Internacional

CONFERÊNCIA NACIONAL DO PTS

Um partido para que triunfem os explorados

domingo 6 de dezembro de 2020| Edição do dia

1. A nova etapa abre a possibilidade de uma esquerda revolucionária que se proponha superar a influência do peronismo na classe trabalhadora

A experiência da ocupação de terras em Guernica antecipa uma tendência que irá se generalizar: setores de trabalhadoras e trabalhadores que se enfrentam com o governo em que votaram. Quando as famílias trabalhadoras não aceitaram as “soluções” que implicavam em seguir vivendo na miséria sem sequer um terreno onde pudessem construir suas próprias casas, como ofereciam Larroque e Kicillof, a resposta do governo da Frente de Todos foi se juntar com a polícia de Buenos Aires, juízes e fiscais reacionários para recorrer ao cacetetes da defesa da grande propriedade privada dos empresários que conseguiram aqueles terrenos graças a terem sido funcionários da ditadura. O governo de Cristina Fernández e Daniel Scioli já havia reprimido os trabalhadores nas lutas da Kraft em 2009 e da Lear em 2014 (com Berni e seu “gendarme carcará”), mas estas acabaram sendo experiências isoladas.

Pela mudança de situação que analisamos nas “teses sobre a situação política nacional, se abre a possibilidade de que se desenvolvam duras lutas da classe trabalhadora, do povo pobre, das mulheres e da juventude, acelerando a experiência com o novo governo peronista e, portanto, gerando as condições para que surja um poderoso partido das e dos trabalhadores, socialista e revolucionário, composto pelos setores mais avançados que assumam a luta por um governo das e dos trabalhadores, que seja reconhecido como força dirigente por camadas crescentes do povo trabalhador. O ataque do governo contra “os troskos” por causa de Guernica é expressão do lugar ganho pela esquerda anticapitalista e socialista em nosso país, praticamente como única referência à esquerda do governo. O PTS aposta em ser um fator chave no surgimento desse partido, sem o qual os grandes choques entre as classes que veremos nos próximos meses ou anos serão desviados em direção a novos ensaios de impossível conciliação com os interesses do grande capital, a novas derrotas, maior perda de conquistas e retrocesso nacional.

A direita mais abertamente empresarial e neoliberal, antes representada pelo partido militar, conseguiu criar uma força política que chegou ao governo com Macri. O fracasso retumbante do macrismo os deixou novamente em minoria, mas atuam diariamente como uma grande coalizão que defende decididamente seu programa e interesses.

Nós, exploradas e explorados, precisamos de uma força política que faça jus ao nosso peso social majoritário. Queremos um grande partido para organizar as lutas e sua coordenação democrática para que triunfem, começando com varrer a burocracia sindical de nossas organizações (o que gerará sua resposta violenta). Um partido para defender o único programa realista frente à catástrofe que temos que viver: atacar a grande propriedade latifundiária, agrária e industrial dos monopólios imperialistas, dos “fugitivos em série” de capital para o exterior, do capital financeiro, dos históricos massacradores (desde a época da conquista até a última ditadura militar) que pretendem outra vez que paguemos sua festa. Esse programa que viemos defendendo a partir da Frente de Esquerda e dos Trabalhadores Unidade, hoje pode ser crescentemente assumido como seu por centenas de milhares.

Um partido assim, organizado para ser eficaz na luta, para vencer, pode terminar com a resignação que nos é imposta de todas as alas do peronismo e da centro-esquerda: “não tem relação de forças”, como se as grandes mobilizações que foram parteiras da história não tivessem precisamente o objetivo de mudar a relação de forças. Sem construir esse partido, só nos resta lamentar e ver como a classe capitalista inventa alguma nova mentira para seguir com seus negócios. Um partido dessas características significa superar a experiência histórica do peronismo, o partido que há 75 anos se atribui a representação da classe trabalhadora, mas que na realidade, nas últimas décadas, tem sido o partido do grande capital (com Menem nos anos 90, aliado ao partido de ultradireita de Alsogaray), o partido da ordem (com Duhalde em 2001), o partido da ilusão de “um país onde todos ganhamos” (um “bom capitalismo”) com Néstor e Cristina Kirchner. Esse último terminou, diante do esgotamento do ciclo econômico, atacando parte de sua própria base social (setores da classe trabalhadora e da baixa classe média que pagavam o imposto salarial e passaram à oposição, primeiro com Massa e vários governadores e logo com Macri). Esse partido abriga a burocracia sindical que amarra o enorme poder da classe trabalhadora, e conta com o apoio dos dirigentes de grande parte dos ditos movimentos sociais, que controlam milhões de trabalhadores e trabalhadoras informais ou desempregados. São os aparatos burocráticos paraestatais que impedem a unidade da classe trabalhadora e do povo pobre para enfrentar as patronais e seus agentes. Esse partido é o que vem há anos buscando recompor o poder de fogo do aparato estatal, preservando as Forças Armadas e desenvolvendo as polícias provinciais e as forças de segurança (Gendarmeria e Prefeitura).

A crise que enfrenta o governo de Alberto Fernández e Cristina Fernández Kirchner golpeia um peronismo transformado, na verdade, em uma coalizão de diferentes partidos. Sua crise terá múltiplas expressões, com giros à direita e à esquerda da própria coalizão de governo, com rupturas e realinhamentos, como escrevemos nas “Teses…”.

Frente a esse cenário, é preciso assumir o desafio que significa que, pela primeira vez na história argentina, a esquerda socialista das e dos trabalhadores chega ao começo de uma etapa de crise do peronismo com força e conquistas acumuladas. Nos anos 1970 as forças predominantes na esquerda respondiam a estratégias frente-populistas (busca de alianças com setores da burguesia), como o maoísmo (PCR, que chegou a dirigir o SMATA Córdoba e o movimento estudantil, antes de terminar apoiando politicamente Isabel Perón), as correntes guerrilheiras de esquerda (PRT-ERP) ou diretamente peronistas (Montoneros). Ao final dos 90, a esquerda classista era muito fraca e marginal. Hoje temos ganhado uma clara presença no cenário político nacional, não só com deputados e deputadas, com Nicolás del Caño e Myriam Bregman como os “nomes próprios” da esquerda mais amplamente conhecidos, como também com meios massivos de difusão, como o La Izquierda Diario, e com milhares de militantes na classe trabalhadora, no movimento de mulheres e na juventude estudantil. A experiência com o novo governo peronista recém começou, mas a dinâmica da crise nos coloca a urgência de aproveitar todas as oportunidades do presente.

A FITU, com toda a importância que tem para agitar em comum a luta pela independência de classes e por um programa transicional por um governo de trabalhadores, não é um partido revolucionário, mas um meio para favorecer essa tarefa estratégica. Até onde um favorece o outro é uma questão que teremos que avaliar permanentemente, como desenvolvemos mais abaixo.

Um partido de trabalhadores, socialista e revolucionário não surgirá como uma mera evolução da nossa organização atual, mas como produto de fusões com tendências com as que conseguirmos uma convergência em função das batalhas da luta de classes a nível nacional e internacional, enquanto desenvolvemos todos os debates ideológicos que fortaleçam as bases teórico-políticas do programa, a estratégia e as táticas que levamos adiante. Em um mundo cada vez mais interligado, atravessado por crises, processos de luta e choques entre os Estados, um partido como o que queremos construir só pode ser internacionalista, ver a realidade desde um ponto de vista internacional, e fazer todos os esforços por construir uma Internacional da Revolução Socialista, que para nós é a Quarta Internacional.

