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USP entra com mandado de segurança contra a liberação do grupo de risco

A reitoria da USP, sob o comando de Vahan Agopyan, e superintendente do Hospital Universitário Paulo Ramos Margarido entraram com um mandado de segurança pedindo a revogação da liminar que garantia aos funcionários do Hospital Universitário da USP (HU), maiores de 60 anos e pertencentes ao grupo de risco, a liberação do trabalho e escala mínima de serviço presencial.

quinta-feira 17 de dezembro de 2020| Edição do dia

A Justiça decidiu por acatar parte do pedido, suspendendo o revezamento e escalas de trabalho e determinando o retorno ao trabalho presencial, mas em locais de baixo risco. No último mês morreram dois trabalhadores do hospital que pertenciam ao grupo de risco e foram mantidos trabalhando. Dezenas de outros foram contaminados pelo coronavírus e vivem com as sequelas da doença. Uma trabalhadora terceirizada da higienização sofreu um ataque cardíaco e faleceu, dias após se recuperar da doença e voltar ao trabalho.

O Brasil já ultrapassou os 180 mil mortos pela covid-19 e é o recordista de mortes de trabalhadores da saúde pela doença. Um hospital, onde é grande a circulação de doentes e a contaminação, mesmo nas melhores condições sanitárias oferece grande risco. No entanto, no Brasil e no Hospital Universitário da USP a situação está longe de ser ideal. No início da pandemia máscaras eram racionadas e faltava EPIs básicos.As trabalhadoras da higienização se queixam da falta de materiais básicos para a limpeza adequada, além da sobrecarga de trabalho. Na enfermagem, trabalhadores vivem apreensivos com a falta de segurança sanitária e com o medo de levar o vírus para dentro de casa.

A reitoria realizou testes sorológicos no hospital e depois de muita luta incluiu na testagem as trabalhadoras terceirizadas. Mas, além de não divulgar a porcentagem de contaminação, ainda que entre as trabalhadoras da higienização a maioria afirma que testou positivo para os anticorpos, ou seja, se contaminaram pelo menos uma vez, a USP também não tem realizado as testagens PCR de forma periódica para identificar os que hoje estão contaminados, mesmo os assintomáticos, e frear o avanço da contaminação no hospital. Isso demonstra como o ambiente do HU está longe de ser de baixo risco.

O superintendente do HU tentou responsabilizar funcionários e o sindicato dos trabalhadores da USP, o Sintusp, pela liminar que garantia a liberação do grupo de risco, fechando alguns setores ligados ao Paulo Margarido. No entanto desde o começo da pandemia os trabalhadores têm se mobilizado exigindo contratações emergenciais para suprir a falta de funcionários, que já existia antes da crise sanitária, e criar as condições necessárias para a liberação. Nada foi feito pelo reitor ou pelo superintendente nesse sentido. OS PSs infantil e Adulto foram fechado anos antes da pandemia como parte da política de sucateamento e desmonte do hospital. Há menos de um ano Margarido e Vahan tentaram abrir o hospital para o financiamento privado e convênios particulares. Esse é o grande objetivo da reitoria que se aproveita da pandemia para atacar os trabalhadores e a população.

É preciso dar um basta nessa sanha privatista dos gestores como Vahan e de governos como o de Dória e Bolsonaro. E para isso é fundamental a organização dos trabalhadores em aliança com a comunidade. É preciso defender a vida dos trabalhadores contra aqueles que fecham os olhos às milhares de mortes.

Toda solidariedade aos trabalhadores do Hospital Universitário da USP. Pela liberação imediata do grupo de risco e contratação emergencial urgente. Pela efetivação dos trabalhadores temporários e terceirizados que hoje trabalham no hospital sem a necessidade de concurso.




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