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Preparem o estômago | Veja as 11 vezes que Bolsonaro se mostrou um verdadeiro entusiasta do Nazifascismo

Reza a lenda de que aquele que caminha como um pato, tem penas de pato, anda junto de patos, voa como um pato e faz quaquá como um pato, só pode ser um pato! Tal complexo e intrigante raciocínio pode ser aplicado a inúmeras situações, mas no caso das curiosas afinidades entre o presidente da república e o nazifascismo, esse raciocínio parece cair como uma luva.

quinta-feira 29 de julho | Edição do dia

Bolsonaro caminha como um nazista, tem cara de nazista, anda junto de nazistas e emite sons como um nazista… acredito que estamos diante de um legítimo caso de um, pasmem… nazista! A única diferença é que Bolsonaro não voa como um nazista, mas sim, e a história nacional e os incidentes paraquedistas que o digam, como uma galinha verde.

- Leia mais sobre a famigerada "revoada das galinhas verdes" aqui.

1. Em 1998, Bolsonaro elogiou Hitler, disse que “soube impor ordem e disciplina” e defendeu estudantes que elegeram o Fuhrer como “personalidade histórica mais admirada”.

Os formandos da turma de 1995 do colégio militar de Porto Alegre tiveram que escolher, entre Jesus Cristo, Joana D’Arc, Tiradentes, Ayrton Senna, Mahatma Gandhi, Herbert de Souza, Adolf Hitler e outros, a personalidade histórica mais admirável. Dos 158 que se formaram, 84 escolheram o Fuhrer como a principal figura. O responsável pelo holocausto, o extermínio em campos de concentração de judeus, comunistas, homossexuais e ciganos, e outras atrocidades, era mais admirável, na cabeça dos guris, do que pessoas como Joanna D’Arc ou Senna (!!). A bem dizer, uma uva passa é mais admirável que Hitler… A revista Veja, na época, fez uma matéria condenando a escolha desses delinquentes e logo Bolsonaro saiu em defesa dos pirralhos. O então deputado federal fez um discurso no dia 21 de janeiro de 1998 dizendo que, diante do exemplo de FHC como presidente, era natural que esses jovens escolhessem Hitler como figura mais admirável, já que FHC era um corrupto: "Enquanto o nosso presidente da República não dá exemplo disso, eles [os alunos] têm que eleger aqueles que souberam, de uma forma ou de outra, impor ordem e disciplina”. Ordem e disciplina do que, cara pálida? Só se for a ordem e a disciplina dos campos de concentração onde milhões foram friamente assassinados. Depois Bolsonaro fez mea culpa e disse que não concordava com as atrocidades de Hitler… mas, entre tapas e beijos, nosso presidente fez a escolha de defender a juventude hitlerista de Porto Alegre e de quebra soltar aquele elogio ao mestre. O discurso pode ser lido na íntegra neste link.

2. Em 2004, Bolsonaro enviou carta de agradecimento a sites neonazistas: “Vocês são a razão de existência do meu mandato”.

A antropóloga Adriana Dias, pesquisadora do neonazismo brasileiro há mais de 20 anos, encontrou recentemente uma carta do nosso atual presidente endereçada, ao que tudo indica, a sites neonazistas que já não habitam mais a internet. Foram três sites diferentes que publicaram a carta de agradecimento de Bolsonaro, além de um banner que ressaltava a defesa do armamento. Toda a reportagem do Intercept pode ser vista aqui e a carta pode ser vista abaixo. A frase “Vocês são a razão de existência do meu mandato” parece um xaveco político mal feito, mas é só mais uma prova de que Bolsonaro sempre foi um entusiasta do nazifascismo, ontem e hoje.

3. Em entrevista, Bolsonaro disse que Hitler era “admirável”, “um grande estrategista” e mentiu que seu avô lutou como soldado na guerra a favor de Hitler.

Quando Pedro fala de Paulo, sabemos mais de Pedro que de Paulo, já dizia a sabedoria popular. Quando Jair fala de Hitler, ou mente sobre seu avô, sabemos mais de Jair do que dos dois. Em entrevista ao CQC, de alguns anos atrás, Bolsonaro é perguntado se “há algo de admirável no Hitler”, no que ele responde, com sua costumeira voz desafinada, “profissionalmente, ele foi um grande estrategista”. Logo depois, perguntam a ele se ele se alistaria no exército nazista. A resposta integral é cortada, mas dizem que ele afirmou que todo mundo era obrigado a se alistar. O que aparece é ele fazendo questão de mencionar uma história absolutamente insólita, cuja existência é restrita ao gigantesco espaço vazio encontrado no interior da cabeça de Jair. Ele afirma que seu “bisavô foi soldado de Hitler, ele perdeu um braço, inclusive, na guerra”. A entrevista pode ser vista neste link.

