo negro. A fúria negra que tomou as ruas dos EUA faz tremer o coração do imperialismo. Por todos os cantos do mundo se escuta “sem justiça, sem paz”. Aqui no Brasil, não é diferente. Estamos diante do Estado racista que assassinou Marielle Franco, Mestre Moa, Maria Eduarda, João Pedro, Jordy e tantos outros corpos negros. Bolsonaro, capacho e lambe botas do Trump, não faz tampouco questão de esconder seu caráter ultra reacionário e racista.

Na escola pública estão os filhos da classe trabalhadora, majoritariamente, negros. Além de ocuparem, seus familiares ou os próprios estudantes, os postos de trabalhos mais precários são sem dúvidas os mais afetados pela pandemia, pelo aprofundamento da crise capitalista e pelo Estado racista.

Segue abaixo forte depoimento de uma estudante do ensino médio, A.B.B - 16 anos, e vídeo de J.V.N., estudante do ensino fundamental de 14 anos. Ambos foram publicados em suas redes sociais e autorizaram a divulgação nesta matéria do Esquerda Diário.

“oi, eu sei que nunca mandei nenhum tipo de mensagem aqui e muito menos converso com o pessoal da classe, mas o recado é para os professores. Eu entendo que o ensino não pode parar, pois pode prejudicar muitas pessoas incluindo eu. Só que vamos aos fatos: o mundo tá um caos nesse mesmo instante e se pensam que é fácil esquecer de tudo isso pra fazer lição, estão muito enganados! O EAD não funciona com muitos alunos, porque nós precisamos sim de alguém que possa sanar nossas dúvidas e não de atividades lançadas na internet que não colaboram para o aprendizado de ninguém. Estamos vendo pessoas sendo massacradas apenas pela cor da pele, pessoas sendo agredidas apenas por amarem, o governo recaindo cada vez mais, grupos amedrontando pessoas pelas mesmas plataformas na qual fazemos as atividades, CRIMES cometidos por aqueles que a sociedade julga capaz de nos guiar sendo expostos e tudo isso no meio de uma PANDEMIA onde temos que ficar 24 horas trancados em casa com nossa ansiedade e angústia nos corroendo. Desculpem, mas ser cobrada por uma atividade enquanto tudo isso acontece é demais pra mim. Então por isso eu mando essa mensagem, eu não sei qual vai ser o posicionamento do resto da classe, mas eu aviso que toda atividade mandada não terá meu nome anotado no diário. Peço perdão pelo transtorno, boa noite!”




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