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Luta indígena | [VÍDEO] Em meio a disputa do Marco Temporal, jagunços do agro queimam casa Guarani Kaiowá em Dourados

O julgamento da tese do Marco Temporal vem acirrando os conflitos de terras entre indígenas e ruralistas. Diante do julgamento da tese ruralista, o agronegócio vem aumentando seu terrorismo para intimidar os indígenas.

quinta-feira 9 de setembro | Edição do dia

Desde a semana passada, pelo menos três casas do povo Guarani Kaiowá foram queimadas por seguranças privados de fazendeiros no tekoha Avae’te, em Dourados (MS). O ataque mais recente ocorreu na segunda-feira (6), por volta das 11h da manhã, quando os seguranças atearam fogo à casa de uma família. Segundo relatos dos indígenas, os ataques na área são constantes e se intensificaram nos últimos dias.

Enquanto no STF, o agronegócio faz lobby para concretizar sua ofensiva sobre as terras indígenas com a aprovação do Marco Temporal, nas áreas em disputa os ruralistas aumentam seu terrorismo com o intuito de intimidar os indígenas que se mobilizam por todo o país.

O tekoha Avae’te é uma das retomadas que ficam próximas aos atuais limites da reserva de Dourados, área reivindicada pelos indígenas como parte de seu território tradicional. As retomadas da região vivem um contexto de violência extrema e constante, com ataques quase diários de seguranças privados, que utilizam uma caixa d’água como “base” de operações no local.

No MS apenas 2,4% do território é destinado a terras indígenas, enquanto o agronegócio domina 85% da área estadual. Ainda assim, os ruralistas e suas entidades vem crescendo a retórica terrorista, fazendo coro com Bolsonaro, de que a tese do Marco Temporal inviabilizaria a produção do setor, predominantemente soja para a exportação.

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“A derrubada desse marco temporal significa instalar o terror no campo, os conflitos agrários com certeza vão se instalar por todo esse país. Eu acho um ato de muita irresponsabilidade se o Supremo Tribunal Federal derrubar esse marco temporal”, alerta o dirigente do sindicato de Dourados, Gino José Ferreira.

Enquanto os indígenas dispõe unicamente de sua mobilização para resistir a essa ofensiva, o agronegócio emprega capatazes para atacar diretamente os indígenas, além de outros jagunços indiretos, como o STF, Bolsonaro, seus diversos representantes no Congresso, a mídia (como o caso do Estadão que dedicou um editorial e uma matéria patrocinada para a defesa dos ruralistas).

Por isso, é fundamental cercar a luta indígena de solidariedade, a defesa do direito originário dos indígenas a suas terras é uma bandeira que precisa ser tomada por todos os trabalhadores. Esses atores do regime que se unificam para arrancar as terras indígenas são os mesmos que estão por trás das reformas e privatizações contra a classe trabalhadora. A mobilização dos indígenas mostra o caminho de como se enfrentar contra o regime, as centrais sindicais deveriam se apoiar nessa luta para por de pé um plano de mobilização organizado desde a base para enfrentar o golpismo da extrema-direita, mas também todo o regime, que está de mãos dadas à Bolsonaro para aprovação dos ataques.

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