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Um programa operário contra a carta dos 500: que os capitalistas paguem pela crise

Recentemente uma parcela da elite financeira brasileira assinou uma carta aberta que pedia “medidas efetivas de combate à pandemia”, que contou com banqueiros, economistas e nomes do mercado financeiro. Frente a incapacidade do regime de resolver a crise econômica e sanitária, precisamos de um programa operário para que não sejamos nós a pagar por essa crise.

quinta-feira 25 de março| Edição do dia

A carta assinada por nomes como Roberto Setubal e Pedro Moreira Salles, co-presidentes do conselho de administração do Itaú Unibanco, José Olympio Pereira, presidente do Credit Suisse no Brasil, Pedro Parente, presidente do conselho de administração da BRF, que detém as marcas Sadia e Perdigão, Paulo Hartung, ex-governador do Espírito Santo e hoje presidente-executivo da Ibá e Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central, tem por objetivo lavar cinicamente a mão destes setores da elite financeira frente de responsabilidade sobre a catástrofe pandêmica e econômica que vivemos, como analisamos aqui e aqui.

Em suma, a carta enquadra demagogicamente Bolsonaro frente a lentidão das vacinas e negacionismo quanto ao isolamento social, ao mesmo tempo em que reivindica a ação dos governadores e prefeitos em sua atuação na pandemia. Setores que a pouco tempo eram a favor de uma reabertura a qualquer custo e que se utilizaram da MP 936 no ano passado para cortar salários e demitir, hoje, temendo que a imunização lenta vá prejudicar uma retomada econômica, e assim seus lucros, se colocam como defensores da vacinação, do isolamento social e do uso de máscara.

Na realidade, Bolsonaro, governadores, STF, congresso e todo regime do golpe, funcionam como balcão de negócios da burguesia brasileira, que por sua vez são os responsáveis pela tragédia em que vivemos, pois não se importam com a vida das e dos trabalhadores, com as famílias que perderam entes queridos, mas sim com a possibilidade de seus lucros bilionários diminuírem frente a retomada econômica de outros países. Não podemos confiar nessa elite financeira para garantir as melhores condições de combate a pandemia, nem em Bolsonaro, ou qualquer ator desse regime, precisamos confiar em nossas próprias forças e ter um programa operário independente.

Neste programa defendemos, em contraposição a demagogia dos banqueiros que rechaçam um auxílio emergencial pelo seu “alto custo”, o confisco dos lucros dos grandes empresários e figuras do mercado financeiro, para utilização desse enorme capital em combate à pandemia e pagamento de um auxílio igual a um salário mínimo. Também defendemos o confisco de grandes hotéis, para serem usados como leitos normais e de UTI.

Assim como levantamos há 1 ano, é fundamental para o controle da pandemia os testes massivos, pois sem eles não poderemos ter um rastreamento inteligente do vírus e mapear os lugares com maior contaminação. É fundamental também que seja organizado um plano de vacinação massiva, feito por trabalhadores da saúde auto organizados e, juntamente com isso, a quebra das patentes, para que se pudesse produzir livremente as vacinas. Para que conseguíssemos cuidar de todos os infectados, é também necessário a contratação de todos os profissionais de saúde aptos a trabalharem e o treinamento, se necessário.

Para além disso, é importante que haja reconversão das indústrias, sob controle dos trabalhadores, para produção de insumos, equipamentos médicos, como respiradores e EPIs para todos aqueles que tem que continuar a trabalhar.

Juntamente a estes pontos de programa defendemos também uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, imposta pela força da mobilização que dê à população o direito de decidir sobre os rumos do país, enfrentando o regime do golpe e os resquícios da ditadura que seguem existindo, como a absurda LSN. Uma ACLS questionaria também todas as reformas, como a da previdência e a trabalhista, superando o legado golpista dos anos recentes.

A unificação dos setores mais oprimidos como os negros e as mulheres e a classe trabalhadora é a enorme força que pode levar isso adiante. Nesse caminho os trabalhadores poderão avançar, com sua auto-organização, na luta por um governo de trabalhadores de ruptura com o capitalismo.

Este programa apresentado aqui deveria ser tomado pelas centrais sindicais, como a CUT e a CTB, que hoje são dirigidas majoritariamente pelo PT e PCdoB, pois seguem em paralisia em meio ao pico do número de mortes, apostando todas as suas fichas em 2022. O 24 M poderia ter sido um primeiro passo na organização e mobilização dos trabalhadores, mesmo que no meio da pandemia, ao invés de ser um chamado de “lockdown dos trabalhadores”, chamando a todos os trabalhadores para que individualmente decidissem se iriam trabalhar ou não, não organizando nada verdadeiramente desde a base.




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