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“Vamos lutar pela vacinação dos terceirizados sem aceitar nenhuma divisão”, diz diretora do Sindicato dos Metroviários

A maioria das terceirizadas do Metrô de SP ficaram sem o direito à vacinação. Após mobilização, os metroviários estão liberados para receber vacina desde o dia 11/05, porém grande parte das trabalhadoras da limpeza, bilheterias e outros setores terceirizados não constam no cadastro do governo e ficaram sem vacina.

segunda-feira 17 de maio| Edição do dia

No mês de abril, os metroviários de SP se mobilizaram para defender vacina para o setor de transportes, junto aos ferroviários e rodoviários. No metrô, já são mais de mil afastamentos e dezenas de mortes por Covid 19, enquanto a população também segue se contaminando no transporte lotado e o estado de SP já acumulou mais mortes até agora do que todo o ano passado.

Pela via do Esquerda Diário, viemos publicando a situação de trabalho no metrô de SP durante a pandemia, com falta de EPIs adequados, a demora no afastamento do grupo de risco, centenas de demissões e avanço do governo e da empresa sobre os direitos dos trabalhadores.

Veja também: A luta por vacina dos metroviários de SP deve incluir os trabalhadores terceirizados

Em especial a situação dos terceirizados é de completo descaso por parte do Metrô e do governo. Agora se soma a escandalosa exclusão da maior parte desses trabalhadores do direito de vacinação, que no caso dos metroviários e ferroviários está acontecendo desde o dia 11/05. Apenas os terceirizados da limpeza com mais de 47 anos conseguiram ter acesso à vacina. Isso enquanto os jornais estampam que a maioria absoluta das pessoas internadas nas UTIs tem até 40 anos.

Fernanda Peluci, diretora do Sindicato dos Metroviários, declarou:

“É um absurdo que essa divisão esteja acontecendo e os terceirizados estejam de fora da vacinação. O Metrô e o governo são responsáveis por esses trabalhadores que estão na linha de frente durante toda essa pandemia, qual a explicação para não terem direito à vacina? Essa é mais uma vez a face nefasta da terceirização que divide os trabalhadores e precariza o trabalho de milhares de pessoas, em sua maioria mulheres e negras. Eu não posso aceitar que alguém que trabalhe comigo todos os dias, com quem tomo café, divido horas do meu dia, não tenha os mesmos direitos que eu, ainda mais a uma vacina! Essas trabalhadoras estão expostas ao vírus tanto quanto eu, desempenham um trabalho fundamental para o deslocamento de milhões de pessoas. Uma diferença de contrato de trabalho não faz alguém ter menos chance de se contaminar, portanto o que Doria e Metrô estão dizendo é que a vida desses trabalhadores vale menos, que não tem a mesma necessidade de ter a vida protegida. O nosso sindicato precisa colocar de pé uma campanha para que todos os terceirizados recebam a vacina. Temos que nos apoiar nessa grande conquista da vacina para os metroviários e lutar pra que ninguém fique de fora. Assim como seguir lutando pelo direito de toda a população às vacinas, com a quebra das patentes sem indenização, a transferência das tecnologias e a intervenção estatal nas indústrias farmacêuticas para produzir massivamente sob controle dos trabalhadores, pra que os lucros dos laboratórios não continuem se multiplicando em detrimento da vida das pessoas.”

Como denunciamos desde o início da pandemia, os terceirizados do não tiveram direito ao afastamento do grupo de risco, que ficou restrito apenas aos idosos e levou a que vários terceirizados com comorbidades se contaminarem. As máscaras PFF2 só trocam uma vez a cada 15 dias. Além de terem sido demitidas centenas de terceirizadas da limpeza e das bilheterias (link5), deixando essas trabalhadoras sem o sustento de suas famílias num momento tão delicado.

Fernanda também disse que:

“É por isso também que nós da Chapa 4 Nossa Classe, que somos minoria do Sindicato dos Metroviários, defendemos que os terceirizados precisam ter os mesmos direitos e salários que os efetivos, pois hoje recebem o equivalente a 1/3 do piso salarial de um agente de estação, além de não terem os mesmos benefício e tampouco acesso ao plano de saúde Metrus. E defendemos a efetivação de todos os terceirizados, sem necessidade de concurso público. O Metrô e o governo avançam cada vez mais com a terceirização que precariza o trabalho e divide a nossa categoria, tentando enfraquecer os trabalhadores. Não podemos aceitar, nosso sindicato precisa levar adiante a luta para que todos tenham acesso à vacinação e possam trabalhar em segurança.”




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