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Greve sanitária em MG | Unificar as greves da educação em MG em aliança com a comunidade escolar: não à repressão em Betim!

Derrotar Romeu Zema, Vittorio Medioli e o autoritarismo do judiciário: em defesa das greves da educação! Que a comunidade escolar decida democraticamente como e quando voltar às aulas presenciais. Por uma greve metropolitana da educação! Unificar as lutas de trabalhadores contra os ataques de Bolsonaro, Mourão, de Zema e de prefeitos.

Flavia ValleProfessora, Minas Gerais

terça-feira 17 de agosto | Edição do dia

Vivemos na educação em Minas Gerais um dos ataques mais autoritários aos trabalhadores e à comunidade desde a redemocratização do país. No município de Betim, o prefeito Vittorio Medioli (PSD) e a secretária de Educação, Marilene Pimenta (PCdoB) – partido que militou para eleger Medioli em troca de cargos – levaram à frente absurdas medidas repressivas na última semana.

Medioli e Marilene Pimenta exoneraram diretores de escolas arbitrariamente, invadiram escolas com a Guarda Municipal e confiscaram merendas, intimidaram trabalhadores e divulgaram fake news nos jornais que Vittorio Medioli é dono, como O Tempo. Ações dignas dos métodos mais sujos usados pela direita e pela extrema direita bolsonarista contra direitos da população.

Esse ataque acontece conjuntamente ao do governador Romeu Zema e da justiça mineira, com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) declarando arbitrariamente a ilegalidade da greve sanitária estadual.

A imposição do retorno presencial ocorre num momento em que seguem quase 1000 mortes diárias no país por Covid-19, e em Minas Gerais já são mais de 1000 contaminados a cada 24 horas, com quase 52 mil mortes em todo estado desde o início da pandemia. E MG segue como um dos estados em que a vacinação está entre as mais atrasadas para o conjunto da população adulta, e em que os professores são forçados a retornarem sem a segunda dose da vacina, e as famílias seguem sem estar imunizadas.

Enquanto isso, o estado do Rio de Janeiro teve que cancelar as aulas que tinham voltado presencialmente e SP teve aumento de mortes de trabalhadores da educação com a volta às aulas presenciais.

Zema está impondo a volta presencial de trabalhadores com comorbidades, sem distribuição de máscaras eficazes, como a PFF2, para trabalhadores e estudantes, e o transporte público, de que muitos trabalhadores têm que fazer uso, segue lotado como durante toda a pandemia.

Nas fábricas, os trabalhadores seguem trabalhando expostos ao vírus e sequer tiveram adiantado o direito à vacinação. No telemarketing os trabalhadores, em sua grande maioria jovens e negros, trabalham em salas insalubres ou em home office arcando com gastos de internet além do aumento do assédio de chefias pra garantir os lucros de grandes empresas. Trabalhadoras terceirizadas enfrentaram a demissão ou seguiram trabalhando em condições inseguras e foram as trabalhadoras domésticas e os garis os que mais foram vítimas de internação por Covid-19 nos piores momentos da pandemia.

Os trabalhadores da educação em greve sanitária têm que se aliar a toda a comunidade escolar – estudantes, pais e responsáveis –, que em sua maioria não tiveram direito à quarentena, pois para os governos interessa dividir os trabalhadores entre os que trabalham remotamente e a maioria que seguiu no trabalho presencial. Mas nossa luta é a mesma contra todos os ataques.

Na educação, a precariedade do ensino se aprofundou, o que mostra como nem Medioli nem Zema se importam com o aprendizado dos estudantes. Faltaram e seguem faltando as condições mínimas para o ensino remoto, como acesso gratuito à internet, fornecimento de aparelhos eletrônicos e formação pedagógica para professores e alunos fazerem uso das novas tecnologias – precariedade defendida por Bolsonaro, que vetou um auxílio conectividade de 3 bilhões para estudantes e professores que havia sido aprovado no Congresso. E ao contrário dos que dizem que “os professores não querem trabalhar”, durante a pandemia houve sobrecarga de trabalho.

As famílias receberam bolsa merenda de 50 reais enquanto os preços dos alimentos só subiram, e hoje os governos fazem demagogia com a falta de merenda para os alunos, mas as escolas seguem sem verbas para garantia da merenda com qualidade nutritiva para as crianças e jovens, sendo que em algumas escolas antes mesmo da pandemia professores faziam vaquinha pra completar a compra da merenda de estudantes.

