RACISMO

Val Muller: "A vida arrancada de João Alberto vale mais que o R$1 mi oferecido pelo Carrefour"

Reproduzimos aqui declaração de Valeria Muller, estudante de Letras, trabalhadora precarizada, Militante do Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e fundadora do grupo de mulheres Pão e Rosas no Rio Grande do Sul.

sexta-feira 2 de abril| Edição do dia

Em janeiro já tínhamos visto o pai de João Alberto recusando a indenização proposta pela rede de supermercados Carrefour. Agora vemos nova tentativa da empresa multinacional e bilionária comprar o luto da viúva de João Alberto, oferecendo R$ 1 milhão de reais, já recusados, segundo advogados.

A vida de João Alberto, a vida de um homem negro espancado até a morte pela polícia no fim do ano passado, para empresas bilionárias e para o estado, tem preço, e esse preço é calculado justamente para não afetar seus lucros.

As empresas capitalistas lucram todos os dias com o racismo e desprezo pelas vidas negras com o trabalho subvalorizado, salários de miséria e poucos direitos. A esmagadora maioria dos postos de trabalho precário, informal e terceirizado, são ocupados por negros e negras. Não bastasse essa exploração diária, desprezam as vidas negras com ações racistas como a que aconteceu com João Alberto e tantos outros casos de negros torturados e violentados em supermercados. Além do fato de que em meio à dura pandemia que vivemos, é evidente como são os negros os mais contaminados e mortos pela Covid-19.

Assim como o Carrefour, o estado também é responsável pela morte de João Alberto por um policial. A polícia realiza uma verdadeira carnificina com a população preta e pobre de nosso país todos os dias. Por isso gritamos por justiça por João Alberto aqui em Porto Alegre, assim como por João Pedro e Ágatha no Rio de Janeiro, por Guilherme em São Paulo. As vidas negras importam!

Querem comprar nosso luto oferecendo valores que sequer afetam os lucros multibilionários de empresas como o Carrefour. Nosso luto não tem preço, a vida de João Alberto vale mais que o R$1 milhão oferecido pelo Carrefour. Precisamos transformar nosso luto em luta contra esse sistema de miséria que permite que empresas tirem vidas com a exploração do trabalho, com condições de vida indignas. Se inspirar nos levantes negros e de mulheres para lutar contra as mortes pelas mãos da polícia e do racismo estrutural, essa é a única forma de parar com a violência e matança diárias.




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