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Uma criança baleada por hora no Brasil: "direitos da infância" sob Bolsonaro

De acordo com o site Fogo Cruzado, desde o início de 2020, 20 crianças foram baleadas na região metropolitana do Rio de Janeiro, e uma a cada hora em todo o país. Enquanto 9 milhões entram na extrema pobreza em todo o Brasil.

quarta-feira 14 de outubro| Edição do dia

A situação de meninos e meninas no Brasil é crítica na semana do “Dia das Crianças” no país, pois sofrem diferentes formas de violência estatal e institucional.

Desde o início de 2020, pelo menos 20 crianças foram baleadas no total, seis morreram e 14 foram feridas por balas perdidas ou em confrontos diretos. Este dado é semelhante ao registrado no mesmo período de 2019, que teve 5 mortos e 15 feridos, mostra que, em uma suposta condição de igualdade de direitos, as crianças nem mesmo têm direito à vida.

A Constituição e do ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) asseguram que meninos e meninas têm direitos iguais no país, no entanto, eles não têm a própria condição de sobrevivência, conforme indica investigação do site Fogo Cruzado que, a cada 20 crianças baleadas na Região Metropolitana do Rio, 14 foram vítimas de balas perdidas (ou seja, não participaram dos fatos que desencadearam os disparos) e três morreram.

Segundo dados do site, cinco crianças foram vítimas de tiroteios com a presença de policiais, duas foram baleadas em cidades próximas às bases das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) e sobreviveram. Três foram baleadas enquanto estavam em casa, um deles morreu.

Em 2019, a Sociedade Brasileira de Pediatria indicou que a cada 60 minutos uma criança ou adolescente, até 19 anos, morre no Brasil em decorrência de ferimentos por arma de fogo. Pegando os dados de 1997 a 2017, período da pesquisa, foi revelado que cerca de 145.000 jovens morreram por disparos acidentais ou intencionais. O relatório da Sociedade Brasileira de Pediatria acrescentou que a cada duas horas uma criança ou adolescente entra em um hospital público com ferimentos à bala, enquanto no total se vê que uma criança ou jovem morre por hora por arma de fogo.

O Brasil possui a maior taxa anual de homicídios do mundo, com 30 casos por 100.000 habitantes. Na última década, cerca de 553.000 pessoas morreram por violência intencional.

Esse aumento nos casos de mortes de jovens por armas de fogo se deve ao aumento da pobreza extrema, e pelas saídas dadas pelo Governo: aumento da militarização da Polícia e maior repressão estatal.

Antes da pandemia, em maio de 2019, estudo da Fundação Abrinq revelou que 63,5 milhões de pessoas vivem na pobreza no Brasil, das quais 26,8 milhões vivem em extrema pobreza, vivendo com até um quarto do salário mínimo. Das 26,8 milhões de pessoas, 9,4 milhões são crianças e adolescentes em situação de extrema pobreza e 10,6 milhões na pobreza.

Após o golpe institucional de 2016, o regime foi destruindo gradativamente as condições mínimas de vida no país. Hoje, principalmente devido ao impacto da crise econômica acelerada durante a pandemia, os mais pobres e os trabalhadores, em sua maioria afrodescendentes, constituem a massa da população desempregada devido à reforma previdenciária de Bolsonaro. As medidas bolsonaristas abriram caminho para cortes de salários e suspensões de contratos durante a pandemia. Nesse cenário, as crianças não ficaram de fora.

A miséria é generalizada. No Brasil de Bolsonaro, 31 milhões (16%) de brasileiros não têm água em casa, o que não permite nem lavar as mãos com sabão. Outros 5,8 milhões de pessoas não têm banheiro em casa, em um país onde 74,2 milhões (37%) vivem em áreas sem esgoto, onde as crianças não têm as condições mínimas de higiene para sobreviver.

No governo de extrema direita de Bolsonaro, milhões de crianças passam fome porque suas famílias estão desempregadas, não têm direito à infância porque precisam trabalhar e nunca terão acesso a uma educação pública de qualidade, e são meninas estupradas são impedidas, junto com a Igreja, de prosseguirem com abortos.

Meninos e meninas sofrem no Brasil, como em todos os países do mundo, diferentes formas de violência, todas elas são a cara do capitalismo.




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