Mas essa história simplesmente nunca existiu! A revista italiana “Insieme” foi atrás da genealogia de Bolsonaro e mostra como era absolutamente impossível qualquer um dos bisavôs de Bolsonaro ter lutado na segunda guerra… O único bisavô de origem alemã que ele tem, Carl Hintze, nasceu em Hamburgo em 1876, chegou no Brasil em 1883 e durante a década de 1920 foi cobrador de assinaturas de um jornal getulista em defesa “dos interesses dos homens pretos”. Ou seja, o homem teria entrado na guerra com 63 anos… Ademais, não há nenhum registro de que ele tenha saído do Brasil entre 1883 e 1969, ano que veio a felecer em Campinas (e não em Berlim ou Hamburgo…). Essa lorota é um prato cheio para freudianos analisarem esse sinistro, e reiterado, “ato falho” nazista.

4. Em 2011, grupo de neonazistas saíram às ruas em defesa de Bolsonaro e foram recebebidos com trotskistas enfurecidos nas ruas.

Recentemente viralizou um vídeo do Jornal Gazeta mostrando um grupo de uma dúzia de neonazistas e carecas que fizeram um ato na Avenida Paulista em defesa de Bolsonaro. O “ato cívido” fora convocado por gente do bem, como Erick White, cuja convocação do ato dizia que Bolsonaro era “o único deputado que bate de frente com esses comunistas e libertinos”, finalizando a mensagem com a referência nazista “14/88”. A motivação? Os nazis foram protestar contra a comoção existente após a fala racista de Bolsonaro no programa CQC (mais uma vez essa desgraça aparece nessa matéria dando palanque pra coisas nazistas de Bolsonaro). Na época, perguntado por Preta Gil o que faria “se seu filho se apaixonasse por uma negra”, Bolsonaro vomitou “ô, Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco. Meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”. A comoção foi enorme e os nazistas saíram em defesa do mestre. No vídeo abaixo é possível ver os trotskistas respondendo os nazistas em alto e bom som.

5. Bolsonaro posta foto com sósia de Hitler, nazista convidado pelo seu filho para discursar na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Em 3 de dezembro de 2015, Carlos Bolsonaro convidou Marco Antônio Santos para discursar na Câmara dos Vereadores em defesa do Escola Sem Partido. O jumento literalmente se vestiu de Adolf Hitler, com o maldito bigodinho, corte de cabelo parecido com o do Fuhrer e adereços nazistas. Contraditoriamente o homem havia sido chamado para discursar contra a “doutrinação ideológica em sala de aula” (!!). Esse mesmo nazista se candidatou a vereador na capital fluminense pelo PSC em 2016, um dos partidos do clã Bolsonaro, e ainda recebeu financiamento de Flávio Bolsonaro, o 01. No ano anterior, Bolsonaro havia tirado foto com o sósia de Hitler. Na foto, é possível ver ambos (o sósia é o que está ao lado direito da foto da direita, apesar de se parecerem ambos com o austríaco).

6. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”. Bolsonaro usa slogan em campanha eleitoral semelhante ao slogan da Alemanha nazista

Estão cansados de coisas nazistas? Eu também, mas estamos apenas na metade. O famigerado slogan que levou Jair Bolsonaro à vitória em 2018 não foi pensado por nenhum dos membros do clã (afinal, “pensamento” é algo difícil de se ocorrer por ali), e sim algumas décadas atrás. Um dos lemas repetidos na Alemanha de Hitler era “Deutschland über alles”, um trecho de uma música nacionalista (não nazista) do século XIX que fazia referência à unidade alemã nas disputas territoriais com a França. Décadas depois, os nazistas incorporaram a frase durante a cantoria dos hinos nazistas. Alguma semelhança com “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”? Todas, né? E não é casual, afinal as afinidades entre o bolsonarismo e o nazismo vão além das convicções.

7. Bolsonaro perdoou o Holocausto, um dos maiores crimes da história da humanidade que exterminou mais de 6 milhões de judeus

Em 2019, em evento com Evangélicos e rememorando sua visita a Israel, o então recém empossado presidente Bolsonaro disse, sobre o Holocausto que "Podemos perdoar, mas não podemos esquecer. Essa é a minha frase". Ele ainda teve a pachorra de colocar patente nessa selvageria. Perdoar o quê, pateta? As câmaras de gás? O extermínio ético? Há barbaridades imperdoáveis na história. Junto da escravidão nas Américas, o Holocausto configura um dos maiores crimes da história da humanidade. Outro deles é o negacionismo que já ceifou a vida de centenas de milhares de pessoas no país.

