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Unidade com os trabalhadores e não com a direita: o exemplo da esquerda argentina para o Brasil

Nossos hermanos latino-americanos dão um grande exemplo de como lutar de maneira unificada em defesa dos trabalhadores e dos setores oprimidos mobilizados. No Brasil onde a esquerda vê tipos como Kataguiri, Frota e Hasselmann como aliados e impeachment como saída, trata-se de uma lição de independência de classe urgente.

quarta-feira 28 de abril | Edição do dia

Foto: Sebastian Linero (@juanseline) / Instagram

Vergonhoso o nível de adaptação que a esquerda brasileira vem apresentando ao regime do golpe e suas instituições nos últimos anos, algo que ganhou um novo capítulo com o projeto de “superimpeachment” da semana passada. A frente amplíssima reuniu PT, PSOL, PSTU e UP com lava-jatistas que ajudaram a alçar Bolsonaro à presidência, como Joice Hasselmann (PSL), Frota (PSDB) e Kim Kataguiri, os mais novos defensores dessa “democracia” de instituições degradadas e inimigas dos trabalhadores.

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Enquanto todas as principais forças políticas da esquerda institucional brasileira sentavam em uma sala de zoom com a direita para suplicar um impeachment ao Congresso ou STF, e consequentemente colocar um militar como Mourão no poder, preparava-se na Argentina um grande ato de unificação da classe trabalhadora e dos setores populares contra os ataques dos capitalistas e pelo fortalecimento das reivindicações de cada setor em luta. Abismal a diferença de política.

Votado no dia 17 de abril por mais de 4.000 trabalhadores, reunidos virtual e presencialmente na cooperativa gráfica Madygraf, o bloco do ato de ontem (27) reuniu movimento de desempregados, sindicalismo de base, trabalhadores dos transportes, da saúde, da educação, dos aplicativos, portuários, terceirizados de diversos setores, o movimento de ocupações de terras por moradia, o movimento estudantil e a esquerda combativa, isso para citar só alguns. Marcharam juntos pelas ruas da capital em apoio às lutas, por vacinas para todos, por auxílio emergencial, e contra os empresários, a burocracia sindical e o governo, que se reuniam para negociar um ajuste do salário mínimo muito abaixo do valor da cesta básica.

Uma unidade e auto-organização assim não é fruto do acaso, e sim da atuação consciente de uma esquerda profundamente conectada à classe trabalhadora e cada processo de luta operária e popular. O PTS, partido irmão do nosso MRT, bem como a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade (FIT-U) que integra, atua diariamente para fortalecer e impulsionar cada um desses setores, confiando apenas na unidade revolucionária dos trabalhadores e dos oprimidos como uma saída contra cada mazela que o capitalismo nos impõe.

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A esquerda institucional brasileira está depositando suas energias em manobras com a direita e nos bonapartismos inimigos da nossa classe, as centrais sindicais, dirgidas por PT e PCdoB, convidam a direita para o 1º de maio, e demonstram em suas traições o quanto suas cúpulas estão alinhadas com os empresários. Precisamos nos inspirar no exemplo argentino e fortalecer uma alternativa distinta, uma alternativa dos trabalhadores, para os trabalhadores e todos os que sofrem com a miséria capitalista, o machismo, o racismo, a LGBTfobia e todo tipo de opressão.

Precisamos erguer um movimento que lute pela unificação nacional das lutas em curso, fortalecendo cada uma delas contra os ataques de Bolsonaro, dos governadores, dos empresários, mas também das instituições golpistas e autoritárias do regime. Imagine a força de uma luta conjunta das diversas categorias que estão se levantando pelo país, ainda de maneira isolada. Contra as demissões ao lado das trabalhadoras da LG - diretas e terceirizadas; contra a privatização da Caixa, da CEDAE, Petrobrás e todas as estatais; que lute por vacina para todos e em defesa das trabalhadoras da saúde de todo o país; em defesa das merendeiras do Rio, dos professores, funcionários e comunidades escolares que governadores e prefeitos querem forçar ao retorno presencial inseguro no meio da pandemia. Uma frente como essa, encabeçada pela classe trabalhadora e através de seus métodos de mobilização, organização e greve, deve também abarcar as lutas pelos direitos mulheres, do povo negro, dos indígenas e imigrantes.

Não pode ser que, em meio à crise e à pandemia, coloquemos nossas vidas nas mãos dos mesmos golpistas que se unem sempre que o plano é garantir o lucro dos empresários às nossas custas. Nem podemos confiar em partidos que não constroem nenhuma resposta a não ser as saídas eleitorais, e que passam longe de qualquer independência de classe. A força da unidade dos trabalhadores, junto com a juventude e os setores oprimidos da sociedade, pode dar uma saída independente para essa crise sanitária, econômica e social.




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