Educação

REABERTURA INSEGURA DAS ESCOLAS

[VÍDEO]: Entre o medo do vírus e das balas, professora esconde crianças em escola no RJ

Dividida entre proteger as crianças de um tiroteio e medo da contaminação pelo coronavírus, professora da rede municipal do Rio de Janeiro enfrenta a precariedade das escolas e das condições de trabalho. Situação que se aprofunda com a demagogia de governadores e prefeitos diante da crise sanitária.

segunda-feira 22 de março| Edição do dia

Foto: Reprodução/ Facebook

Quem consegue imaginar o desespero de estar na escola, durante o período mais crítico da pandemia, tendo de cuidar em manter o distanciamento social e ao mesmo tempo proteger as crianças para não serem alvejadas por um tiroteio?! Pois é, esta foi a terrível situação que passaram as professoras da Escola Municipal Sobral Pinto, localizada na cidade do Rio de Janeiro, na última sexta-feira.

Em meio a uma pandemia que já matou quase 300 mil pessoas no país, em virtude do negacionismo de Bolsonaro e militares e da demagogia de todas as alas do regime do golpe, governadores e prefeitos, tais como Eduardo Paes (DEM) prefeito da cidade do Rio de Janeiro, seguem impondo que as escolas públicas se mantenham abertas durante o maior pico de contaminação e mortes por coronavírus.

Estudantes e professores são jogados mesmo diante do colapso do sistema de saúde em escolas sem condições estruturais para garantir os protocolos sanitários previstos pelos estados. Trata-se de uma reabertura totalmente insegura e que coloca em risco toda comunidade escolar. Não bastasse esse absurdo, professores e estudantes ainda são tomados por situações escandalosas como a que mostra o vídeo a seguir, em que professoras e crianças têm de se esconder no corredor da escola, sem se aglomerar, para não serem atingidos por um tiroteio.

A cena é desesperadora e revoltante. Assustada e sem saber o que fazer, uma das crianças pergunta: "Tia, como a gente vai saber da onde tá vindo o tiro?" A comunidade escolar tem que buscar proteção das balas que sabotam o futuro da juventude e do povo negro e do vírus. O Estado do Rio que tem as mãos sujas de sangue negro, só em 2020 arrancou a vida de 99 crianças pelas balas da polícia, como Ana Clara de 5 anos e Maria Eduarda, que foi alvejada dentro da escola. Situações que lamentavelmente escancaram como o direito à educação está o tempo todo sendo desrespeitado pela violência policial.

A professora da rede estadual do Rio de Janeiro e militante do Movimento Nossa Classe Educação, Carolina Cacau, comentou a situação no twitter:

Com discurso demagógico de guerra às drogas e combate ao crime organizado, as políticas de armamento e reforço das tropas policiais de Eduardo Paes apenas aumentam a repressão e violência estatal contra a população negra e pobre do Rio de Janeiro, seguindo a linha do governador afastado Wilson Witzel, que se elegeu em 2018 prometendo que iria “atirar na cabecinha”.

No Rio de Janeiro 95% dos leitos do SUS estão ocupados e centenas de pessoas estão nas filas de espera. É extremamente irresponsável que diante desse cenário o Estado siga impondo as aulas presenciais, submetendo jovens e trabalhadores ao risco da contaminação e do luto.

Nós do Movimento Nossa Classe Educação rechaçamos as operações policiais nas favelas do Rio de Janeiro e nos colocamos ao lado de cada trabalhador da educação que vem lutando contra a reabertura das escolas neste momento da pandemia. Que o Estado garanta os salários e o emprego de todos os funcionários, mas sem nenhuma atividade presencial, fornecendo condições e estrutura adequada de acesso ao ensino remoto. É urgente lutar por testes massivos, um plano de vacinação universal com a quebra de todas as patentes. Contra todas as demissões em meio a pandemia. Não à reabertura insegura das escolas! É a comunidade escolar, junto aos trabalhadores da saúde, que devem decidir quando e como as aulas presenciais retornem!




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