Educação

REABERTURA DAS ESCOLAS EM SP

Urgente: Com demissões, escolas em SP ficam sem limpeza a 4 dias da reabertura

Na manhã desta quinta-feira, 11/02, faltando quatro dias para o reinício das aulas presenciais no município, dezenas de escolas foram surpreendidas com a retirada de toda a equipe de limpeza das escolas, sem previsão certa de quando elas retornarão. Até os produtos e equipamentos de limpeza foram retirados das escolas. Às vésperas da retomada do ensino presencial no município as escolas ficarão sem serem limpas por dias! Covas e Doria mentem para a população quando dizem que as escolas estão preparadas.

quinta-feira 11 de fevereiro| Edição do dia

As aulas presenciais nas escolas da cidade de São Paulo deverão começar na próxima segunda-feira, 15/02. O prefeito Bruno Covas, assim como Doria, na cidade e no estado de São Paulo estão impondo o retorno do ensino presencial mesmo com escolas sem condições sanitárias seguras e, mais ainda, em meio a um novo pico de contaminações por Covid no país que ceifa mais de mil vidas por dia. Não é de surpreender que várias escolas da rede estadual e particular tiveram o retorno adiado ou que foram novamente fechadas desde o início do mês, justamente pelo surgimento de novos casos surtos de contaminação. Inclusive entre as escolas particulares das mais ricas. Os trabalhadores da educação do município de São Paulo começaram uma greve ontem contra a reabertura insegura das escolas.

Nas últimas semanas recebemos dezenas de relatos de trabalhadores da educação mostrando como as escolas não têm condições estruturais para um retorno seguro nesse momento. E denunciamos aqui a falta de trabalhadoras do quadro de limpeza das escolas municipais, que na maioria das unidades é composto por 2 a 3 trabalhadoras. Que sozinhas devem dar conta da limpeza e sanitização de todos os ambientes escolares. Um quadro que inviabiliza a realização do próprio protocolo de retorno da Secretaria Municipal de Educação.

Pois bem, se isso já não fosse o bastante, na manhã desta quinta-feira, 11/02, faltando quatro dias para o reinício das aulas presenciais no município, dezenas de escolas foram surpreendidas com a retirada de toda a equipe de limpeza das escolas, sem previsão certa de quando elas retornam. Até os produtos e equipamentos de limpeza foram retirados das escolas. As escolas estão sem itens básicos, como sabonetes, por exemplo. Ou seja, de hoje até sabe-se lá até quando essas escolas ficarão sem limpeza alguma! Bruno Covas e seu secretário de educação Fernando Padula mentem quando dizem que as escolas estão preparadas para o retorno presencial!

Essa situação está acontecendo em dezenas de escolas em que o setor de limpeza ficava a cargo da empresa Califórnia que teve seu contrato encerrado com a prefeitura. Na semana passada já havia sido anunciada a redução para menos da metade do número de trabalhadoras do quadro da limpeza nessas escolas. E agora estão simplesmente sem equipe de limpeza.

E para piorar, segundo as próprias trabalhadoras da empresa, mais de 100 trabalhadoras foram hoje e outras tantas irão amanhã fazer exame demissional na empresa. Ou seja, estão desempregadas, sem qualquer perspectiva de serem prontamente recontratadas, em meio a uma segunda onda da pandemia, sem saber o que fazer de uma hora para outra. Muitas já saíram de suas casas de madrugada à procura de outros postos de trabalho em empresas terceirizadas e com condições igualmente precárias.. São mulheres em sua maioria negras, que sustentavam suas famílias com seus parcos salários que estão engrossando a fila do desemprego no país. Em um momento em que a classe trabalhadora e população mais pobre no país, já vem sofrendo o peso da crise sendo descarregado em suas costas, sem sequer poder contar com o auxílio-emergencial que vem sendo negado por Bolsonaro.

Até o momento, segundo trabalhadores das escolas, sabemos que escolas da DRE Penha e Jaçanã/Tremembé tiveram suas atividades presencias suspensas, como podemos ver no e-mail enviado às escolas na manhã de hoje:

Prezados Diretores,
Informamos que as Unidades que são atendidas pela Empresa de Limpeza Califórnia deverão realizar as atividades previstas para hoje em Teletrabalho.
A Equipe Gestora pode se organizar como for mais adequado para garantir a comunicação com a comunidade.
A SME está terminando as tratativas da substituição da empresa e assim que tivermos mais informações, passaremos as orientações.
Atenciosamente.

Ao longo do dia, nas redes sociais, os professores denunciavam essa situação inacreditável do setor de limpeza das escolas além de outros problemas estruturais das escolas que inviabilizam um retorno seguro das aulas presenciais.

Toda essa situação das escolas municipais às vésperas da reabertura deixa duas coisas muito evidentes para todos nós. Primeiro, o quanto Covas e Doria mentem para a população sobre as condições das escolas e do quanto não estão nem aí com as vidas dos trabalhadores da educação tão pouco com os alunos e suas famílias. E em segundo lugar mostra o quanto as trabalhadoras da limpeza, mas também da merenda, exercem um trabalho que deve ser considerado essencial e imprescindível para o funcionamento da escola. A escola não funciona sem elas. Ou seja, todas as trabalhadoras deveriam ser efetivadas! O regime de terceirização desses e de outros setores é claramente também um ataque à educação. Por essa razão nós trabalhadores da educação que estamos iniciando uma greve contra a reabertura insegura das escolas devemos exigir a contratação de mais trabalhadoras da limpeza para as escolas, assim como a efetivação de todas as trabalhadoras sem concurso das escolas. A recomposição do quadro de limpeza das escolas e a efetivação dessas trabalhadoras também é condição para uma reabertura segura das escolas.













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