Gênero e sexualidade

CORTES NA EDUCAÇÃO

Unificar estudantes e trabalhadores contra os cortes e em defesa das mulheres rumo ao dia 29

Não somente o DCE mas os CA’s também precisam organizar em cada curso assembleias para que todos os estudantes tenham voz e voto. Precisamos urgentemente que essa plenária seja claramente de todos os estudantes para que o dia 29 seja um dia de lutas reais na nossa universidade.

quinta-feira 27 de maio| Edição do dia

Imagem: Fernando Madeira/ A Gazeta

Na situação que estamos, a maioria das universidades só terão verbas para se manter até o mês de setembro, e na UFES, que é a única universidade pública do estado do ES, a gente sofreu um corte de mais de R$20 milhões, que se comparado à 2020, corresponde a 18,2% dos recursos. Sem contar que esses cortes já estavam sendo feitos também em 2019, quando a universidade ficou sem ar condicionado funcionando nas salas de aula, sem limpeza nos campus e uma limpeza de 1x por semana nos banheiros, que ficavam com lixo acumulado e em situação sanitária precária.

Ao contrário do que o governo diz, as universidades não pararam durante a pandemia e continuam reafirmando sua importância, fazendo pesquisas, colaborando na adição de leitos em hospitais universitários, na fabricação de epi’s, assim como também na elaboração de vacinas e poderia servir muito mais caso fosse controlada de fato pelo estudante e os trabalhadores.

Fazemos um chamado a unidade no dia 29:

Os cortes na educação são parte do plano de ataques contra toda a juventude e os trabalhadores. Por isso mesmo, nossas lutas não podem ser divididas. A CUT, maior central sindical do país dirigida pelo PT e que organiza cerca de 7 milhões de trabalhadores, está chamando uma manifestação no dia 26 por vacinas e auxílio emergencial, enquanto a UNE, majoritariamente dirigida pelo PT, PCdoB e Levante Popular da Juventude, chamam atos para o dia 29 em defesa da educação. Não podemos aceitar essa separação que só enfraquece ambos os movimentos que são importantíssimos e têm os mesmos inimigos a serem golpeados por nós!

Aqui no Espírito Santo, Damares veio nessa semana dizer que defende a demanda das crianças violentadas. Uma completa mentira! Só de janeiro a maio deste ano, já foram registradas 574 denúncias de violência contra a criança ou adolescentes no Estado. No Espírito Santo, que é um dos lugares mais perigosos e violentadores de mulheres, até o mês de abril deste ano foram 28 mulheres mortas e os números só aumentam. Essa demanda é também nossa e temos que batalhar contra a violência a mulher que é tão naturalizado no nosso estado. Essa batalha contra os cortes na UFES precisa se ligar à greve dos trabalhadores da limpeza urbana, que fizeram um dia de paralisação por vacinas no estado, das técnicas de enfermagem, dos rodoviários e dos petroleiros que recentemente fizeram importantes greves. A nossa luta é a mesma e é contra todos aqueles que precarizam as nossas vidas.

O DCE da UFES não tinha organizado nenhuma plenária com os estudantes, a última que organizaram com representantes docentes e servidores da universidade só contou com 40 pessoas, sendo em sua maioria estudantes organizados e representantes docentes, sem nenhum estudante independente. Um número absurdamente pequeno frente a mobilização que poderia ser feita para que realmente possa ser organizado um forte ato contra os cortes da educação. Agora, chamaram uma plenária com foco nos estudantes assistidos, dando a entender que querem separar e dividir os estudantes entre bolsistas e não bolsistas. Não somente o DCE mas os CA’s também precisam organizar em cada curso assembleias para que todos os estudantes tenham voz e voto. Precisamos urgentemente que essa plenária seja claramente de todos os estudantes para que o dia 29 seja um dia de lutas reais na nossa universidade.

É fundamental batalhar por uma política de massificação das manifestações do dia 29 buscando que seja organizado através de assembleias de base em todos os locais de trabalho e estudo. É a mobilização da classe trabalhadora, em aliança com as mulheres, negros, indígenas e todos os setores oprimidos que pode enfrentar não somente Bolsonaro, mas todas as instituições do regime político golpista. Muito mais do que colocar Mourão no poder através de um impeachment, é preciso derrubar todo esse regime cada vez mais autoritário e impor uma assembleia constituinte livre e soberana, que coloque nas mãos da maioria da população as principais decisões do país e onde possamos impor um combate real à pandemia, estatizando a saúde privada e batalhando por um sistema de saúde 100% estatal e controlado pelos trabalhadores, além de girar a indústria para a produção de insumos e outras medidas.

Apenas lutando nas ruas, nos locais de estudo e de trabalho é que as mulheres e todos os oprimidos poderão se organizar para derrotar todos esses ataques que estão à serviço somente dos capitalistas e de toda burguesia. Temos que nos inspirar na luta da população na Colômbia e no Paraguai, que mostram que a população vai para a rua porque os governos capitalistas se mostram mais letais que o vírus.




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