2. O que propomos fazer hoje como PTS?

Em função dessa perspectiva geral, convocamos uma Conferência Nacional do PTS, preparatória de nosso XVIII Congresso Nacional que realizaremos em abril de 2021, para debater as mudanças na política internacional, nacional e nos objetivos do PTS.

A respeito do último, nos propomos:

Conquistar uma corrente orgânica dos setores mais precarizados da nossa classe, em particular da juventude, que seja vanguarda na intervenção na luta de classes, constituindo a “infantaria ligeira” que a classe trabalhadora precisa. Estamos intervindo com força nas ocupações de terras por parte de famílias sem teto. Em Guernica e em outras ocupações, conseguimos começar a nos fundir com famílias trabalhadoras, sobretudo mulheres e jovens, que não conhecíamos previamente e que a experiência acelerada de luta permitiu encontrar fortes pontos em comum na combatividade, na desconfiança com as manobras do governo e na defesa dos métodos democráticos de decisão. Viemos construindo A Rede de Jovens Precarixs, que é parte das lutas dxs entregadorxs (Apps), call centers, trabalhadores do comércio e desempregadxs. O La Izquierda Diario vem cumprindo um papel fundamental em ser a voz de todas essas novas expressões de luta dxs mais exploradxs e oprimidxs. Em nossa Conferência, queremos debater quais são as melhores vias e formas para atuar antes que chegue o ascenso mais generalizado de lutas, frente aos seus primeiros sintomas.

Aprofundar a organização de setores avançados da classe trabalhadora formal e do movimento estudantil, como já viemos fazendo com o Movimento de Agrupações Classistas (MAC) que reúne milhares de companheiras e companheiros de mais de 60 grêmios, de agrupações estudantis em 100 faculdades de 30 universidades nacionais, 62 institutos terciários e 52 colégios secundários, e com milhares de companheiras e companheiros simpatizantes do PTS que colaboram nas distintas atividades com as e os milhares que já integram a militância partidária, com presença em 15 províncias que abarcam mais de 85% da população do país. É claro que é em minoria e com relativa pouca experiência frente aos tempos que iremos viver. Por isso, nesses meses de quarentena temos aproveitado para organizar em plenárias virtuais essa força militante, lutando em cada sindicato ou comissão interna pela auto-organização democrática para lutar pelas demandas mais sentidas e pela unidade das fileiras operárias (contra o corporativismo), em cada universidade ou colégio contra as ilusões no novo governo e pelo apoio aos setores mais golpeados pela crise. Muitos desses companheiros e companheiras são parte das lutas e campanhas que levamos adiante, utilizando o La Izquierda Diario (LID) como “organizador coletivo”. Aos vários milhares que levaram adiante junto conosco o apoio militante até a luta de Guernica, queremos convidá-los a integrarem-se à construção do PTS como militantes. Queremos que sejam parte da batalha por conquistar mais bastiões (lugares onde conquistamos uma força partidária capaz de influenciar politicamente e de lutar contra as patronais, a burocracia ou as correntes políticas predominantes) no movimento operário e estudantil.

Junto com esses desafios estruturais, nos propomos potencializar a luta política e ideológica que damos no LID Multimídia, ferramenta que com muito esforço conseguimos instalar como parte do “sistema de meios de comunicação” políticos nacional, a partir de nossa presença parlamentar e de nossa intervenção na luta de classes. Isso significa saber mostrar o caráter do governo nos separando da oposição de direita e por sua vez combater as ideologias reacionárias disseminadas pelos grandes meios de comunicação e os partidos do regime, que “educam” no respeito religioso à grande propriedade privada, buscam liquidar toda solidariedade entre exploradxs e toda perspectiva de não se resignar a viver de planos sociais, mas sim lutar para colocar a ciência e a técnica a serviço de “trabalharmos menos, trabalharmos todos” e vivermos dignamente. No terreno dos setores que saem à luta e na esquerda, também estamos atravessados em diversos debates. Para isso temos que enfrentar a pressão de “namorar” as lutas como são (sem debater fraternalmente as diferenças que possamos ter com seus protagonistas) ou de intervir como “aparato” que vocifera o programa sem explorar as contradições dos inimigos e adversários para conquistar aliados.

Queremos, por último, aprofundar tanto o internacionalismo (como parte da Rede Internacional de diários digitais publicados em 14 países e 8 idiomas, junto com as organizações que integram a Fração Trotskista - Quarta Internacional) como a luta teórico-ideológica. Nesse terreno, publicamos o suplemento semanal Ideias de Esquerda, incorporamos envios semanais do Newsletter do El Círculo Rojo e do La Izquierda Diario e do Ideias e Universidade (que já chega a 16 números editados esse ano), assim como novas edições dos livros do IPS-CEIP e cursos e seminários do Campus Virtual.

Queremos aproveitar os primeiros embates da luta de classes para nos fortalecer e chegar melhor preparados ao ascenso generalizado de lutas que cedo ou tarde virá. Queremos ensaiar as vias para desempenhar um papel protagonista nos acontecimentos que configurem cenários de possíveis giros históricos. Somos uma organização “em transição” a um verdadeiro partido que se converteu, após nosso triunfo nas PASO da FIT em 2015 e a divisão do PO, que terminou com a ruptura/expulsão (dependendo de quem olha) de Altamira, Ramal e mil militantes, na principal força política da esquerda. Essas conquistas têm um perigo “tradicional” no movimento trotskista de se converterem em uma pressão conformista, de espera passiva que a “radicalização” irá nos prover melhores frações no movimento operário e estudantil, bem como avançar na superestrutura política. Uma pressão conservadora do conquistado, que é notoriamente pouco em relação às e aos milhões que integram a classe trabalhadora e a juventude potencialmente combativa. Isso já viemos debatendo há tempo no PTS. Com essa localização nunca teríamos feito vários ensaios de frentes de esquerda (no começo contra a autoproclamação do PO), lançado o La Izquierda Diario, com tudo o que implicou para o PTS (Influenciando no triunfo de 2015 nas PASO da FIT) nem teríamos nos proposto a construir a Rede de Precárixs, ainda que por hora apenas demos os primeiros e tímidos passos, ou a nível internacional não teríamos tido diversas iniciativas para construir a FT-QI e a Rede Internacional de diários digitais. Obviamente, o que define é a capacidade de responder de forma revolucionária aos desafios da luta de classes.

Por isso, queremos começar definindo quais podem ser as variantes de desenvolvimento dos fenômenos políticos e da luta de classes, e em função disso ver os desafios a que nos propomos. Começaremos assim uma tarefa de relocalização estratégica que teremos que encarar enquanto “intelectual coletivo”.

3. Cenários possíveis da luta de classes e a radicalização política

Como destacamos nas “Teses sobre a situação política nacional”, a crise econômica, social e política é mais dinâmica que os primeiros sintomas da luta de classes abertas (apesar de o governo manter sua coalizão unida). Por isso dizemos que a situação pré-revolucionária é incipiente.