Antes desses ataques de Zema e Medioli, Alexandre Kalil (PSD), em Belo Horizonte, já havia cortado o ponto de educadoras infantis em greve no semestre passado. E Marília Campos (PT), em Contagem, declarou a educação como serviço essencial, como fazem todas as prefeituras da direita para impor o retorno inseguro às comunidades.

Os verdadeiros problemas relacionados à educação e outros vividos pela comunidade escolar, como a fome e o desemprego, não têm respostas dos governos. A vacinação segue atrasada e não há testagem massiva para controlar a contaminação. Falta um auxílio emergencial digno para as famílias. Os ataques que seguem apenas se aprofundando pelas mãos dos governos, e contra eles também tem que se erguer os professores em nossa greve sanitária!

A repressão à greve dos professores de Betim é um balão de ensaio contra nossa classe: por uma forte campanha contra a repressão em Betim

O ataque de Medioli aos trabalhadores da educação de Betim é também contra todos os servidores do país que enfrentam os governos estaduais, as prefeituras e o governo de Bolsonaro e Mourão. Caso essas medidas passem sem resistência serão usadas como balão de ensaio de políticas autoritárias contra os trabalhadores.

Por isso é urgente a mais ampla campanha estadual e nacionalmente contra tamanha arbitrariedade e em defesa dos servidores de Betim e da greve sanitária em Minas Gerais. Os sindicatos e as centrais sindicais precisam articular urgentemente uma campanha democrática para fortalecer os trabalhadores que enfrentam Zema, Medioli e as prefeituras. Nós do MRT e do Nossa Classe Educação junto ao Esquerda Diário colocamos nossas forças nesse sentido. É urgente que a CSP-Conlutas, parlamentares do PSOL e do PT de Minas Gerais e os partidos de esquerda como PSOL, PSTU, UP e PCB movam suas forças também nesse sentido.

Trabalhadores em Betim mostram que são os trabalhadores e a comunidade escolar que devem definir como e quando retornar presencialmente, não as prefeituras

A situação que os trabalhadores da educação de Betim enfrentam hoje mostra como as prefeituras não estão preocupadas com a educação, saúde, a fome e o desemprego da comunidade escolar, e usam métodos judiciais e policialescos para intimidar a organização e a luta de trabalhadores contra a situação miserável que vivemos cada vez mais profundamente em nosso país.

Em Betim, os trabalhadores da educação seguem com até mesmo a primeira dose da vacina atrasada pela Prefeitura e lutam contra um protocolo sanitário que expõe os estudantes e trabalhadores a riscos sanitários ainda mais gritantes que os protocolos das cidades vizinhas, que também são questionados pelos educadores.

Após assembleias virtuais com massiva adesão de servidores da categoria da educação no município e escolas em que os servidores organizaram comitês próprios devido ao retorno inseguro, em que educadores relataram as péssimas condições do retorno presencial e divulgaram situações absurdas.

Como exemplos, após mais de um ano e meio de pandemia, as escolas que já tinham uma estrutura precária seguiram em sua maioria sem melhorias estruturais para conseguir atender a população: falta de ventilação nas salas de aula, falta de estruturas a céu aberto, sem falar na falta de merenda, banheiros e utensílios básicos de higiene.

Na escola municipal Osório Aleixo, por exemplo, uma das mais atacadas por Medioli até agora, apesar de inúmeros pedidos da gestão escolar, a prefeitura não havia retirado sequer pilhas de entulhos no pátio da escola para receber os estudantes de forma segura. Um verdadeiro absurdo, que se repete em maior ou menor medida pelas escolas no estado.

Por tudo isso e em defesa dos trabalhadores e da comunidade escolar, a greve sanitária foi mantida no município e sumariamente atacada pelo prefeito Vittorio Medioli, pelo procurador do município Bruno Cypriano e pela Guarda Municipal, que iniciaram a crescente ofensiva autoritária nas escolas.

A situação de Betim mostra que são os trabalhadores da educação junto com a comunidade escolar quem melhor pode definir sobre como se dará o retorno das aulas. E mostram que é apenas a organização de trabalhadores junto com a comunidade escolar quem pode enfrentar os ataques que vemos passar na educação e contra todos nossos direitos por parte dos governos.

Por uma greve metropolitana da educação

Para barrar esses ataques é urgente a unificação das greves sanitárias, em primeiro lugar em BH e região metropolitana, começando por cobrir de solidariedade a greve dos educadores em Betim e contra a medida autoritária de Zema e da justiça contra a greve sanitária estadual. Pois barrar os ataques em Betim é um passo fundamental para impedir que medidas análogas sejam feitas em outras escolas, de forma a impedir o direito de greve e de luta. Assim como para fortalecer a luta contra Zema e todos os ataques que ele e o governo Bolsonaro e Mourão impõe à educação.

