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Xenofobia e racismo | Um debate sobre a Guerra na Ucrânia e os setores oprimidos da classe trabalhadora internacional

A guerra na Ucrania reascendeu o debate sobre o racismo e xenofobia, sobretudo, do ponto de vista de como os imperialismo contra a classe trabalhadora internacional, mais do que nunca é necessária uma resposta independente dos trabalhadores.

sexta-feira 20 de maio | 19:14

Fonte: (Johannes EISELE / AFP)

Estamos no terceiro mês da guerra da Rússia contra a Ucrânia que abriu no cenário internacional da economia capitalista, uma etapa marcada por tensões políticas e econômicas entre as grandes potências do tabuleiro econômico capitalista. A guerra na Ucrânia é uma expressão categórica da crise internacional do capitalismo que em diversos países pelo mundo deixa marcas profundas nos setores mais oprimidos da classe trabalhadora internacional. Diante dessa nova reconfiguração que aprofunda o cenário de crise entre as grandes potências imperialistas, qual programa político revolucionário é preciso levantar em defesa dos povos oprimidos da classe trabalhadora internacional?

“Antes de destruir ou afogar em sangue a humanidade, o capitalismo envenena a atmosfera mundial com os vapores maléficos do ódio nacional e racial, o anti-semitismo é atualmente uma das convulsões mais malignas da agonia capitalista. A denúncia intransigente de todos os preconceitos de raça e de todas as formas e matrizes de arrogância e chauvinismo, em particular do anti-semitismo, deve fazer parte do trabalho cotidiano de todas as seções da IV internacional, como principal trabalho de educação na luta contra o imperialismo e a guerra. Nossa palavra-de-ordem fundamental continua sendo: “Proletários de todos os países, uni-vos!” [Programa de transição. Cap. A luta contra o imperialismo e a guerra- Leon Trotsky]

Leon Trotsky em meados da segunda Guerra Mundial apontou estrategicamente o caminho mais correto para a classe trabalhadora internacional combater os países imperialistas em guerra. Ele se apoiou no que existe de mais estratégico do marxismo revolucionário que tem como princípio básico a defesa internacional da auto organização da classe trabalhadora mundial e da luta intransigente contra o imperialismo. Ao lado de Trotsky, Lenin e Rosa Luxemburgo foram grandes revolucionários que se colocaram na linha de frente contra as guerras imperialistas de sua época. Lênin no livro “Imperialismo a fase superior do capitalismo” desenvolve detalhadamente um período histórico do avanço capitalista com a concentração dos grandes monopólios burgueses que abriu uma nova etapa histórica do capitalismo marcado pelas crises e guerras que consequentemente abriu novas etapas parteiras de revoluções. Assim como no século passado, a guerra na Ucrânia é motivada pelos interesses decadentes das grandes potências imperialistas, parafraseando Marx “as únicas rodas que o economista nacional põe em movimento são a ganância e a guerra entre os gananciosos, a concorrência.” Essa é a Lei primordial da economia capitalista que em nome da sua sede de lucro transforma a condição do trabalhador na mais baixa e miserável condição de mercadoria. É dentro dessa lógica econômica e política que se baseia as disputas dos grandes monopólios capitalistas que atualmente entram em choque com os contornos da guerra na Ucrânia.

O governo de Putin na Rússia é herdeiro da restauração capitalista após a deformação burocrática do stalinismo na URSS, na atualidade a Rússia é considerada a potência com o terceiro maior exército do mundo e com armamento nuclear. Nacionalmente o governo de Putin representa um regime político autocrático de extrema direita que persegue e criminaliza oposições políticas, a comunidade LGBT e as mulheres da classe trabalhadora. Além disso, Putin representa um nacionalismo reacionário e xenófobo que buscou avançar com medidas repressivas e autoritárias como por exemplo contra o povo checheno, fortaleceu governos reacionários como a Bielorússia e o Cazaquistão contra mobilizações populares. A tentativa reacionária de Putin em avançar com as tropas russas contra a Ucrânia sob a ameaça do avanço territorial da OTAN nos países do ocidente da Europa reconfigura o cenário político e econômico internacional e muito além da geopolítica em si essa guerra traz consigo evidências drásticas da crise econômica capitalista e faz pesar no centro econômico da burguesia mundial, a União Europeia, os contornos dessa guerra pode até ter um fim, mas suas expressões e contradições seguirão aberta em todo o globo. O que podemos até agora como resultado é que nunca antes os monopólios da indústria da guerra lucraram tanto, porque está ocorrendo um rearmamento histórico de países europeus como a Alemanha e também os EUA.

Biden, atualmente vem sustentando como muitas dificuldades uma crise de legitimidade cada vez mais profunda nos EUA, seu governo segue com impopularidade e as tensões no congresso entre republicanos e democratas segue cada vez mais polarizadas. Parte dessas insatisfações tem a ver como o presidente dos EUA vem respondendo ao momento de crise no país de uma maneira que impõe ao próprio imperialismo saídas não muito desejadas, como por exemplo, a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão e no cenário econômico, a guerra comercial com a China. É dentro desse contexto que cai no colo dos EUA resolver questões referentes a uma guerra aberta em um país importante do Leste Europeu onde a Rússia retoma com centralidade no cenário internacional e cada passo no avanço a continuidade da guerra é uma prova de uma crise generalizada e aberta que envolve grandes potências mundiais.

