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PANDEMIA

Vacinação no aeroporto de Guarulhos exclui os que mais precisam

Apesar do cenário assustador de uma possível terceira onda no país, a vacinação no aeroporto de Guarulhos aconteceu excluindo um grande setor de trabalhadoras e trabalhadores, como os terceirizados, que foram impedidos de serem vacinados.

domingo 6 de junho| Edição do dia

Na última semana aconteceu a vacinação dos aeroviários, aeroportuários e aeronautas no aeroporto de Guarulhos. A campanha acontece após ser amplamente noticiado que a mais nova cepa do vírus foi encontrada no Brasil, e possivelmente pelo menos um viajante contaminado com a mesma passou pelo aeroporto de Guarulhos. No entanto, apesar do cenário assustador de uma possível terceira onda no país, a vacinação no aeroporto de Guarulhos aconteceu excluindo um grande setor de trabalhadoras e trabalhadores, que foram impedidos de serem vacinados.

São milhares de trabalhadores lojistas e terceirizados da limpeza do aeroporto. Esse é justamente o setor que mais precisa, que mais lida com o público e o mais exposto a condições insalubres, como na limpeza. São setores compostos majoritariamente por mulheres negras e das regiões periféricas em torno do aeroporto, sendo também o setor que mais vem sofrendo na pandemia.

Enquanto os empresários capitalistas ganham bilhões em lucros vindos do esforço do trabalho de milhares, os mesmos trabalhadores que geram essa riqueza são impedidos de sequer serem imunizados, sendo obrigados a trabalharem expostos ao vírus.

O prefeito de Guarulhos, Guti (PSD), o governador de São Paulo, João Dória (PSDB) e o excrementíssimo presidente Jair Bolsonaro são responsáveis por essa situação. Bolsonaro sempre minimizou as mortes dos trabalhadores dizendo que brasileiro vive até no esgoto, rindo da cara do trabalhador na labuta em meio a pandemia.

O rico governador de São Paulo, Dória, em meio ao pior cenário de crise no país, abriu as escolas, reduziu o transporte público, obrigando os trabalhadores a se espremeram em metrôs e ônibus lotados e sem segurança nenhuma para ir trabalhar, precarizou o trabalho de trabalhadores do transporte, como motoristas de ônibus, metroviários e aeroviários. No metrô de São Paulo a vacinação também seguiu o mesmo protocolo de exclusão dos trabalhadores mais precarizados e terceirizados, que são os que mais precisam. No Hospital Universitário da USP seria a mesma situação, entretanto os trabalhadores organizaram uma forte greve que impôs que o estado e a reitoria tivessem que vacinar os efetivos e terceirizados sem distinção.

Em Guarulhos, do prefeito Guti, a fome assola muitas famílias, até mesmo crianças beneficiárias do Bolsa Família enquanto os políticos municipais estão entre os mais bem pagos do Estado de São Paulo.

Em pesquisa recente, foi mostrado que o percentual de vacinados entre os moradores de bairros ricos chega a ser 5 vezes maior do que o de moradores vacinados nos bairros pobres. Portanto, é claro que essa divisão entre os trabalhadores do aeroporto de Guarulhos é fruto da ação desses mesmos governos e empresários, que estão mais interessados em seus lucros, às custas do suor e da vida de quem trabalha.

No aeroporto, milhares estão trabalhando sem parar desde o início da pandemia, outros milhares de trabalhadores enfrentaram milhares e milhares de demissões, retiradas de direitos, reduções salariais e ainda mais, sofreram com perdas de pessoas queridas vítimas do Coronavírus por conta do descaso dos governos e empresários.

As organizações de esquerda, os sindicatos, as grandes centrais sindicais, como a CUT e a CTB, e toda organização de trabalhadores deveriam fazer uma grande campanha unificada por vacinação para todos, sem divisão entre trabalhadores que podem e que não podem ser vacinados. O mais importante dessa campanha seria organizar um plano unificado de lutas. Centenas de milhares foram às ruas no último dia 29 contra o governo Bolsonaro e por melhores condições de vida frente à pandemia. Muita gente está disposta a não aceitar mais essa condição de cabeça baixa. Os exemplos de greves como a dos motoristas de ônibus e dos metroviários de SP mostram para muitas pessoas que esse é um poderoso instrumento de luta da classe trabalhadora. Instrumento através do qual os trabalhadores podem exercer seu poder e conquistar suas necessidades mais imediatas, apontando para uma perspectiva de que apenas através da organização da classe trabalhadora, independente dos patrões e seus representantes políticos, é que devemos seguir.

Os sindicatos não podem continuar paralisados, sem fazer nada frente a cada ataque que sofremos, apenas negociando a portas fechadas com os patrões e abrindo mão de organizar democraticamente aos trabalhadores para que possam se mobilizar e lutar. As direções desses sindicatos, da CUT e da CTB, em sua maioria são do PT e do PCdoB e querem apenas esperar as eleições de 2022, para eleger Lula e para isso, traem, fogem e impedem as lutas mais do que a peste.

No aeroporto de Guarulhos, precisamos organizar uma forte luta por vacinação imediata para todas e todos trabalhadores do aeroporto: trabalhadores da limpeza, lojistas, jovens aprendizes, estagiários e trabalhadores temporários, sem distinção. Essa luta deveria servir para questionar a divisão dos trabalhadores que os poderosos querem impor com a terceirização e precarização do trabalho, nos dividindo entre trabalhadores de diferentes empresas para nos atacar mais facilmente. Lutemos por igual trabalho, iguais direitos, vacina para todos.

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