Juventude

MULHERES NEGRAS E MARXISMO

Um chamado às mulheres negras da UFRN

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

terça-feira 6 de abril| Edição do dia

O corpo discente da UFRN é composto 55% por estudantes negros, e majoritariamente feminino. Entre os docentes, somente 15,8% são negras e negros a nível nacional. Entre trabalhadores terceirizados, a experiência presencial e dados nacionais demonstram que são a imensa maioria. A universidade não está apartada da sociedade, expressa dentro de si as suas contradições materialmente, assim como a necessidade de uma resposta que se enfrente com o sistema capitalista, o racismo e o patriarcado. Com este breve texto, convidamos todas as mulheres negras e todo aquele que queira se somar a essa luta, ao curso “Mulheres Negras e Marxismo” com Letícia Parks, que começa amanhã no Campus Virtual do Esquerda Diário.

Entrar na UFRN é um sonho potiguar. Entre a geração atual de matriculados, estão muitos pioneiros dentro de suas famílias, os primeiros a acessarem o ensino superior e para permanecer matam um leão por dia. O racismo em cima do qual se construiu o Estado brasileiro se faz sentir por meio das ações da Reitoria, que implementa as diretrizes do governo federal, no corte de bolsas de um dia para o outro, na infestação de baratas e ratos nas residências, na falta de comida para os residentes em trocas de semestre. Ainda assim, bravamente publicam artigos, fazem pesquisas e projetos de extensão. Nos estágios na saúde, nem mesmo direito ao EPI a UFRN garante em plena pandemia, em especial em cursos como Serviço Social, um curso com rosto de mulher negra.

A implementação do Ensino Remoto, que provocou taxas de evasão e desistência enormes, com Ciências Sociais com uma turma de aproximadamente 50% dos matriculados no 2020.1, outro curso marcadamente negro e feminino, também precarizou a vida dos professores, que foram obrigados a uma adaptação automática sem capacitação ao Ensino Remoto, sem qualquer tipo de preparação, por meio de decisões autoritárias da estrutura de poder da universidade, que em seus Conselhos aprovou sem direito de escolha para a comunidade acadêmica. Esta estrutura de poder se baseia em trabalho precário semi-escravo terceirizado para manter toda a estrutura física da universidade, são mulheres e homens negros que limpam, podam, consertam absolutamente tudo e estes não tiveram nenhum direito à quarentena, viveram o último ano em constante ameaça de demissão, um aumento exponencial do assédio e incertezas. Entre os trabalhadores da linha de frente no Hospital Universitário Onofre Lopes, Hospital Universitário Ana Bezerra, Hospital de Pediatria da UFRN, etc, são as trabalhadoras negras da saúde a linha de frente, atingidas também pelo novo corte de R$ 1,1 bilhão na Lei Orçamentária Anual aprovada semana passada e pela Lei do Teto de Gastos, que asfixiam a saúde e a educação à serviço da Dívida Pública para banqueiros imperialistas.

Frente à este cenário, não vão nos calar. Não aceitaremos resignação. Não aceitamos que Bolsonaro, Mourão e todos os golpistas nos condenem a um futuro de miséria, nos calem Lei de Segurança Nacional como quer fazer Bolsonaro quando o chamamos de genocida, ou o STF caso ameacemos a sua ordem, quando vivemos na última semana a semana mais letal da pandemia, com 19 mil mortes de acordo com os dados oficial. Não aceitamos suas tentativas de se apoiar na PM para impor estado de sítio ou defeso contra opositores. Mas também não passamos pano para a política dos governadores do PT, PSB e PCdoB, fecham acordo com escravistas como Flávio Rocha, Fecomércio e FIERN para reabrir o comércio, avançar na volta presencial das escolas, sem qualquer plano emergencial de combate à pandemia, não se opondo aos interesses empresariais que sustentam Bolsonaro, Mourão e todo o regime do golpe. Diante dessa necessidade não é possível esperar até 2022 como propõe Lula e o PT. Sabemos muito bem que nada funciona sem atuação das e dos trabalhadores. E te convidamos a se somar conosco para nos apropriarmos de ideias revolucionárias que sejam uma verdadeira arma para a luta antirracista, feminista e anticapitalista. Nosso curso com Letícia Parks começa amanhã, as 20:00, trazendo debates sobre exploração e opressão, luta negra e luta de classes, se baseando nos clássicos marxistas e em debates atuais para fortalecer a luta das mulheres negras e de todos seus aliados.

O curso leva o mesmo nome do livro, “Mulheres Negras e Marxismo”, organizado por Letícia Parks, Odete Assis e Carolina Cacau, com edição de Diana Assunção e publicado pela Editora Iskra. O curso leva o mesmo nome do livro e será dividido em quatro aulas, com os temas: Opressão e exploração; Luta negra e luta de classes; Negras no topo? e Mulheres negras e estratégia socialista. E acontecerá todas as terça-feiras às 20h, abordando conceitos chave para a construção de um pensamento marxista sobre a questão negra e de gênero. A ideia é buscar definir os conceitos de exploração e opressão e tratar da relação entre luta negra e luta de classes. A bibliografia disponibilizada no Campus Virtual, contém textos clássicos do marxismo, assim como debates contemporâneos que percorrem a luta das mulheres negras.

Acreditamos na transformação revolucionária da sociedade e da universidade, para que esta esteja realmente à serviço das necessidades da classe trabalhadora e das grandes maiorias e não à serviço dos laboratórios privados e precarizando a vida das mulheres negras. Convidamos vocês a não abaixarem a cabeça jamais junto conosco.

Para participar do curso é só se inscrever de forma gratuita no Campus Virtual de Esquerda Diário: https://campus.esquerdadiario.com.br/

Veja também: Mulheres Negras e o Marxismo é novo tema do Grupo de Estudos Nordeste do Campus Virtual Esquerda Diário




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