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RELAÇÃO EUA-BRASIL | Um alerta de Biden para Bolsonaro: A agenda de subordinação deve seguir independente da crise

A reunião de Bolsonaro e seus ministros com William J. Burns diretor da CIA, no último dia 01, muito tem a dizer sobre os planos ianques para o Brasil. Diante do aprofundamento da crise política com os escândalos de corrupção envolvendo a compra de vacinas, o imperialismo vem garantir que toda a crise não impede o aprofundamento das reformas econômicas, diretos ataques à classe trabalhadora.

terça-feira 6 de julho | Edição do dia

Burns reuniu-se com Bolsonaro e ministros como general Heleno (Gabinete de Segurança Institucional - GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil). A reunião que constava na agenda da GSI mas não da de Bolsonaro, que depois confirmou a participação, foi um primeiro elemento dos motivos políticos envolvidos no encontro, visto que a Agência de Inteligência dos EUA poderia facilmente se reunir com o governo de forma oculta. Divulgar o encontro parte de fazer questão de deixar público um acordo entre o governo Bolsonaro e o imperialismo norte americano, tanto para os apoiadores do governo quanto para a oposição.

Não à toa, Bolsonaro logo após a reunião com o chefão da cia discursou contra a vacina chinesa. Uma declaração para, claramente, agradar o imperialismo norte americano e garantir os interesses dos EUA contra a China.

O governo Biden vem numa linha de “destrumpização” , buscando disciplinar Bolsonaro, derrubando as principais figuras trumpistas do governo (Salles, Weintraub e Ernesto Araújo) enquanto emite um alerta também ao Centrão e aos militares. Não à toa Luiz Miranda, que fez a denúncia sobre o superfaturamento na compra da vacina Covaxin, tem relações bem próximas com os EUA.

A intervenção do imperialismo norte americano sob a gestão de Joe Biden, apoiado e ovacionado inclusive por setores da esquerda brasileira, é deixar bem claro para todos os setores do governo, Bolsonaro, militares, centro, oposição, que independente da crise que se instaure é essencial que se mantenha a agenda de reformas e também é essencial que se fortaleça um discurso e uma política “anti-China” para garantir os interesses estratégicos do imperialismo norte americano nas mãos do Partido Democrata.

Ou seja, diante da crise que só se aprofunda, independente da situação econômica e social, o Brasil deve seguir sua submissão ao imperialismo dos EUA e os trabalhadores devem continuar pela crise capitalista. Não importa da onde vai cortar verbas desde que a dívida pública siga sendo paga religiosamente, além de seguir com privatizações, que além de precarizar postos de trabalho, colocam serviços essenciais nas mãos de empresários.

É claro que o Partido Democrata e Biden não têm Bolsonaro como preferido, mas para os jogos do imperialismo o que importa é que siga disciplinado e servindo aos seus interesses, entretanto o recado precisa ser dado a todos os setores, e disciplinar Bolsonaro para garantir que a dívida pública siga sendo paga, ou amortecida. No ano de 2020 foram gastos R$1,381 trilhão com a dívida pública, 472% do que foi gasto com o auxílio emergencial, dados da auditoria cidadã.

Por outro lado, também está em jogo a exploração da Amazônia, fornecedora de matéria prima e disputa de um capitalismo que explora com consciência, no fim uma disputa por quem organiza a extração de matéria prima na Amazônia que vem batendo recordes de desmatamento.

É importante colocar que apesar do governo Biden estar fazendo todo esse movimento de “destrumpização” e de se colocar como diferente da extrema-direita, o que de fato é, ainda sim se coloca a serviço dos interesses do imperialismo norte americano. Isso significa garantir a submissão do Brasil e da América Latina (Burns também visitou países como Colômbia e Venezuela). Isso significa, garantir a espoliação, por meio da dívida pública, das privatizações, do controle da matéria prima além de todo o jogo político com a China, e para garantir isso a classe trabalhadora terá que pagar pela crise.

Veja também: O que a reunião da CIA com Bolsonaro revela sobre a crise política?




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