Os processos de luta das e dos explorados e oprimidos são sempre desiguais. Lembremos que logo após as jornadas revolucionárias de dezembro de 2001 que derrubaram De La Rúa, ainda que tenham ocorrido 9 paralisações gerais anteriores durante o governo da Aliança, a classe trabalhadora empregada foi contida pela burocracia e “disciplinada” pelo medo do desemprego que chegou a quase 20% em 2002. Só apresentou uma pequena camada de vanguarda com as fábricas sob gestão operária (uma minoria dirigida pela esquerda classista, com Zanon e Brukman como as principais, e uma maioria cooperativista dirigida por diferentes agrupações peronistas) e em menor medida com alguns sindicatos docentes conquistados por direções antiburocráticas (ATEN, SUTEBA Matanza etc.) e alguns conflitos onde houveram demissões em massa (LAFSA e nos contratados da Pepsico). O grosso da mobilização “de massas” veio das e dos desempregados, com os movimentos “piqueteiros”. Nos anos anteriores se organizaram como movimentos com tendências a levantes semi-insurrecionais em Neuquén, Jujuy e Salta (desde meados dos anos 1990). Logo ganharam peso métodos mais clientelistas, a partir de 2000 no GBA. Em 2004, com quase 2 anos de recuperação econômica (redução do desemprego), começou o processo do “sindicalismo de base” nas telefônicas, Metrô, etc., que foi se estendendo a vários setores do movimento operário até 2011, quando começaram uma série de derrotas por cooptação (alimentos) ou ataques diretos (Lear, Gestamp, fechamento da Donnelley, etc) que sofremos na própria pele. Contraditoriamente, a recuperação econômica freou o processo de fechamento de fábricas que poderia ter disseminado as ocupações, e fortaleceu as tendências mais reformistas (nos deixando em minoria total, com nossa fração em Zanon e, mais debilitada ainda, na Brukman).

Quais setores podem ser dinâmicos hoje?

3.b Os setores mais precarizados da classe trabalhadora na vanguarda

Sob o novo governo do peronismo, as primeiras tendências mais radicalizadas da luta de classes se dão nas ocupações de terras, em grande medida espontâneas, impulsionadas pelo desespero e a necessidade, com novxs desempregadxs (que não tem assistencia e são ex trabalhadorxs ou ex autônomxs) e outras pessoas que já vêm dos movimentos piqueteiros (desempregadxs de antes da pandemia). As organizações piqueteiras e também caudilhos peronistas locais de distintos tipos são parte das ocupações, mas não têm um controle monolítico. A demanda motora não são “planos sociais” ou subsídios, mas “terra para viver”, e dessa forma é mais profundo que nos últimos movimentos de desempregados (que diferente daqueles dos anos 90 não são protagonistas de ação direta violenta contra o Estado, mas de marchas pacíficas). Existem tendências à auto-organização, onde as vizinhas e vizinhos, com as mulheres na frente, exigem que as decisões sejam tomadas em assembleias, elegem delegadxs etc. Se esse processo se desenvolve, abre-se a possibilidade de que surjam tendências a uma maior auto-organização e confluência com um programa para que a crise seja paga pelos capitalistas (“terra para viver” efetivamente - não promessas distantes - um enorme plano de habitações populares sob gestão das organizações operárias e populares, começando pelos “sem teto”, questionando a propriedade capitalista da terra). Assim entraram em choque com a política do governo, que deu um salto repressivo e direitista com a reintegração de Guernica. Com a repressão, o governo busca frear o processo. Está por ser visto ainda se poderá conseguir isso momentaneamente, mas a crise empurrará para novas expressões de luta, que acumularão mais ódio contra o desprezo burguês aos que menos tem. A esquerda classista consequente esteve e estará ombro a ombro com elxs. Sua presença é central para lutar por esse programa e por uma organização democrática para a luta, para evitar que se terminem impondo métodos burocráticos e negociações “por baixo”, ou simplesmente a desorganização.

As ocupações vêm presentes em vários municípios da Grande Buenos Aires, em Rosário, Tucumán, Córdoba e outros lugares, incluindo reivindicações de comunidades originárias (Jujuy, Rio Negro).

No começo da pandemia também vimos alguns processos de organização e luta de entregadorxs (de onde surgiu a Assembleia Nacional de Trabalhadores de Entrega, na qual participa A Rede, junto a várias tendências e ativistas independentes), em alguns call centers (principalmente em Tucumán e Córdoba). Nesse último estado, xs trabalhadorxs precarizadxs da limpeza “autoconvocados” levaram adiante um inovador processo de luta e organização, assim como as mulheres feirantes. Em Tucumán, há processos de luta de trabalhadores rurais, dos cítricos e outros ramos, também com setores “autoconvocados”.

Em direção a esse setor queremos impulsionar a construção da Rede de Jovens Precárixs ou outras formas de agrupamentos combativos (como as Comissões de Mulheres, que integram o Movimento de Agrupações Classistas ou grupos de colaboradorxs do La Izquierda Diario), que sejam só um primeiro passo para pôr de pé instituições novas entre militantes do PTS e companheirxs independentes para intervir nessa camada da classe trabalhadora, enquanto impulsionamos acordos com outras forças de esquerda ou combativas para termos política em comum.

Levemos em conta que, em outros países da América Latina como o Chile ou a Colômbia, a juventude precarizada emergiu ano passado como parte mais combativa de processos de revoltas e enfrentamentos com a polícia. Nosso objetivo é que essa força não se disperse em enfrentamentos isolados ou seja canalizada por correntes populistas, e sim que se ligue à construção de organizações que tenham uma estratégia de classe, de mover-se e fundir-se com os batalhões centrais da classe operária, sem a qual estaremos condenados à derrota frente aos capitalistas e seus Estados, ainda mais no marco da aguda crise internacional que não deixa margem para concessões reformistas.

3.c A classe trabalhadora formal e sindicalizada enfrentará a queda dos salários e as demissões

Durante a quarentena vimos lutas parciais de setores da classe trabalhadora. Em províncias como Córdoba, houve um extenso processo de lutas com a particularidade de estarem impulsionadas por trabalhadorxs “autoconvocadxs”, independentes das cúpulas sindicais que podem estar antecipando as tendências nacionais. O mais ressonante foi o dos motoristas de ônibus, mas se estendeu a dezenas de setores (limpeza, call centers, entregadores, professores, metalúrgicos etc.). Em Rosário também os motoristas protagonizaram uma grande luta. Os azeiteiros vêm levando adiante um plano de luta por aumento salarial (um setor que está fazendo lucros enormes) com paralisações em toda região. Em Mendoza, houve uma grande luta dos professores que impulsionou nas ruas a postergação de uma nova lei da educação. Em Chubut houveram lutas dxs trabalhadorxs da saúde que se uniram a distintos setores públicos (trabalhadores do legislativo, judiciário e docentes) contra o atraso salarial de mais de dois meses. Em Misiones, também foi o setor da saúde quem levou adiante um mês de acampamento e bloqueio de rodovias, enfrentando tentativas de desocupação e amedrontamento constantes, com surgimento de setores autoconvocados que repudiaram as negociações da burocracia.

Tomando a classe trabalhadora em geral, por enquanto prima a passividade porque ainda é efetivo o discurso de situação excepcional, produto da pandemia e da paz sociais, de forma que impõe o apoio avassalador ao governo de todas as alas da burocracia sindical. Até o ATE no estado de Buenos Aires, que antes se apresentava como combativa frente à UPCN (Central Nacional), legitima os acordos de redução salarial. No entanto, podemos estar certos de que, uma vez que tenda a se normalizar a situação da pandemia, a inflação crescente (ainda mais se há desvalorização) empurrará para lutas pela recuperação da perda salarial e contra as demissões. Pior ainda se o governo pretende impor uma nova reforma previdenciária ou trabalhista, como exige o capital financeiro e endossa o FMI.

