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Uma só luta! | Unificar trabalhadores e indígenas contra o autoritarismo e os ataques, por uma nova Constituinte

O bolsonarismo, o Congresso, o judiciário e a direita colocam as diferenças de lado para atacar os trabalhadores e os povos indígenas com autoritarismo, reformas, privatizações e medidas como o Marco Temporal. É preciso confiar somente na força da nossa unidade para enfrentá-los e impor uma nova Constituinte livre e soberana.

quinta-feira 16 de setembro | Edição do dia

A classe capitalista e seus representantes em suas variadas alas, como o bolsonarismo, o estrume do centrão e da direita no Congresso, os governadores e também o STF e o judiciário de conjunto vêm em uma crise política com duras disputas internas, porém estão invariavelmente juntos quando o objetivo é atacar a classe trabalhadora, o povo pobre e a esquerda com medidas autoritárias, reacionarismo, reformas e privatizações. É o que vemos em torno da reforma administrativa, da nova reforma trabalhista, das privatizações, dos ataques aos povos indígenas como o Marco Temporal, ataques que ocorrem em um Brasil de 600 mil mortos pela pandemia, altíssimo desemprego e imposição da precarização do trabalho, aumento da fome, inflação, crise hídrica e crise ambiental. O judiciário se mostra mais como poder reacionário, como vemos em greves que são consideradas ilegais e nas prisões de figuras como o entregador Paulo Galo e o sindicalista Antônio Macapá, além de processos em que se aplicou a Lei de Segurança Nacional e outros mecanismos autoritários. Para disputar o espaço de oposição a Bolsonaro, Dória tentou proibir a esquerda de ir às ruas em SP no 7 de setembro, e as atuais medidas do STF contra a extrema-direita visam o cenário eleitoral, para abrir caminho à uma terceira via liberal, e seguramente serão utilizadas também contra a esquerda e o movimento operário.

Em uma conjuntura tão reacionária, onde o reformismo petista aposta todas as suas fichas na passividade, na fragmentação, nos acordos com a direita e em preparar o terreno para a campanha Lula 2022, é impressionante a disposição de luta que vêm demonstrando os povos indígenas em Brasília e por todo o país, bem como diferentes categorias de trabalhadores que, por diferentes razões, entram em processos de greve contra os patrões e os ataques.

Os indígenas estão construindo um movimento organizado nacionalmente, com mobilização de base e determinado a enfrentar a aprovação do Marco Temporal pelo STF e o PL 490 do Congresso e de Bolsonaro e militares. Ocupando Brasília e cortando rodovias de norte a sul, mostram o caminho para a classe trabalhadora e a juventude. Por outro lado, as centrais sindicais que dirigem milhões de trabalhadores em todo o país escondem sua paralisia contra Bolsonaro por trás de uma demagogia de luta e de ações fragmentadas para desarticular os trabalhadores. Mantém “cada um no seu quadrado”, mas nossos inimigos são os mesmos. Justamente, PT e PCdoB, que dirigem as principais centrais e entidades estudantis, como CUT, CTB e a UNE, preferem acordos com a direita, manter a estabilidade até 2022, e até mesmo marchar com o MBL, ao invés de unificar a luta contra o governo e os ataques, e construir um plano de lutas nacional, com assembleias de base nos locais de estudo e trabalho, rumo a uma greve geral.

As greves operárias como das metalúrgicas de São José-SP, dos trabalhadores da construção civil da MRV em Campinas, dos rodoviários da Carris em Porto Alegre, da Sae Towers em Minas Gerais, do Detran em RN, dos radialistas da REDETV, das terceirizadas dos hospitais do DF, entre outras espalhadas e isoladas pelo país, mostram que existe sim disposição em setores de vanguarda da classe trabalhadora para resistir aos ataques. Se unificados em uma só força, como parte de um plano de lutas para mobilizar os setores da nossa classe junto à juventude e aos povos indígenas, esses processos podem ser o início de erguer a força social capaz de derrubar Bolsonaro, os militares, o conjunto desse regime degradado e todos os projetos de miséria dos capitalistas.

O Esquerda Diário e o MRT vêm atuando de perto em cada uma dessas lutas, batalhando pela sua unificação, organizando solidariedade mútua entre elas para que os trabalhadores percebam que não estão sós, e agitando em todo o país a necessidade de um plano de lutas unificado, com assembleias e organismos democráticos de coordenação, e com dias de paralisação nacional.

Chamamos a esquerda, como PSOL e PSTU, a fazer parte desse combate, seguindo o exemplo da esquerda argentina, que, com a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores - Unidade, avança como terceira força nacional nas eleições unificada na defesa um programa de independência de classe e com centro de gravidade na luta de classes, se conectando profundamente às mobilizações de trabalhadores, mulheres e do povo pobre no país. É absurdo que setores que se reivindicam de esquerda no Brasil adotem como política a unidade com a direita liberal, numa frente ampla por um impeachment de Bolsonaro, que colocaria o racista do general Mourão no poder e conservaria todos os ataques e atores do regime. Essa direita fracassada não cabe na unidade necessária para uma saída progressista dessa crise que vivemos.

Defendemos que é preciso levantar a bandeira de uma nova Constituinte, que, diferente da Constituinte de 88 - tutelada pelos militares - seja livre e soberana, imposta através da unidade dos trabalhadores, da juventude, dos povos indígenas, das mulheres, do povo negro e dos LGBTQI+ na luta de classes. Uma constituinte com representantes democraticamente eleitos e revogáveis, que dissolvesse os poderes do regime atual e pudesse colocar nas mãos da maioria da população as decisões sobre os temas mais importantes do país e mudar todas as regras do jogo, revogar todas as reformas aprovadas até agora, impor justiça aos mortos pelas balas da polícia racista, dos militares e do negacionismo na pandemia, e abrir espaço para se enfrentar com todos os projetos dos capitalistas. Esse processo de democracia radical certamente iria expor os limites da democracia burguesa que a impedem de garantir até mesmo os direitos democráticos mais básicos, um processo fundamental para que as massas se convençam pela própria experiência da necessidade de um governo de trabalhadores em ruptura com o capitalismo.




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