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CONUNE | UNE organiza debate para defender alianças com direita, mas nossa unidade é com os trabalhadores

Mesa com Gleisi Hoffman (PT), Antônio Neto (PDT), Boulos (PSOL), Manuela D’ávila (PCdoB) defendeu ampliar o arco das alianças para a direita contra Bolsonaro. Leo Péricles, UP, também esteve na mesa sem qualquer tipo de exigência a CUT e a CTB por uma unidade nas ruas que possa barrar Bolsonaro e Mourão.

sábado 17 de julho | Edição do dia

Em meio a uma crise social e sanitária enorme do país, um governo negacionista e respostas da juventude nas ruas, o debate “Unidade para salvar o Brasil: Fora Bolsonaro” que ocorreu hoje às 10h no Conune pautou a frente ampla com a direita e não como efetivar a unidade na ação para barrar Bolsonaro e Mourão nas ruas.

Manoela D´avila fez sua fala de abertura sem nem mesmo esconder que o objetivo a ser alcançado é ampliar ao máximo o eixo de alianças com a direita. Mas enquanto isso, o PCdoB que dirige os principais sindicatos pelo país junto ao PT vem chamando dias distintos de mobilização em relação aos atos nacionais. Com nossos inimigos a disposição por uma aliança é grande, mas não com os estudantes e trabalhadores.

Defendemos que esse congresso retire uma carta com um conteúdo debatido no congresso para panfletar nos locais de trabalho no país inteiro para exigir dos sindicatos uma greve geral. Nós como estudantes podemos contribuir para parar esse país contra o Bolsonaro e Mourão e os ataques.

O centro da mesa foi enfatizar as alianças com a direita e a confiança nas instituições que governam junto a Bolsonaro. Já Gleisi Hoffman foi ainda mais descarada e falou abertamente de se aliar com a direita em uma lógica de que rumo a 2022 se trata de disciplinar e desgastar Bolsonaro. Boulos buscou também enfatizar o arco de alianças e João Rodrigues do MST, em uma fala presa a institucionalidade prometeu enviar de presente produtos agro-ecológicos para os membros da CPI. A mesa também contou com a presença de Antônio Neto do PDT, esse partido que apoiou a reforma da previdência.

Nesse congresso repleto de direitistas e com sua mesa principal, chamados a unidade com a direita, chamado que fazemos à Oposição de Esquerda por uma Plenária Unificada nesse Conune para debater essas grandes questões, e não seguir, nos métodos e na política, legitimando a linha da majoritária e centrar tudo na disputa por cargos.

O governo Bolsonaro se sustenta com os militares, assim como senadores e deputados que votam sua agenda econômica devastadora do ponto de vista da retirada de direitos, como foi na privatização da Eletrobras e a Reforma da Previdência. Alguns desses, inclusive, fazem parte da CPI. É de interesse do Partido Democrata norte-americano, da Rede Globo, do PSDB, DEM e MDB desgastar Bolsonaro, pois buscam uma terceira via. Mas esses setores não querem tirá-lo de lá se os ataques aos trabalhadores e setores oprimidos forem sendo aprovados. Não é rebaixando nosso programa e nos aliando a esses que vamos barrar o governo Bolsonaro.

Nosso papel não é confiar e fortalecer uma oposição burguesa que quer toda a retirada de direitos. Se aliar com a direita exclui os interesses da classe trabalhadora e da juventude para agradar os empresários e preparar uma saída eleitoral, que com Lula quer administrar todos esses ataques, conviver com os militares e perdoar todos os que vieram nos atacando, como vem sinalizando em suas últimas declaração dialogando com Sarney. O mesmo de não confiar no impeachment que leva o Mourão ao poder. Não podemos escolher em que inimigo confiar. Ao mesmo tempo, o PSOL fica debatendo se Lula no 1° ou no 2° turno, as polêmicas entre Juntos e o resto do partido não passam de diferenças táticas diferenças táticas, mas sem um programa de independência de classe para fortalecer a unidade realmente necessária, entre a classe trabalhadora e a juventude.

Enquanto a América Latina pega fogo com mobilizações na Colômbia, seria o nosso papel se apoiar no que existe nas ruas e potencializar, com cada estudante e trabalhador tomando as lutas nas suas mãos rumo a uma greve geral, exigindo que as centrais sindicais rompam com sua política eleitoral. Leo Péricles, da UP, em sua fala não citou nem a CUT e nem a CTB, assim como terminou chamando a conformação de um governo popular como conclusão dos atos (de Lula, pelo voto), esse partido endurece o discurso contra a frente ampla, mas a política é a mesma da majoritária, impeachment que leva a Mourão. Além disso, descreveu que a Constituinte Chilena estaria enterrando a ditadura do Pinochet, enquanto os stalinistas do PC e a Frente Ampla negociam para que a liberdade dos presos políticos da rebelião fique nas mãos do parlamento do Presidente Pinera, ou seja, que na prática não aconteça. Para essa tradição, os trabalhadores e setores oprimidos não são sujeitos mas massa de manobra de suas direções e não fazem nenhuma questão de auto-organização, como se vê nas lives Povo na Rua.

Trotski diz que os teóricos da frente ampla não vão além da regra mais básica da aritmética, que é a soma de forças, mas justamente ao unir forças tão divergentes, acabam na soma zero. Diz isso diante das inúmeras capitulações do stalinismo e suas teses de conciliação de classes. E isso vale recuperar agora, em outro momento histórico.

O nosso ódio não pode servir para colocar Mourão no poder, como faz o impeachment. Por isso, Defendemos que desenvolvimento da nossa luta imponha uma assembleia constituinte livre e soberana que avance para organizar os oprimidos e explorados em torno da elaboração de uma nova constituinte que, ao mesmo tempo que batalhe pela revogação de todas as reformas de Temer e Bolsonaro, arranque um programa para que os capitalistas paguem pela crise, seja também uma experiência com essa democracia dos ricos passando por cima dessa constituição rasgada pelos capitalistas.

Conheça nossa Tese:

Conune 2021: conheça a tese "Transformar nosso ódio em revolução! Fora Bolsonaro e Mourão"


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