No setor da saúde, além do que nomeamos acima sobre Chubut e Misiones, houveram vários conflitos para exigir equipamentos de proteção, licenças, testes e tudo o que não garantiram os governos e patronais aos que todos aplaudiam por estarem na “linha de frente”. Vimos também o grande conflito das enfermeiras, que reivindicam o reconhecimento profissional dessa atividade levada adiante essencialmente por sacrificadas mulheres trabalhadoras.

Na saúde (pública e privada) é possível que surjam setores mais decididos a enfrentar os planos do governo, já que a destruição da saúde pública e a mercantilização extrema da saúde privada foram umas das questões mais evidentes da pandemia. Mais em geral, a nível internacional, como parte do desenvolvimento do setor de serviços, os hospitais se converteram em lugares de grande concentração de trabalhadorxs e com muita relação com a comunidade. Diferente dos docentes, têm a vantagem de estarem concentrados em grandes unidades de milhares de trabalhadorxs, ainda que as múltiplas divisões “profissionais” que levam à proliferação de sindicatos sejam uma desvantagem a ser superada.

3.d Empresas que serão ocupadas diante dos fechamentos

Por enquanto, os principais postos de trabalho perdidos foram em setores autônomos e assalariados informais (não sindicalizados). Ainda não vimos uma onda de fechamentos de empresas médias ou grandes (salvo exceções como a LATAM ou algumas lojas da Fallabella, o caso da Danica é um lockout antissindical para mudar o convênio), mas não podemos descartá-lo, sobretudo se o governo começa a reduzir os ATP (que a princípio manterão até dezembro). Se isso acontece, como em 2001, podem ocorrer processos de ocupação de fábricas ou empresas por seus trabalhadores com o objetivo de pô-las a produzir sob a forma de cooperativas. Da Madygraf, de Zanon e da SOECN (que conta com a Cerâmica Neuquén e a Stefani, todas sob gestão operária), existe um polo classista (pesa os debates internos que há em Zanon para evitar as fortes tendências burocráticas) que defende um programa da classe trabalhadora em sua totalidade, alternativo ao cooperativismo que impulsionam correntes ligadas ao peronismo, que buscam que cada fábrica se “salve” como puder. Têm como programa a estatização sob controle operário, para colocar essas fábricas a serviço das necessidades sociais. No caso do macrismo, vimos na zona sul da Grande Buenos Aires também um processo de fábricas recuperadas com as experiências da Ansabo e de Gotán, que impulsionam a Coordenação de Trabalhadores da zona Sul e nesse momento estão impulsionando centros de recebimento de doações para Guernica. Se ocorrerem processos de fechamentos, provavelmente enfrentarão situações mais críticas que as cooperativas que conseguiram funcionar mais ou menos bem sob a recuperação econômica de 2003-2011. Por isso, será mais urgente a luta pela unidade das fileiras operárias para lutar por uma saída de conjunto.

3.e O movimento de luta das mulheres voltará a ganhar protagonismo

O poderoso movimento de mulheres que existe na Argentina, de impacto internacional, apoiou em massa Alberto Fernández, com a ilusão de conquistar direitos. O governo teve várias iniciativas para “responder” a essas expectativas com discursos, ministérios e secretarias, mas a crise superou todos os esses tímidos gestos, com mais desemprego, pobreza e feminicídios. Em Jujuy e Tucumán, a luta por “Ni Una Menos” voltou a ganhar as ruas massivamente diante dos brutais casos de feminicídios.

O governo prometeu enviar um projeto de lei de Legalização do Aborto. Porém, ainda não se conhece o seu conteúdo e veremos que grau de enfrentamento está disposto a ter com os setores “celestes” que vêm fortalecidos de seu “triunfo” de 2018, quando conseguiram que o aborto clandestino seguisse sendo “lei”. A Igreja Católica e muitas evangélicas têm fortes laços com a coalizão de governo, em função de seu papel de contenção social na crise. A independência do movimento de mulheres em relação ao governo e a todos os partidos do regime patriarcal segue sendo uma necessidade premente.

É entre as mulheres trabalhadoras e donas de casa de famílias operárias (ou autônomas pobres) onde surgem mulheres combativas e que tendem a se enfrentar contra os planos miseráveis do governo , como vemos nas ocupações de terras. A combativa Comissão de Mulheres de Guernica é um grande exemplo da força que têm as mulheres trabalhadoras quando se organizam e se dispõem a tomar seus destinos nas próprias mãos, nesse caso a reivindicação de terra para viver. Também nos hospitais os setores mais rebeldes têm sido majoritariamente as mulheres. Para esse setor e para as mulheres trabalhadoras em geral, impulsionamos não só uma política audaz de “comissões de mulheres” e a construção de agrupações ligadas ao MAC, ao Pão e Rosas e ao La Izquierda Diario, como apostamos em que as mulheres trabalhadoras coloquem sua decisão e vontade de luta a serviço de recuperar e dirigir, em pé de igualdade com os homens, os grandes sindicatos e organizações sociais.

3.f O movimento estudantil e os setores políticos que podem estar à esquerda do governo

Embora o peronismo reunificado, em particular o kirchnerismo, tenha sido um atrator de todos os setores das classes médias e do movimento estudantil que se reivindicam “progressistas”, como “mal menor” frente ao desastre macrista, os diversos giros à direita que o governo teve podem abrir possibilidades de acordos parciais entre a esquerda e setores votantes de AF, tanto na classe média ilustrada, na intelectualidade, em setores da cultura, do movimento estudantil ou do movimento de mulheres. Esses acordos devem ser para apoiar lutas ou pela defesa de direitos democráticos. O exemplo mais notório é a comoção que provocou o violento despejo de Guernica em todos os setores que se reivindicam “progressistas” e em amplas camadas da classe trabalhadora. Múltiplos setores criticaram a política de Kicillof e Berni, com o apoio explícito de Alberto e Cristina, ainda que os dirigentes - como acostumaram os centro-esquerdistas- não irão romper com o governo até que seja tarde demais (ou o farão para recriar ilusões em outros “humanizadores” do capitalismo). Antes do despejo, levamos adiante várias iniciativas que transcenderam amplamente as fronteiras da esquerda (mulheres, artistas, organismos de direitos humanos etc.). Algo similar fizemos frente à desaparição e à posterior luta contra a cumplicidade da Bonaerense no assassinato de Facundo Astudillo Castro. Fomos uma das primeiras organizações, a partir do LID, a apoiar a luta de sua mãe.

