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Greve de Ferroviários de SP | "Vamos lutar porque sem luta não tem vitória", diz maquinista da CPTM em greve

Veja depoimento de R, maquinista da CPTM em greve, contra os ataques de Doria e Baldy aos ferroviários de SP.

terça-feira 24 de agosto | Edição do dia

“Nosso motivo de greve é que estamos reconsiderando uma perda salarial há muito tempo já, pelo menos há uns dois anos, mal estamos tendo a reposição da inflação. O que mais deixa a gente chateado com a situação, é a gente tá aqui todo dia, principalmente com a pandemia, nesse um ano e meio, se arriscando perdendo os colegas de serviço. Eu mesmo por exemplo peguei covid provavelmente no ambiente de trabalho, como muitos outros aqui. A ferrovia não parou, o transporte público não parou.

(...)

O que mais deixa irritado é em relação às coisas do alto grau da pirâmide. Do ponto de vista estratégico, a gente que tá no operacional a gente não sabe o que tá se passando lá em cima.
As notícias que a gente ouve, dos benefícios pra CCR por exemplo, os relatos aí que pra linha 4 do metrô eles repassam muito dinheiro, pra CCR. Na linha 5 também e agora 8 e 9 da CPTM.
Os caras lá, eles querem tudo pra eles, querem enxugar o número de empregados e pagar o menos possível, se pudessem fazer todo mundo trabalhar de graça, voltar ao tempo da escravidão. Essa concessão da 8 e 9 eu achei inadmissível.

(...)

Eu recordo o dia da concessão da 8 e 9, foi na bolsa de valores, todo mundo se abraçando, todo mundo comemorando lá, a secretária, o safado do governador, os diretores da CCR, mas na verdade era tudo carta marcada, todo mundo sabia quem ia ganhar. E eu ouvi o comentário de que o governador falou pras outras empresas não ficarem tristes que tinha mais coisa pra vender ainda. E ainda vem um secretário que foi preso, ocupando cargo público e vem falar que greve é inadmissível. Inadmissível é e estar solto e ocupando cargo público.
No dia da greve do metrô ele soltou uma nota falando que era inadmissível o que os metroviários estavam pedindo e que a maioria da população brasileira ganha muito abaixo do que os metroviários estão ganhando, então que não estava entendendo.
Da vontade de perguntar pro secretário, e o salário dele quanto é? Isso que é o mais revoltante.

(...)

De certa maneira ninguém queria chegar nessa situação de greve. Ninguém quer, só que parece que eles forçam, parece que é tudo caso pensado pra poder ter justificativa, pra poder vender tudo. Mas vamos lutar porque sem luta não tem vitória.”




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