8. Durante live presidencial, Bolsonaro toma leite em alusão ao símbolo dos supremacistas brancos da Alt Right, grupo neonazista norte-americano

Enquanto milhares de pessoas morriam de Covid no primeiro semestre de 2020, em grande medida por conta das políticas negacionistas de Bolsonaro, o presidente fez uma live bebendo um copo de leite. Aparentemente inocente, o gesto remete à prática de um grupo supremacista nos EUA que frequentemente o utiliza para se auto-afirmarem, uma espécie de código racista e supremacista da fascistada de hoje em dia. Esses mentecaptos usam uma suposta informação “científica” de que pessoas brancas teriam mais facilidade de digerir lactose do que pessoas brancas, um suposto indicativo da superioridade racial. O asno, que hoje preside o país, afirmou que não tinha nada a ver, que estava cumprindo desafio do “dia do leite”, mas seu antepassado, afinidade e convicções o desmentem.

9. Bolsonaro usa solgan de Benito Mussolini em vídeo do facebook

“Melhor viver um dia como leão do que cem anos como cordeiro” era o bordão do líder fascista da Itália. No vídeo do brasileiro, publicado em 2020, um homem idoso italiano caminha pela rua e grita “a liberdade vale mais do que a morte!”. A itália, no início de 2020, passava pela dura situação da pandemia e Bolsonaro a usava como exemplo para poder manter os lucros acima da vida. Ao final do vídeo, o bordão de Mussolini ocupa toda a tela. veja abaixo.

10. Secretário de cultura de Bolsonaro interpreta líder nazista e copia discurso e fotografia de Goebbels, braço direito de Hitler

Roberto Alvim, o mentecapto que presidiu a cultura brasileira durante alguns meses, imitou Joseph Goebbels, o marqueteiro do Fuhrer, na forma e no conteúdo. Em dado momento do asqueroso vídeo, Alvim diz “A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”, frase quase idêntica à frase do ministro nazista que diz "A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. O penteado, a disposição dos objetos, a música alemã no fundo, tudo… parece que um ogro nazista vomitou no vídeo e saiu aquela peça. Bolsonaro chegou a defender o secretário nazista (Alvim), mas depois foi obrigado a substitui-lo. Daí veio a Regina Duarte, amante da ditadura, outra suspeita de flertar com o nazismo.

11. EM 2021, Bolsonaro se reuniu com a neta do ministro de finanças de Hitler, a nazista e xenófoba Beatrix von Storch

Recentemente veio à tona foto do encontro asqueroso entre o presidente Bolsonaro e a deputada alemã, Beatrix von Storch, neta de Schwerin von Krosigk, ex-ministro das finanças de Hitler. Seu avô era uma espécie de Paulo Guedes do Fuhrer, e sua família seguiu a carreira. A deputada já defendeu que a guarda alemã atirasse em imigrantes mulheres carregando crianças e é uma entusiasta do neonazismo. Dona de ações bárbaras, a viagem da nazista passou pelos gabinetes de Eduardo Bolsonaro e também Bia Kicis, deputada reaça pelo DF. Storch não veio à passeio, seus objetivos passam por fortalecer os laços da “Internacional Reacionária”, grupo de neonazistas e membros da extrema-direita que vão de Viktor Orban até Donald Trump, passando, claro, pelo presidente do Brasil.

Poderíamos ficar horas aqui discorrendo sobre as semelhanças, nada casuais, entre práticas bolsonaristas e práticas nazistas. O gesto nazista que seu assessor fez no Senado um dia desses, as incontáveis falas racistas e misóginas proferidas pelo pai e seguidas pelos filhos, o apoio aos motins policiais de caráter fascista, o apreço ao capital financeiro, o desprezo pela vida, o ódio ao comunismo… há uma lista grande dessas barbaridades. Mas nos limitamos aqui às “coincidências” diretas com o nazismo, que não são poucas, tampouco irrelevantes. Isso tudo suscita importante debate acerca do caráter do governo Bolsonaro, o que é diferente de analisarmos as convicções, práticas e símbolos do asno.

- Para isso, convidamos todos a lerem este sensacional texto, de 2018, que aborda as diferenças entre Fascismo e Bonapartismo, de Daniel Matos.

- Para lutarmos hoje contra o governo Bolsonaro, bem como contra todos os ataques que o Congresso, STF e governadores vêm fazendo, convidamos vocês a lerem a mais recente coluna de Diana Assunção: Os atos perderam tração ou as direções querem conter a disposição de luta?

- Para saber mais sobre Trotsky e a luta contra o fascismo, leia aqui: Trotsky e uma política para derrotar o fascismo




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