Um comando de greve metropolitano para organizar a luta e atos coordenados em Betim e na RMBH

Para permitir a unidade de trabalhadores da educação, professores, ASB, ATB, terceirizados e a organização efetiva da greve sanitária, é urgente a organização de um comando de greve metropolitano para organizar a nossa luta em solidariedade aos trabalhadores de Betim e contra o retorno presencial inseguro, com representantes de trabalhadores eleitos nas escolas, em que os trabalhadores da educação possam se organizar junto à comunidade escolar, começando pela unidade de professores junto às trabalhadoras ASB, ATB e terceirizadas que estão trabalhando presencialmente há meses. Essa forma de organizar nossa luta é a única que pode fazer com que sejam os trabalhadores a tomar a greve em suas próprias mãos e fortalecer a batalha contra os ataques.

Desde o início da greve, nós de MRT denunciamos práticas burocráticas da direção estadual do SindUTE/MG (CUT), de divisão da organização da nossa categoria e defendemos propostas para fortalecer a organização de base contra os ataques (veja aqui e aqui) para organizar a nossa resistência.

Agora é ainda mais urgente a unificação de trabalhadores da educação numa mesma greve e em um mesmo comando de greve para unificar as forças contra os ataques do governo. Se os problemas dos trabalhadores e do povo são os mesmos, porque aceitar a divisão de nossa greve conforme calendários de retorno impostos pelas prefeituras? Os governos articulam e unificam seus ataques, nós trabalhadores temos que fazer o mesmo contra eles!

Unificar nacionalmente as lutas contra os governos: por um plano de lutas por uma greve geral de trabalhadores

Junto ao retorno presencial inseguro, estão os demais ataques do governo Bolsonaro, Mourão, militares, os do STF e do Congresso. Pois quando é para atacar os trabalhadores e o povo eles andam de mãos dadas, como vimos na semana passada a aprovação pelo Congresso da MP 1045 de Bolsonaro, que retira ainda mais direitos trabalhistas da juventude e do povo pobre, como férias, 13º salário e FGTS. E preparam a aprovação da Reforma Administrativa, que vai destruir o serviço público atacando direitos dos trabalhadores e piorando a qualidade do atendimento para a população. Além de projetos privatizantes como na educação, na Petrobras e nos Correios, que são ataques contra o povo que passará a arcar com as mazelas das privatizações.

Apenas a unidade entre trabalhadores e a população que pode barrar esses ataques, por meio de uma greve geral, que deveria ser chamada pelas centrais sindicais urgentemente, unificando as lutas isoladas em curso. Ao contrário disso, o PT, que é o partido que ocupa majoritariamente os cargos na direção do nosso sindicato, é o mesmo que impõe o retorno presencial inseguro em Contagem, junto com o MDB, na gestão de Marília Campos. O PCdoB é o mesmo que participa do governo Medioli com a secretária de educação de Betim, em meio a esse escandaloso ataque, e que dirige a CTB, que ainda não se pronunciou sobre essa relação absurda. São exemplos que mostram como a agenda desses partidos, de aliança com a direita e de apostar em uma frente ampla para as eleições de 2022, é a receita para deixar passar mais ataques aos trabalhadores e apenas desgastar o governo Bolsonaro, sem derrotá-lo. O que vai na contramão de uma luta para derrubar esse governo e enfrentar a extrema direita e a direita.

Nós do MRT defendemos a unidade de trabalhadores com a população, com as mulheres, negros e negras, indígenas, de forma a fortalecer as saídas que apostam na luta de classes, e que os sindicatos e centrais sindicais estejam a serviço dessa unidade. Luta que está colocada novamente agora frente à greve sanitária na rede estadual de educação e em defesa incondicional dos trabalhadores de Betim contra os ataques. Por isso é urgente que os partidos de esquerda, como PSOL, PSTU, UP e PCB, somem-se a nós exigindo desde as categorias em que estão e sindicatos que dirigem, que a CUT, a CTB e as demais centrais sindicais convoquem uma greve geral para que os trabalhadores, junto com a população, possam efetivamente lutar contra esse governo reacionário de Bolsonaro, Mourão e dos militares de forma a derrotar seus ataques, bem como de todos os governadores como Zema e prefeitos como Medioli.




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