Opinião

CRISE SANITÁRIA

Unidade internacional de trabalhadores contra a ganância imperialista

Tentam reduzir as saídas para a crise econômica e social a respostas que terminam por prolongá-la. Tudo isso para não arrancar a raiz dos problemas.

Lina Hamdan

Estudante de Artes Visuais na UFMG

terça-feira 23 de março| Edição do dia

(imagem: Bailey Edward)

Não há um só dia que deixamos de escutar de jornalistas e apresentadores, na boca de políticos (dos mais reacionários como Bolsonaro e seu clã de corruptos aos mais "progressistas"), juízes e representantes de órgãos internacionais que a saída hoje para a enorme crise pandêmica brasileira, que ameaça a vida e a economia de países em todo o mundo, se encontra em aguardar a vacinação em massa.

Bolsonaro e sua ala de políticos escabrosamente negacionistas passaram a defender a obviamente necessária vacina apenas mais recentemente, o que os colocam evidentemente no hall dos principais responsáveis pela crise, aumentando o descontentamento de massas com o governo genocida. Outros, defendem a vacina combinada com um "fique em casa" seja através da "boa resposabilidade" da população que passa fome, seja de lockdown de serviços "essenciais" - cuja essencialidade é ditada pelos banqueiros, grandes empresários, latifundiários e seus representantes político estatais, não pelo trabalhador que segue fazendo parafuso para carro numa situação de uma morte de covid a cada 30 segundos. Numa situação em que a fome e a população de rua voltam a ser uma realidade gritante mesmo em cidades pequenas. Uma situação em que "talvez" produzir mais carros não deveria ser exatamente a prioridade.

O ponto comum por trás dessas diferentes respostas está em construir uma ideia de que aguardar a vacina é essencialmente a única coisa que podemos fazer enquanto seguimos nossas vidas "normalmente" ou seguimos fazendo um eterno e pouco possível isolamento social às cegas, com o objetivo de esconder a real solução para a crise sanitária, econômica, alimentar, social. Por que esconder a solução? Porque essa necessariamente entraria em choque com o lucro desse punhadinho de gente que, em meio às suas disputas particulares, busca ditar as regras da produção e dos serviços.

Está aí, na mudança de quem toma essas as rédeas, a solução dos problemas. Os governos, em seus diferentes níveis, administram a crise dizendo que não há recursos, mas se houvesse uma intervenção estatal que colocasse as indústrias farmacêuticas, as fábricas, hospitais, laboratórios, hotéis, etc sob gerência dos próprios trabalhadores, a produção e o serviço desses locais estariam para servir à solução da hecatombe. Para que os cálculos deixem de estar em função do lucro, as patentes virem pó, os leitos privados sejam todos estatizados para que não haja desigualdade de classe e raça nas filas dos hospitais, os hotéis sejam tomados pelos trabalhadores para os quartos servirem para o isolamento racional da população, para que os pesquisadores e laboratórios possam ter acesso gratuito às fórmulas de produção de vacinas e medicamentos, para que as fábricas parem de produzir para montagem de carros e produzam para ter mais equipamentos hospitalares.

E assim como o controle sobre a produção e distribuição de vacinas, de testes, de remédios sedativos para intubação, de equipamentos de alta tecnologia hospitalar é hoje parte de uma rede internacional, na qual os grandes monopólios regulam a chegada desses produtos ou de seus insumos aos países mais pobres, dependentes e semicoloniais como da América Latina, Ásia e África, onde o povo está sofrendo uma verdadeira catástrofe, os trabalhadores do mundo todo podem se organizar para tomar as rédeas da produção de seus próprios locais de trabalho, criando as condições para que auxiliem seus irmãos de classe para além das fronteiras, independente de qual governo esteja hoje à frente destes países que carecem de ajuda.

A solução não está na expectativa de que empresas e governos imperialistas sejam caridosos ao receberem petições online ou declarações de ajuda e passem a ajudar os países dependentes. Mesmo governos ditos "progressistas" se recusam a implementar essas medidas de emergência essenciais em seus próprios países, privilegiando a manutenção do lucro de poucos.

Uma solução que contrapõe a racionalização (ou planificação) da economia controlada pelos trabalhadores à anarquia capitalista. Tais medidas, como a estatização das industrias farmacêuticas e a quebra de patentes, que resolveriam na raíz do problema sanitário só podem ser conseguidas através da organização da luta em cada local de trabalho, mesmo que do pequeno, garantindo comissões de higiene e segurança sanitária auto-organizadas para que os protocolos contra a disseminação da infecção sejam definidos pela própria base de trabalhadores, organizando em especial as demandas mulheres, que tiveram jornadas de trabalho doméstico intensificadas na pandemia, e todos os grupos de risco. E que os trabalhadores de serviços ligados ou que podem se ligar ao combate à pandemia tomem pra si as demandas dos setores mais precários, da juventude, dos negros, que são os que sem dúvida são os mais afetados pela crise econômica e sanitária.

Para isso, é preciso também combater as burocracias sindicais de cada país do mundo, pois todas durante toda a pandemia, se recusaram a organizar a luta por essas medidas necessárias. O aumento de greves e da demanda de sindicalização nos EUA, como de trabalhadores da Amazon, mostram uma força de reorganização de trabalhadores no coração do imperialismo que vai nesse sentido antiburocrático.

Querem ditar e cerrar as opções de saídas pra crise pra que não possamos ver que existe uma saída diferente, de enfrentamento com a lógica nacionalista reacionária dos Estados cujas economias são as mais pujantes e controladoras do mundo, de enfrentamento à especulação com nossas vidas e mortes pelas multinacionais que seguem se enriquecendo. Uma saída cujas rédeas estejam nas mãos internacionais da classe trabalhadora. Não há tempo a perder.




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