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USP não readequa seu calendário e deixa ingressantes do SISU de fora da integração

Em mais uma amostra de seu elitismo, a USP pode deixar de fora do processo de recepção ingressantes do SISU após o adiamento dos resultados do ENEM. Como se não bastasse terem que enfrentar o filtro social e racial do vestibular, problemas com a plataforma e as notas, os alunos podem ser excluídos da calourada. Nós da Faísca nos colocamos contrários e exigimos uma readequação no calendário!

Clara Gomez

Diretora do Centro Acadêmico Professor Paulo Freire

segunda-feira 12 de abril| Edição do dia

O Reitor da USP, Vahan Agopyan. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Em mais um ano consecutivo o Sistema de Seleção Unificado - SISU - é alvo de reclamações de estudantes que tentam uma vaga nas Universidades públicas brasileiras. Desde 2020 a plataforma conta com a “dupla classificação”, usando as notas do ENEM na primeira e segunda opções de curso dos inscritos e deixando as notas de corte infladas artificialmente. Assim os estudantes ficam sem uma referência de sua real classificação: nos dias em que o SISU fica aberto, a simulação está comprometida com as “notas fantasmas” dos participantes em dois cursos ou modalidades diferentes e, ao final, essas notas de corte e lista de aprovados serão outras, já que cada inscrito terá sua matrícula feira em apenas uma das duas opções.

Outra preocupação dos estudantes durante todo o ano é sobre o funcionamento do portal do SISU, pois, como previsto, o site tem falhas “inesperadas” e instabilidade, mostrando a incompetência do governo para organizar a prova. Na semana anterior, os resultados do ENEM também foram questionados por uma percepção de erros na divulgação das notas de redação que, segundo estudantes, estão muito abaixo e não condizem com o histórico de preparação que tiveram.

Em meio a esse cenário caótico causado pelo filtro social e racial dos vestibulares que excluem os filhos da classe trabalhadora, na noite de sexta -feira (09) os candidatos ao SISU foram surpreendidos com a prorrogação do período de inscrição até a próxima quarta-feira (14). Em suas redes sociais o ministro da educação, Milton Ribeiro, diz que a mudança foi feita por “sensibilidade à demanda dos estudantes”. No entanto, este é o mesmo ministro que depois de um recorde histórico no número de abstenções da realização do ENEM 2020 disse que “no meio de uma crise, mobilizar milhões de pessoas, para mim foi um sucesso”

A prorrogação se deu pela instabilidade de um sistema que, como forma de respeito aos estudantes, ao menos deveria funcionar. Após um ano de crise sanitária, econômica e social que aprofundou a desigualdade no ensino, é desta forma que estudantes são recebidos no ensino superior: inúmeras barreiras que excluem filhos de uma classe que construiu, limpa e continua mantendo as universidades. Mas não nos contentamos com os poucos que conseguem furar esse filtro e entrar na universidade mesmo com essas barreiras, visto que fora dela tem muitos outros como nós, sem o direito democrático à educação e sendo empurrados a trabalhos precários com salários de fome.

No âmbito da Universidade de São Paulo, a prorrogação dos resultados do SISU afeta os ingressantes que irão perder a semana destinada aos caloures caso a Reitoria siga com o atual calendário. Além da má gestão do MEC, em São Paulo, nos deparamos com anos de governos do PSDB, aplicando cortes nas bolsas de pesquisa e permanência estudantil e com projetos de privatização e sucateamento das estaduais paulistas.

Ressaltamos a importância da Semana da Calourada para a integração dos estudantes à realidade da Universidade. Após passar pela violenta seleção nos vestibulares, é fundamental que todes possam ter acesso às informações sobre permanência estudantil e organização política nos locais de estudo através da apresentação de entidades e coletivos. A negação desse espaço de integração aos ingressantes do SISU, no marco de uma pandemia que aprofundou as desigualdades e os avanços da crise econômica iniciada em 2008, é mais uma das facetas de um sistema capitalista sem compromisso algum com o acesso à Educação pública e a saúde mental dos vestibulandos.

Nós da Faísca estamos levantando uma campanha em articulação com outros Centros Acadêmicos em exigência à reitoria para que os estudantes sejam liberados e tenham direito à integração. Também entramos em contato com as direções dos institutos em que atuamos pelo CAPPF (FEUSP) e CAELL (Letras - USP) fazendo a mesma exigência. É absurdo que após passar pelo filtro social e racial do vestibular os estudantes sequer tenham garantido um processo de integração mínimo. É justamente por isso que batalhamos pelo fim do vestibular e por uma universidade que esteja à serviço dos trabalhadores e da população pobre.




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