Por enquanto esses são acordos parciais que podem chegar inclusive ao apoio de alguns desses setores a candidatxs da esquerda nas próximas eleições. Mas não podemos confundir aqui o espaço eleitoral (que pode ser baseado em cálculos como a necessidade de deputados de esquerda que pressionem o governo) com giros à esquerda profundos. Só no calor de uma aguda luta de classes que nos permita mostrar enfrentamentos mais diretos com as patronais, a burocracia e o peronismo no governo que podemos ajudar a provocar verdadeiras rupturas mais de conjunto para a esquerda em setores do populismo filoperonista, que certamente estarão acompanhadas de divisões na atual aliança de governo. o kirchnerismo, como fração pequeno-burguesa que se reivindica “progressista”, com laços com os movimentos sociais e sindicatos como a CTA, embora tenha uma estratégia que não deixa de ser burguesa, será o obstáculo mais sério à perspectiva de construção de um partido revolucionário com influência de massas. A luta política nacional e internacional que levantamos desde o LID/Ideias de Esquerda e de nossas figuras deve buscar permanentemente flexibilidade no diálogo (buscando não ser dogmáticos nem rotineiristas), mas intransigência nas ideias para fortalecer nossa influência político-ideológica e a formação de quadros e militantes. Por exemplo, frente à Lei do Imposto às Grandes Fortunas (se realmente acabar sendo votada no Congresso), consideramos um erro importante considerá-la de forma separada da resposta repressiva do governo em Guernica ou do Orçamento enviado ao Congresso, que apresenta “boa redação” mostrando vontade de ajustar os gastos do Estado frente à negociação aberta com o FMI. Embora a lei em si tenha aspectos reacionários (taxas baixas, tardias e parte dos fundos sendo destinados às PYMES e à exploração de gás), nossa luta política parte de considerar e denunciar o conjunto do plano de governo, que se mostra cada vez mais como ajustador.

No movimento estudantil, temos desenvolvido um intenso debate com as correntes populistas que, quase em sua totalidade, se integraram à Frente de Todos, como a Patria Grande e outras, assumindo cargos na gestão do Estado (o mesmo Estado que se adapta ao orçamento condicionado pelo FMI e que reprime as famílias sem teto em Guernica). Por isso, dão as costas às lutas do povo trabalhador. Não existe saída progressista em alianças com setores das decadentes burguesias nacionais. Não existe Estado “neutro” que possa ser independente de seu caráter de classe. A juventude precisa unir seu destino à classe trabalhadora e lutar para acabar com a exploração.

4. Combate contra as burocracias sindicais e dos movimentos sociais para conquistar a verdadeira auto-organização democrática para a luta. Os debates na FITU.

Ao todo, nas organizações de massas (sindicatos, movimentos “sociais”) nossas agrupações vêm lutando por programas transicionais (relacionando, por exemplo, a necessidade de maiores verbas para saúde e educação ao não pagamento da fraudulenta dívida externa, ou a ocupação e retomada da produção sob controle operário de toda fábrica que feche as portas), denunciando a trégua das burocracias e exigindo a ruptura dos sindicatos com o governo, bem como medidas de luta concretas (frente única operária), impulsionando por sua vez a verdadeira democracia operária, a auto-organização. Esse último aspecto é essencial na etapa que se abre. Não haverá possibilidade de destravar as energias da classe trabalhadora e derrotar a burocracia se não se avança em conquistar assembleias, corpos de delegados onde exista verdadeira liberdade de opinião, e coordenações que tendam a superar as fronteiras de cada setor em luta, empresa ou agrupação. Nesse terreno nos enfrentamos com os métodos burocráticos e pelegos da burocracia sindical peronista em suas distintas variantes Propomos sistematicamente (e seguiremos assim) acordos às correntes que se reivindicam combativas e antiburocráticas, em especial as que integram o Plenário Sindical Combativo do qual somos parte. Mas tivemos de enfrentar os métodos com traços burocráticos das correntes de esquerda ou sindicalistas. Desde que entramos no PSC, lutamos para que hajam plenárias e até mesmo mobilizações sem inscrições limitadas, frente à prática do PO/IS de arregimentar tudo e não permitir que o ativismo (que o PO chegou a qualificar de “massa amorfa”) se expresse.

Nos movimentos de desempregados, onde a assistência estatal é administrada em suas distintas variantes (das cestas alimentares aos planos sociais “com contraprestação”) correntes que têm diferenças políticas (entre as quais estão desde as que apoiam o governo até as que apoiam a FITU), mas que todas levam adiante enormes aparatos para encarar a administração burocrática imposta pelo próprio Estado (uma prática desenvolvida, em distintas formas, por muitos Estados a nível internacional, incluindo em vários países centrais).

Assim como nos sindicatos lutamos pela verdadeira democracia operária, pela representação real das minorias e do peso real de cada tendência e das e dos trabalhadores independentes, por decisões tomadas em assembleias e corpos de delegados com mandato, nas organizações territoriais, como as “ocupações de terras”, impulsionamos a verdadeira auto-organização. Que as famílias em luta elejam delegadxs por quarteirões e bairros, e assumam não só cada decisão, como também a negociação com o Estado e a administração de toda assistência conseguida, substituindo os aparatos dos “movimentos” por aparatos próprios organizados com técnicos, estudantes, etc. que aceitem subordinar seu trabalho às decisões soberanas dos movimentos de luta. O PTS sempre se negou a estabelecer a perversa relação de “altas e baixas” dos planos assistenciais e pontuações em função da participação nas mobilizações de colaterais de partidos ou correntes. Apostamos em levar a cabo nossa política de movimento de desempregados (ou subempregados) auto-organizado, não clientelar, com liberdade de tendências.

Na FITU, nessa etapa, viemos desenvolvendo uma experiência onde todos nos colocaremos a prova na luta de classes. Como já destacamos, a FITU, mesmo com toda a importância que tem para agitar coletivamente a luta pela independência de classe e um programa transicional por um governo de trabalhadores, não é um partido revolucionário, mas um meio para favorecer essa tarefa estratégica.

No interior da Frente de Esquerda, junto aos pontos de acordo, há diferenças relevantes tanto no terreno nacional quanto internacional, como mostraram em parte os debates desenvolvidos durante a Conferência Virtual Latino-Americana e dos Estados Unidos e as polêmicas públicas que se desenvolvem nas publicações de cada organização. Os debates que hoje atravessam a FITU e o conjunto da esquerda têm a ver com diferenças nos terrenos programático, estratégico e tático, e em como intervir frente à luta de classes em curso.

Durante a luta de Guernica, tivemos fortes diferenças com as organizações piqueteiras lá presentes, incluindo o Polo Obrero, que não promoviam o funcionamento democrático das assembleias e do corpo de delegados, bem como das delegações que encaravam as negociações com o governo. Entre elas a FOL, a Víctor Choque, a FPDS, o Barrios de Pie, que antes do despejo depositaram confiança em propostas do governo que continham anexos secretos, não davam a lista das pessoas que iriam poder ter acesso aos lotes definitivos, não garantiam abrigo para todos e nem que se retirasse a ordem de despejo. A intenção do governo era um acordo com poucos ou despejar, e assim o fez. Durante quase todo o processo, o PO privilegiou sua aliança com o Barrios de Pie, que dirige uma corrente política que apoiou Lavagna-Urtubey nas últimas eleições, ao invés de lutar junto com as correntes que integram também a FITU. Somente nos últimos dias de luta pudemos conseguir um acordo das correntes da FIT para repudiar consequentemente as manobras do governo.

Buscamos impulsionar a maior unidade possível para atuar na luta de classes. Seria um erro de crasso eleitoralismo separar os debates que temos na intervenção na luta de classes ou no movimento operário e estudantil em geral das discussões internacionais e nacionais que se desenvolvem na “Mesa Nacional” da FITU, ou nas mesas regionais de cada província. Por isso, levaremos para lá as questões conflitivas que surgirem.