Em 2014 a Ucrânia foi palco de intensas manifestações contra o presidente pró Rússia Viktor Yanukovytch e além da brutal repressão do governo Viktor Y. contra a população ucraniana em Kiev, a União Europeia em acordos por “debaixo dos panos” com os EUA não deixaram de intervir politicamente nas manifestações de massas na Ucrânia. Buscaram defender a integração da Ucrânia à União Europeia como a saída mais cabível e necessária naquele momento aos ucranianos. Esse processo
desencadeou uma série de conflitos e repressões contra as massas em movimento na Ucrânia que por falta de uma alternativa política partidária com independência de classe e pró operária tinha como saída urgente e principal a integração da Ucrânia à União Europeia. Essa saída provou o contrário que o Trotsky apontava no programa de transição que “a sorte dos trabalhadores não pode ficar nas mãos dos imperialistas.” De lá pra cá a Ucrânia vem sendo palco de disputas e interesses capitalistas, isso se expressa nas diferentes forças nacionalistas subordinadas aos EUA e países da União Europeia que se combinam com a política atual do presidente Zelensky.

A grande problemática desse jogo político é que cada passo do imperialismo significa um avanço reacionário contra os trabalhadores, principalmente os trabalhadores ucranianos. Com base nisso consideramos que a sorte dos trabalhadores não pode ficar nas mãos dos países imperialistas, dos seus governos ou grupos nacionalistas. Nesse cenário, consideramos essencial a unidade internacional da classe trabalhadora contra os diferentes tipos de nacionalismo reacionários, a guerra e o imperialismo. O único caminho a ser seguido é o caminho da luta de classes onde os trabalhadores organizados de forma independente do governo de Zelensky, da OTAN e da sanha reacionária de Putin busquem impor com seus próprios métodos de lutas e organização o fim da guerra com o desarmamento da burguesia imperialista. Para isso se faz necessário um grande movimento ao redor do mundo contra a guerra que expresse internacionalmente a insatisfação das massas trabalhadoras em enfrentamento com imperialismo que estrangulam nossa classe em toda parte do globo.

Os setores oprimidos da classe trabalhadora ucraniana e a estratégia revolucionária em combate ao imperialismo mundial.

Nos primeiros momentos da guerra na Ucrânia os países como Polônia e Hungria ambos países com governos de ultra direita impediram os imigrantes negros e árabes de entrarem nas fronteiras de seus países, suas justificativas eram evidentemente racistas e xenofóbicas contra os negros e os árabes que em meio à guerra foram impedidos de estadia e segurança. A Polônia e a Hungria tiveram apoio da União Europeia que historicamente traz consigo marcas profundas de racismo e xenofobia contra os setores mais oprimidos da classe trabalhadora mundial, países como a França segue até os dias de hoje com colônias no continente africano. [Cinco imigrantes morrem por dia na tentativa de chegar ilegalmente na Europa, https://www.esquerdadiario.com.br/Cinco-imigrantes-morrem-por-dia-na-tentativa-de-chegar-na-europa-ilegalmente] . Além dos que chegam, muitos morrem no mar mediterrâneo na tentativa desesperada de uma vida melhor, esses trabalhadores quando entram na fronteira de algum país europeu são lançados à precarização e exploração do trabalho. Esse é o racismo e xenofobia da União Europeia que representa um dos inúmeros aspectos da podridão imperialista que subjuga uma parcela da classe trabalhadora a uma vida indigna em nome da sede de lucros. A guerra torna evidente no cenário internacional as irracionalidades de um sistema cuja a classe dominante carrega consigo sua própria decadência histórica e ao mesmo tempo levanta a necessidade do combate internacional do racismo contra todas as raças e etnias que só existe porque é funcional e necessário grandes monopólios imperialistas existentes para poderem lucrar ainda mais com o sangue negro e imigrante.

Os contornos históricos que essa guerra pode desenvolver ainda segue em aberto, contudo, a magnitude dessa guerra expressa a necessidade de uma organização internacionalista da classe trabalhadora, onde possa tomar à frente os principais combates históricos da luta de classes que coloque em xeque os domínios imperialistas. Os trabalhadores gregos bloquearam as entregas de tanques à Rússia, e os trabalhadores alemães se manifestaram contra a guerra na Ucrânia e o avanço da OTAN e os trabalhadores ferroviários bielorussos interromperam o abastecimento da Rússia, tudo isso em demonstração ao repúdio operário internacional contra a guerra. Mais do que nunca é necessário a unidade internacional da classe trabalhadora por todo o globo. É nesse sentido que nos colocamos na linha de frente contra a guerra, o racismo e a xenofobia e o imperialismo que suga o sangue e o suor da classe trabalhadora. Fora tropas Rússia da Ucrânia, fora OTAN por uma Ucrânia socialista e operária!




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