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URGENTE: Bolsonaro intervem na UFRGS e nomeia Bulhões como reitor

O presidente Jair Bolsonaro, nesta quarta (16) nomeou o terceiro colocado, o menos votado da lista tríplice, para cargo de reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tal decisão de não nomear o mais votado na já antidemocrática consulta universitária, onde os professores decidem, não acontecia desde 1988, logo após o fim da ditadura militar. Está marcado um ato contra a intervenção, amanhã (17) às 13hs em frente à Reitoria da UFRGS.

quarta-feira 16 de setembro| Edição do dia

Foto: Presidência/divulgação

A chapa de Carlos Bulhões, professor do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), e de sua vice, Patrícia Helena Lucas Pranke, foi a menos votada na consulta acadêmica promovida pela UFRGS e na eleição do Conselho Universitário (Consun). Tal chapa, na ordem de mais votadas, ficou em terceiro lugar, ficando atrás da chapa 3 das professoras Karla Maria Müller e Claudia Wasserman, e da chapa 2 do professor Rui Opperman e de Jane Tutikian.

A possibilidade de que o Presidente escolha qualquer nome da chamada lista tríplice (os três primeiros colocados) para assumir a reitoria é uma herança do período da ditadura militar. Essa lei antidemocrática atravessou, sem ser utilizada, todos os governos desde então e não foi alterada nem por FHC, nem pelos governos do PT. Agora o mecanismo de intervenção presidencial é utilizado pelo governo neoliberal de extrema-direita de Bolsonaro para avançar no processo de privatização do ensino público superior.

Veja também: Com a intervenção na UFERSA, qual saída dos estudantes contra o autoritarismo de Bolsonaro independente das reitorias?

Bulhões está sendo escolhido como ponta de lança nesse processo conservador e privatista, gerindo a implementação do EAD (seguindo a trilha do ERE aplicado na pandemia), os cortes no orçamento da universidade, a implementação da política do governo com a reforma administrativa, a expansão do capital privado na UFRGS e a perseguição política a professores, trabalhadores e estudantes.

A nomeação de interventores é cada vez mais comum no governo de Bolsonaro, que já nomeou os candidatos a reitores os menos votados em instituições como a Universidade da Fronteira Sul (UFFS), o Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e a Universidade Federal do Semiárido (UFERSA), os quais não foram recebidos sem revolta dos estudantes.

Confira aqui no Esquerda Diário: A história da última intervenção nas eleições para reitoria da UFRGS em 1988

A decisão de não escolher o primeiro nome da lista demonstra um desrespeito à autonomia universitária. Essa possibilidade já havia sido anunciada pelo deputado bolsonarista Bibo Nunes (PSL-RS) há um mês, indicando o interesse de nomear Carlos Bulhões.

Porém, defender o atual regime universitário, que permite a lista tríplice e o mecanismo de intervenção presidencial, como uma suposta alternativa à Bulhões, é uma contradição. É necessário lutar por uma estatuinte universitária que derrube as heranças da ditadura e as décadas de avanços neoliberais na UFRGS.

Em uma estatuinte assim, estudantes, professores e servidores (incluindo as terceirizadas), devem levantar medidas como a necessidade de dissolver o CONSUN e acabar com a influência da iniciativa privada na gestão da universidade, acabar com as terceirizações (efetivando todas as trabalhadoras) e instituir uma verdadeira democracia interna, através de uma gestão tripartite de professores, trabalhadores e estudantes, onde cada setor tenha peso proporcional aos seus números reais dentro da UFRGS. Sobre esse debate, leia aqui a nota da juventude Faísca - Anticapitalista e Revolucionária.

O Diretório Central dos Estudantes da UFRGS, diversos CAs e DAs dos cursos da universidade e sindicatos de trabalhadores como a ASSUFRGS, chamam um ato contra a intervenção para a quinta-feira 17/09 às 13:00, na frente da reitoria da UFRGS.

Veja também: Democracia na USP: lutemos por uma Estatuinte livre, soberana e democrática




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