5. Propostas de resoluções

Em função dos fundamentos expressos, propomos à Conferência Nacional do PTS que decida:

5.a Todo apoio às lutas para que triunfem e se coordenem

Faremos todos os esforços pelo triunfo das lutas que nomeamos nos pontos anteriores. Em particular, chamamos a cercar de solidariedade e apoio a Assembleia de Vizinhxs de Guernica, que se propõe retomar a luta por “terra para viver”, reunindo recursos financeiros, alimentos e tudo que for necessário. Impulsionamos a unidade na luta e pelo funcionamento democrático, em assembleias e com delegadxs revogáveis, assim como pela coordenação entre todas as diferentes ocupações que existem no país, junto às fábricas sob gestão operária, sindicatos e agrupações combativas etc. Propomos às forças da FITU coordenar uma grande campanha de apoio.

O mesmo propomos em todas e cada uma das lutas em curso. Impulsionamos nos sindicatos e centros estudantis assembleias para impor a ruptura da trégua com o governo do “grande acordo nacional”, que significa mais ajuste, e o impulsionamento de verdadeiros planos de luta.

5.b Impulsionar com audácia a Rede de Jovens Precarixs, como “infantaria ligeira” da luta de classes

Nos propomos conquistar, em cada cidade importante do país, a organização de centenas de jovens precarizados (empregados, semi-empregados ou desempregados) que atuem como “infantaria ligeira” nas principais concentrações urbanas do país onde temos maior acumulação partidária (AMBA, La Plata, Córdoba, Mendoza, Rosario, Jujuy, Neuquén, Tucumán) para agregar sua capacidade de ação em cada batalha da luta de classes, gerando impacto sobre as fábricas, empresas e estabelecimentos onde nos propomos construir bastiões. A Rede atuará, é claro, de acordo com o que decidirem as organizações em luta de cada setor, levantando suas próprias posições.

Utilizamos o conceito de “infantaria ligeira” metaforicamente, no sentido de contar com um setor ligado ao partido (formado por militantes e simpatizantes) que tenha disponibilidade de tempo para intervir nas lutas e processos que se desenvolvam nos tempos em que a grande maioria de nossa militância e influência está trabalhando. Conquistar esse setor implica em ajudar que essxs jovens possam viver com trabalhos muito precários (de poucas horas) ou quando estão circunstancialmente desempregadxs. Elxs estarão buscando trabalho, mas somos conscientes que será difícil que todxs xs companheirxs consigam emprego (muito menos um estável), à medida em que a crise se aprofunda. Por isso propomos organizar um sistema de ajuda, seja através de arrecadações baseadas na contribuição de outrxs militantes, de refeitórios nos locais em que estamos ou pela via da participação em movimentos de desempregadxs que lhes permitam atividades como as que estamos propondo.

5.c Construir o MAC e agrupações para todos os setores

Como propomos no ponto 4, nossa luta no MAC e no PSC é por estarmos na linha de frente das lutas, levantando um programa transicional, pela unidade das fileiras operárias e pela democracia operária real.

Com esse norte, impulsionamos agrupações que reúnem companheirxs militantes com simpatizantes e independentes que compartilham nosso programa e prática de luta. Nas diferentes plenárias que realizamos nos últimos meses, agrupamos cerca de 6000 companheiros e companheiras de mais de 60 grêmios (NdT: Associação profissional de pessoas que exercem o mesmo ofício) (primeiro por região e então por grêmio, em alguns casos agrupando vários grêmios, bem como desempregados), dos quais uma parte importante está dando lutas políticas junto à militância partidária. Participamos das plenárias comuns e atividades que puderam ser organizadas como PSC. Conseguimos que vários milhares se engajassem em atividades por Guernica e as diferentes ocupações. Acreditamos que o MAC também tem que se propor a levar essas lutas às organizações dos setores mais precarizados da nossa classe, como os que se expressam nas ocupações, onde há trabalhadores e ex trabalhadores adultos, homens e mulheres (muitas donas de casa).

5.d Potencializar as forças da Juventude do PTS no movimento estudantil

A juventude do PTS organiza as agrupações de esquerda com mais força militante a nível nacional, chegando a 100 faculdades de 30 universidades nacionais, 62 institutos terciários e 52 colégios secundários. Se propõe dedicar suas energias e ideias a serviço dos desafios que estamos levantando.

Em todo o mundo a pandemia significou uma “desestruturação” das universidades, colégios terciários e secundários. Até que se normalize a atividade educativa é improvável que surjam lutas de massas. Para prepará-las, uma demanda central que é necessário ser agitada é a de bolsas para todxs xs jovens que querem estudar, junta da defesa da universidade e educação públicas, o aumento da verba para a educação (rompendo com as condições do FMI) e a redução da jornada de trabalho com manutenção do salário, para poder estudar. A crise tornará mais difícil conseguir trabalhos que permitam estudar ou que as famílias possam manter xs que estudam. Mais detidamente, ao passo que defendemos a educação pública e gratuita, queremos pôr em questão o fato de que as principais universidades do país estão a serviço quase exclusivamente da classe média, para xs filhxs da burguesia que não vão para universidades privadas (muitas vezes porque as públicas são melhores) ou os setores mais altos da classe trabalhadora (embora no Conurbano seja diferente, já que também estudam setores de classe média baixa e famílias trabalhadoras), enquanto estão vedadas para o povo pobre.

No imediato, nos propomos aproveitar o forte peso das correntes de esquerda nas faculdades para mobilizar e organizar os setores estudantis mais sensíveis política e socialmente à situação das e dos trabalhadorxs e do povo pobre. Ou seja, frações ativas pró-operárias e antigovernamentais do movimento estudantil que estejam dispostas, por exemplo, a pôr o próprio corpo contra os despejos nas ocupações. As agrupações estudantis organizadas pela Juventude do PTS, junto a estudantes independentes, impulsionam isso decididamente. Por sua vez, vêm dedicando boa parte de sua força militante na construção da Rede de Jovens Precárixs, muitxs dxs quais também são estudantes.

5.e Propor aos milhares de simpatizantes que combatem ao lado do PTS que se integrem a nossa organização como militantes

Nos últimos meses, durante a longa quarentena, o PTS vem levando adiante uma ampla e sistemática atividade de organização de milhares de companheiros e companheiras simpatizantes que tomam em suas mãos diversos aspectos das atividades que realizamos (como difundir notas do LID nas redes, entre seus conhecidos, convidar para atividades, integrá-las, etc.), nas plenárias de trabalhadorxs, na Rede de Jovens Precarizadxs, nas plenárias estudantis. Propomos que essas plenárias sejam comuns com as demais organizações que se reivindicam antiburocráticas, combativas e da FITU. Só pudemos organizar isso em algumas agremiações (como no comércio) e alguns setores e correntes. Junto a isso, conseguimos que vários milhares participassem dos 3 atos internacionalistas: 1º de maio, 11 de julho (contra o racismo e a violência policial, frente ao levante nos Estados Unidos) e 22 de agosto (aniversário do assassinato de Trotsky), com um pico de 9000 visualizações ao vivo na Argentina no primeiro (além de vários milhares de outros países, sendo transmitido em 6 idiomas).

