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2 de Outubro | Unidade de ação é dos trabalhadores e movimentos sociais contra o desemprego, a inflação e a destruição ambiental

Babi DellatorreTrabalhadora do Hospital Universitário da USP, representante dos trabalhadores no Conselho Universitário

quarta-feira 29 de setembro | Edição do dia

Os atos de 02/10 contra Bolsonaro se aproximam e os debates sobre quais alianças os trabalhadores e a esquerda devem fazer ganham o primeiro plano novamente. Ainda que distante das eleições de 2022, as disputas eleitorais permeiam o cenário e pressionam alguns setores da esquerda a se apoiar nisso e não nas lutas de resistência da classe trabalhadora e dos povos indígenas para construir a força capaz de se opor a Bolsonaro e também às reformas anti operárias e toda destruição ambiental.

Todos os jovens, trabalhadores, militantes de esquerda que se propõem a lutar pelo Fora Bolsonaro e Mourão desejam profunda e sinceramente construir a mais ampla unidade, ou seja, mobilizar a maior força possível capaz de levar essa luta até a vitória.

Entretanto, a unidade com partidos de direita não fortalece a luta contra Bolsonaro. Porque ao mesmo tempo em que se colocam, no discurso, como oposição ao governo, mantém um acordo programático muito firme com o presidente e seu clã no que diz respeito às medidas para desmantelar direitos elementares dos trabalhadores como a aposentadoria, a educação e a saúde, na flexibilização das leis ambientais que favorecem o agronegócio, permitiram o fechamento de fábricas por todo o país, facilitaram a demissão aumentando o desemprego.

Em nenhum estado ou cidade dirigidos por partidos de direita de oposição à Bolsonaro, como o PSDB, houve uma política de combate ao desemprego que envolvesse a proibição das demissões, oferta de crédito a juros baixo para o pequeno comerciante não falir, redução das horas de trabalho sem redução de salários. Garantia de direitos para um trabalho digno aos entregadores de aplicativo. Para combater a fome, não se viu uma política de controle de preços dos alimentos básicos e do gás de cozinha, aumento automático dos salários de acordo com a inflação do mês, ampliação dos restaurantes populares onde a refeição custa R$1,00.

Bolsonaro é uma figura odiosa que traz ao presente um pouco do que a burguesia foi (e é) capaz de fazer contra os trabalhadores no campo e na cidade, contra a juventude e as mulheres nas torturas durante os anos de ditadura. Mas ele é mais que isso. Bolsonaro leva à frente um programa político-econômico e ambiental de ataques contra o qual também temos que lutar. A direita tradicional tem acordo com esse programa, por isso não é nossa aliada.

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Desde o início do ano, importantes lutas de resistência estão ocorrendo dentro da nossa classe, em particular no setor privado, mas também no setor público. Foram lutas por igualdade entre efetivos e terceirizados, por participação nos lucros, contra demissões, contra privatizações, por direitos. Essas lutas mostram a disposição da nossa classe para resistir aos ataques. Em algumas delas, os trabalhadores foram muito ativos e esse é um fator fundamental para o desenvolvimento da auto-organização.

Coordenar essas lutas, unificá-las para que não fiquem isoladas, levar suas bandeiras para as manifestações permitiria dar um caráter não eleitoral aos atos com uma política independente da oposição de direita que busca se localizar como 3ª via, ao mesmo tempo que superaria a política do PT e das direções das grandes centrais sindicais como CUT e CTB que buscam apenas desgastar Bolsonaro para eleger Lula em 2022. A luta destes trabalhadores e estes elementos de atividade operária e, mais embrionários, de auto-organização assim como a valorosa luta dos povos indígenas contra o Marco temporal e devastação ambiental deveriam ser os pontos de apoio para desenvolver uma esquerda revolucionária com uma política de independência de classe e construir uma verdadeira unidade de ação dos trabalhadores.

Nos atos do dia 02 de outubro contra Bolsonaro, nós do Movimento Revolucionário de Trabalhadores fizemos um chamado a construir blocos classistas e levar às ruas, em defesa dos trabalhadores, da juventude e dos indígenas, um programa de reajuste salarial mensal de acordo com a inflação para combater a fome e a alta dos preços. Exigir empregos com direitos para todos através da divisão das horas de trabalho sem redução de salário. Pela demarcação das terras indígenas e reestatização dos parques nacionais.

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Consideramos que não há nenhum motivo para não marchamos juntos nos atos, sob as bandeiras do classismo, mesmo tendo entre nós diferenças políticas que podemos continuar debatendo. Por exemplo, para a crise política, o MRT defende uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana imposta pela luta e toda a esquerda defende o impeachment. Isso porque entendemos que essa seria a forma pela qual os trabalhadores poderiam ter maior protagonismo dentro dos marcos da democracia burguesa, combatendo todos os atores do regime e não apenas Bolsonaro. E vemos que o impeachment ajudaria a desviar o sentimento das massas para uma estabilização do regime preservando a atual estrutura do regime e seus atores, que hoje conta com uma forte participação dos militares, autoritarismo do judiciário e um Congresso anti-operário e popular. Mas esses são debates que podemos seguir.

Um bloco coeso com esse programa seria uma demonstração para que não reste dúvida do que estamos defendendo, e quem queira estar junto terá que defendê-lo também. Com certeza o PSDB e o MBL não estarão nesse bloco. Mas, por outro lado, essa fortaleza pode impulsionar outros trabalhadores em seus locais de trabalho, jovens, a se organizarem com seus companheiros a buscarem esse bloco.




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