A experiência da luta de Guernica, que escancara o caráter de classe e (se as circunstâncias o exigem) repressivo do governo nacional e provincial (diretamente kirchnerista), tem permitido que nossa militância e simpatizantes possam encontrar eco amistoso em setores que antes consideravam “sectárias” as nossas críticas. Toda militância do PTS levou adiante uma esforçada atividade, que combinou uma relação paciente com milhares e milhares de companheiros e companheiras (tanto xs que conhecíamos das atividades políticas de anos anteriores, quanto novxs), em função das restrições impostas pela quarentena e a pandemia, onde a comunicação se deu principalmente pela internet, com atividades nas ruas com aqueles setores mais ativos (trabalhadorxs essenciais e juventude). Propomos a toda militância do PTS convencer os milhares de companheiros e companheiras que participaram nas lutas do último período demonstrando disposição, que assumam o desafio de serem militantes da nossa organização, para lutarmos juntos pela construção deste grande partido que mencionamos no início deste documento. Por sua vez, aos companheiros e companheiras que querem seguir colaborando com menos compromisso, propomos que sejam parte das agrupações ou que sigam como simpatizantes. Tomamos o critério de Lenin, de círculos concêntricos ou “engrenagens” da organização partidária, onde o essencial são as e os militantes que integram os diferentes organismos partidários, contribuem financeiramente e levam adiante as tarefas que ali se decidem (citado em Estrategia Socialista y Arte Militar, pg. 106).

Estabelecemos o critério de que a luta em comum com xs companheirxs para organizar a vanguarda e participar nos combates de cada local deve ser um critério central para fazer o esforço de incorporar à militância partidária novas camadas desses companheiros e companheiras, ao lado do debate político de nossas posições. Centenas delxs já aceitaram essa proposta. A “arte” de ganhar novas camadas de militantes revolucionárixs (porque não é uma mera técnica, mas uma atividade que implica em escutar, saber em que momento demarcar as diferenças e em que momento conceder, etc.) deve partir dos pontos em comum, mas somente como base para buscar a forma de avançar em uma compreensão de classe e revolucionária do programa e da estratégia que levantamos. Por exemplo, no caso das ocupações de terras, a luta por “terra para viver” contra as manobras do governo é só o começo, já que se precisa combater a consciência conformista de que o “fim” é conseguir um lote em uma zona isolada, com serviços inexistentes ou decadentes (quando não caros), enquanto os grandes milionários da Argentina fizeram suas fortunas “ocupando” enormes extensões de terra, massacrando os povos originários. Essa compreensão se aproxima mais de nossa estratégia revolucionária.

Corremos o perigo do “propagandismo”: considerar que as companheiras e companheiros que estão dispostos a militar conosco em base à experiência comum real que começam a fazer na luta de classes devam compreender todo (ou grande parte do) nosso programa, como condição prévia. Essa seleção em base à compreensão, que pode ser correta em momentos de passividade ou refluxo, é sectária em momentos onde a própria luta de classes começa a “selecionar”. Por isso, a compreensão teórica e política mais acabada de nossas posições deve ser encarada dentro da nossa organização, abrindo nossas portas a todxs xs que vêm batalhando junto ao PTS.

O partido em seu conjunto deve exigir as ferramentas necessárias para essas tarefas, desde o LID Multimídia, o suplemento semanal Ideias de Esquerda, o Campus Virtual, dxs melhores propagandistas, contribuindo com artigos, vídeos e livros.

5.f Organizar “centros de gravidade” do PTS em função de nosso objetivo estratégico de nos construirmos no “coração” da classe trabalhadora (indústria, transportes, comunicações, saúde) e em grandes sindicatos (como docentes e servidores públicos).

Retomamos a relação entre bastiões e centros de gravidade que viemos discutindo nos últimos Congressos do PTS. Consideramos bastiões as estruturas da classe trabalhadora ou do movimento estudantil onde conquistamos “capacidade de incidir na luta” frente a ataques patronais e do Estado, ou capacidade de influência quando se dão processos políticos, por contar ali com dirigentes, quadros, militantes, simpatizantes e influência político-sindical. Estrategicamente, priorizamos a conquista de bastiões na indústria (pela concentração de trabalhadorxs) e nos serviços (transportes, logística, comunicações) que têm maior “poder de fogo” nas grandes concentrações urbanas e, portanto, em processos de lutas generalizadas (greves gerais, insurreições). Por sua vez, em docentes e funcionários públicos também, porque existem grandes sindicatos e concentrações de trabalhadores (como nos hospitais).

No entanto, há alguns anos cunhamos o conceito de centros de gravidade geográfico-sociais no sentido de não pensar em fábricas ou empresas isoladas (dado que a classe operária industrial está organizada em unidades menores e os serviços são estruturas mais dispersas), mas em combinações geográficas entre agremiações, movimento estudantil e movimento de mulheres. Os “centros de gravidade seriam zonas onde a esquerda revolucionária combina trabalho estrutural em empresas (em particular as que são de setores estratégicos), escolas e estruturas estudantis, ao que nos propomos, ainda incipientemente, estender à juventude precarizada. As e os professores podem desempenhar um papel muito importante na organização dessas relações, já que podem funcionar como “pontes” entre a classe trabalhadora e os setores mais pobres e oprimidos. Nessas zonas estão também os setores que são “votantes da FIT” mais territoriais (autônomos, donas de casa, profissionais etc). Nas plenárias de trabalhadorxs que fizemos por regiões ou zonas há alguns meses, tendemos a agrupar geograficamente. Como perspectiva, os centros de gravidade deveriam tender a confluir com processos de auto-organização do tipo coordenações, que nessa etapa relacionarão fábricas e empresas com organizações de bairro (mais que nos anos 70, onde inclusive já teve peso forte o Movimento Peronista de Vilas, de onde saiu muita militância do Peronismo de Base e Montoneros).

5.g Aproveitar e pontencializar o La Izquierda Diario como “multimídia”

As grande mídias, com o desenvolvimento dos “canais de notícias” que transmitem 24 horas e nas redes sociais, exercem uma influência incrementada, minuto a minuto. Cumprem uma função de “infantaria ligeira” das distintas frações da classe dominante. Embora não possamos competir com o poder dos meios de comunicação de massas, as organizações da classe trabalhadora e, entre elas, os partidos que se consideram classistas, deveriam desenvolver seus próprios meios a serviço de responder as mentiras dos poderosos, difundir as lutas e nosso programa para que a crise seja paga pelos capitalistas.

No conflito de Guernica comprovamos, mais uma vez, como o LID se transformou em um diário digital lido (e agora visto e ouvido) não só por dezenas de milhares de trabalhadorxs e jovens que querem saber o que opina a esquerda, como também pelos altos funcionários do governo, jornalistas etc. O mesmo aconteceu com o crime de Facundo Astudillo Castro e as notas elaboradas por Daniel Satur. Ou as entrevistas de Fernando Rosso, como aquela onde o falecido Julio Blanck reconhecer que o Clarín fazia “jornalismo de guerra” (definição que se converteu em lugar comum da política não só nacional como também latino-americana, sendo mencionada por Dilma Rousseff). É um veículo de imprensa influente no mundo político que chegou a um pico de quase 5 milhões de visitas em maio. Nesse sentido, como o La Izquerda Diario é uma “empresa coletiva” onde escrevem milhares de companheiros e companheiras, devemos ser conscientes que o que escrevemos ou difundimos no LID tem muito mais influência do que pensamos. Consequentemente, quando produzimos as crônicas dos conflitos ou as denúncias, temos que fazer pensando em influenciar em seu desenvolvimento. Não somos conscientes do “poder” que temos em relação a dar credibilidade ou não a determinados fatos ou afirmações. No conflito de Guernica, tanto o governo como as outras correntes nos atacam permanentemente por cada denúncia que fazemos no LID.

Quanto ao lançamento do Multimídia, ampliamos enormemente a produção audiovisual, com programas “ao vivo” e “on demand”, com uma ampla equipe de apresentadorxs e colunistas e diversas produções a partir dos estúdios centrais e das diversas regionais do PTS. Agora estamos fazendo um balanço profundo desses meses e estudando quais reformulações são necessárias.

Incorporamos o serviço de Newsletter com entregas semanais de Fernando Rosso, Pablo Anino, Celeste Murillo e Diego Iung a partir do El Círculo Rojo e do La Izquierda Diario.

A definição geral que queremos fazer aqui é de que devemos pensar o LIDM em duas grandes dimensões: a) como “organizador coletivo” de nosso partido, enquanto o meio que dirige a agitação, a propaganda e da ferramentas para a organização partidária; b) como ferramenta de influência na realidade política nacional, sobretudo no que diz respeito às lutas operárias ou democráticas.

5.h As figuras nacionais e provinciais na linha de frente das lutas e das batalhas políticas e ideológicas

Nossxs porta-vozes expressam as batalhas políticas do PTS cotidianamente nas instâncias parlamentares e nos meios de comunicação, estando na linha de frente das lutas: Nicolás del Caño (deputado nacional ao lado de Romina del Plá), Myriam Bregman e Alejandrina Barry (deputadas na CABA), Christian Castillo, Claudio Dellecabonara (deputado portenho), Laura Vilches (vereadora em Córdoba Capital), Lautaro Jimenez e Mailé Rodríguez (senador e deputada em Mendoza), Alejandro Vilca, Natalia Morales, Eduardo Hernández (deputados em Jujuy), Andrés Blanco e Natalia Hormazábal (deputado e vereadora em Neuquén), assim como as e os companheiros vereadores em Mendoza e Jujuy. Em suas fanpages e outras contas nas redes sociais, cada um destes companheiros e companheiras interagem com milhares e milhares de pessoas. Durante os dias do despejo de Guernica, as redes sociais destes companheiros e companheiras multiplicaram sua audiência, reunindo um amplo repúdio à repressão.

Essas batalhas políticas terão um terreno especial nas eleições do próximo ano, que serão parlamentares e, portanto, um terreno menos hostil para a esquerda. Tudo faz antecipar que não será fácil se impor com o cenário político de polarização entre governo/oposição de direita (onde a extrema direita de Espert e Milei disputará uma parte do Juntos por el Cambio, por causa do desastre que foi o governo de Macri). Mas para isso ainda há muito caminho a andar. O fundamental das conquistas parlamentarias para as correntes que se reivindicam socialistas revolucionárias é colocá-las a serviço de cada uma das lutas da classe trabalhadora, do povo pobre, do movimento de mulheres e da juventude, e como porta-vozes das lutas políticas e ideológicas necessárias para a construção da ferramenta que nós, as e os explorados, precisamos para vencer.

5.i Promover o internacionalismo e a luta ideológica defendendo e recriando o marxismo

Não existe avanço possível da esquerda revolucionária sem considerar a construção de um partido nacional como parte de um internacional, e sem responder a partir do marxismo aos desafios que nos são colocados.

No terreno político, o internacionalismo vem se expressando, além dos 3 atos internacionais que mencionamos acima, nas lutas que damos em comum com organizações de 14 países, desde a Rede Internacional de diários digitais, ao calor da intervenção nos principais processos da luta de classes. Para tomar só alguns exemplos dos últimos anos, fomos parte do processo de mobilizações antirracistas, lutas de trabalhadores e do surgimento de uma juventude que simpatiza com o socialismo nos Estados Unidos, processo que hoje se potencializa com a debilidade do regime (e do governo que surgir) expressa nas criticadas eleições presidenciais. Participamos da rebelião dos Coletes Amarelos e da grande luta contra a reforma das aposentadorias na França; da rebelião dxs trabalhadorxs e da juventude no Chile, colocando de pé o Comitê de Emergência e Abrigo de Antofagasta e experiências similares em Santiago, processo que hoje continua com uma grande intervenção do PTR do Chile no processo constituinte, contra as manobras do regime e conseguindo as assinaturas para o registro eleitoral nas regiões de Santiago, Valparaíso, Antofagasa, Arica e Temuco; na resistência ao golpe de Estado na Bolívia. Dedicamos esforços financeiros e militantes para colaborar com a luta por reconstruir/refundar a Quarta Internacional. Quanto à enorme tarefa de luta ideológica, na proporção de nossas forças, desde nossa corrente internacional, a FT-QI, continuaremos dedicando um esforço sistemático. Este ano desenvolvemos uma importante atividade de homenagem pelos 80 anos do assassinato de Leon Trotsky pelas mãos do stalinismo. O ato da FT de 22 de agosto foi aproveitado para destacar diferentes pontos fundamentais de sua obra e legado a partir de cada país, e na entrevista com Emilio Albamonte, refletimos sobre o significado histórico de Trotsky e a atualidade do trotskismo hoje. Outra importante ferramenta são os diferentes suplementos ideológicos publicados periodicamente por vários grupos da FT. No caso do semanário argentino ideias de esquerda, publicamos mais de 120 números desde 2018 (além ds mais de 40 números que saíram impressos e dos 15 números do suplemento Ideias desde a Universidade), a que se somam o Ideias de Esquerda do Brasil, o Ideias Socialistas do Chile, o Ideias de Esquerda do México, o Left Voice Magazine dos EUA, o Contraponto do Estado Espanhol, o Ideias de Esquerda da Venezuela e o RP Dimanche da França. Publicações onde além das elaborações e debates realizados por militantes da FT-QI, contam também com colaborações, tribunas abertas e entrevistas de dezenas e dezenas de intelectuais de todo o mundo. A partir das Edições IPS-CEIP, com mais de 80 títulos publicados, se somam (além de A história do trotskismo norte-americano de James Cannon e a compilação Trotsky O marxismo e nossa época) a biografia em 3 tomos de Isaac Deutscher sobre Trotsky (publicação que teve importante repercussão) e acaba de sair o livro de Ariel Petruccelli e Juan Dal Maso sobre Louis Althusser e Manuel Sacristán. Por outro lado, no Campus Virtual viemos levando adiante toda uma série de cursos iniciais e seminários (logo serão lançados novos cursos sobre o ascenso dos anos 70 na Argentina; Althusser e Sacristán; e uma reedição do curso introdutório “Marx voltou”) que, junto a outras iniciativas, buscam aproximar milhares de companheirxs das ideias e debates do marxismo.

***

Como dissemos no início, o grande desafio é aproveitar estes momentos em que estamos no começo de uma etapa histórica, de um governo peronista enfrentando uma crise profundíssima, para avançar em construir um grande partido da classe trabalhadora, de esquerda e socialista, que aposte que a crise tenha a única solução realista: que governem as e os trabalhadores e se expropriem os expropriadores.

Traduzido por Caio Lima dos Reis




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